Por Dom Orlando Brandes Em Artigos Atualizada em 03 FEV 2020 - 16H27

O individualismo

Uma das características da cultura humana moderna é o individualismo. Isso leva à “ditadura do relativismo”, diz o Papa Bento XVI.

Hoje confundimos pessoa e indivíduo, personalismo e individualismo. Nossa cultura está marcada pela supremacia do individualismo, em detrimento do altruísmo e do personalismo. O outro, o próximo, o semelhante, o irmão, o diferente, o necessitado são colocados em segundo lugar e até descartados. O individualismo globalizado se expressa na absolutização do ter, poder e prazer. Os outros são perdedores, descartáveis, sobrantes, excluídos. Vejamos alguns aspectos do individualismo hoje:

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1. A arbitrariedade: o individualismo se manifesta na arbitrariedade, que é uma atitude de poder, de julgamento, de superioridade, de centralidade, de dominação. Quando a arbitrariedade significa desobediência, rebeldia, orgulho, entram em crise valores éticos, religiosos, sociais e a justificação dos interesses pessoais; caem as instituições, a objetividade, o bom senso e o respeito pela verdade.

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Leia Mais10 toques de Sabedoria2. O bem material: a pessoa individualista desvaloriza o bem comum, a justiça social, a compaixão. O dinheiro, a ambição, a ganância, o lucro é o que interessa. O ter mais vence o "ser mais". Cresce a indiferença pelo outro. A competição, a corrupção, a concentração dos bens aumentam a desigualdade social. Quem cai no individualismo torna-se insensível, cego, escravo de cálculos e ambições. Não se pergunta se os outros estão bem e não se interessa em ser bom para os outros.

3. A satisfação erótica: o erotismo é filho legítimo do egoísmo individualista, do amor desordenado de si mesmo, do prazer imediato e sem compromisso, que hoje se caracteriza pela orgasmomania e orgasmolatria, balbúrdia sexual. O machismo tem muito do egoísmo e erotismo. Acontecem no erotismo a centralização do ego e a subjugação do outro, afirmação de si e a negação do outro. A espiral do erotismo abre as portas ao alcoolismo, às drogas e ao vazio existencial.

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4. A legitimação dos desejos: o consumismo, por meio da propaganda, trabalha com os desejos, ora criando-os, ora aguçando-os. Somos escravos de desejos desordenados. O mercado excita os desejos das crianças, dos jovens e adultos e os legitima como felicidade, bem-estar, autorrealização e autoprojeção. Promete mundos maravilhosos, messiânicos, efêmeros e eficazes. A vida é vivida como um espetáculo, uma satisfação de desejos e sensações, curtições. A isso damos o nome de individualismo. A Campanha da Fraternidade nos convida à compaixão e à solidariedade.

Escrito por
Dom Orlando Brandes (Thiago Leon)
Dom Orlando Brandes

Arcebispo de Aparecida (SP)

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