Por Roberto Girola Em Artigos

Os efeminados

Trejeitos efeminados são associados a homossexualidade. Isso realmente define sexualmente o indivíduo? (Daniela Herrera Costa – São Paulo)

Se tentássemos definir o que é um trejeito efeminado, provavelmente, teríamos dificuldade de chegar a um acordo, para alguns bastam uns poucos sinais, para outros o “rótulo” exigiria elementos mais tangíveis. A questão está invariavelmente associada a fantasias individuais, que tendem a associar determinados fatores estéticos, comportamentais, inflexões da fala e gestos ao homossexualismo. Isto já nos permite perceber que nem sempre a nossa leitura da realidade é de fato “a realidade”.

O universo homossexual não é tão uniforme como os heterossexuais pensam. O homossexualismo se manifesta de formas diferentes, o que leva o mundo homossexual a se manifestar numa pluralidade de expressões estéticas. Há homossexuais que não gostam de manifestar sua condição, vestindo-se, caminhando ou falando de certo jeito e detestam os que o fazem.

No mundo homossexual existem várias “tribos” cujo teor estético é bem diferente. Um “urso”, tatuado, musculoso e de cabeça raspada, por exemplo, é completamente diferente de um homossexual exibicionista com trejeitos visivelmente femininos.

O trejeito, portanto, não define necessariamente a condição homossexual, embora a maioria dos heterossexuais acredite em estereótipos. Vale a pena também observar que determinados homossexuais “forçam” seus trejeitos como uma forma de “agredir” o mundo dos supostos “normais”, que geralmente os rotula e os discrimina, e os próprios homossexuais que “não saem do armário”.

Mas essa não é a única razão. O caminho que leva à formação da identidade homossexual e à vivência da condição homossexual é extremamente complexo do ponto de vista psíquico. Nem sempre esse itinerário é unívoco sequer para quem o vive e isso pode levar a se identificar com a condição homossexual sem que de fato haja razões suficientes para isso, levando a conflitos internos bastante dolorosos, da mesma forma como, para outros, é difícil admitir sua homossexualidade, o que também comporta enfrentar conflitos internos muito difíceis. Naturalmente a “rotulação” que o mundo externo faz de forma superficial e leviana de determinados “sintomas” tidos como sinais de homossexualismo não ajuda em nada.

Roberto Girola é psicanalista e terapeuta familiar

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