Por Roberto Girola Em Artigos

Padrões de comportamento

É verdade que somos impulsionados a nos enquadrar em padrões ditos como corretos ou fora do normal, de acordo com o que a sociedade quer?

O convívio social sempre exigiu do indivíduo uma conflitante adaptação a padrões de comportamento preestabelecidos, ditados pela tradição, o contexto cultural, as leis, as normas éticas e o código moral, geralmente ligado a uma religião. Tais “padrões” de comportamento são apropriados pela psique como injunções que, uma vez introjetadas, contribuem, embora de forma não exclusiva, para constituir aquilo que Freud chamava de Supereu, uma espécie de inspetor interno que supervisiona o Eu.

Contudo, o Supereu não é determinado unicamente por fatores externos de caráter ”normativo”, ele responde também a apelos vindos do mundo interno que determinam o “Eu ideal”, uma autoimagem inconsciente à qual o Eu se reporta de forma adaptativa, uma espécie de padrão interno.

Os vínculos iniciais que a psique estabelece são marcados pela necessidade de sobrevivência do bebê. As complexas interações iniciais também estabelecem padrões de relacionamento psíquico destinados a interferir profundamente na vida futura do bebê, podendo gerar uma estrutura egoica saudável ou falhada e inconsistente. Neste último caso, a psique pode experimentar uma submissão compulsiva ao mundo externo e aos seus “padrões”, resultando na estrutura chamada de “falso Eu”.

Se isso é o que acontece no contato do indivíduo com o mundo externo, hoje temos um fator complicador. Trata-se de novas injunções que visam moldar padrões de comportamento em função das necessidades da sociedade de consumo. Uma forte pressão midiática “determina” formas de comportamento não mais baseadas no que é certo e errado em termos legais, morais ou éticos e sim no que é esperado pelos padrões do sucesso e do consumo, visando a aprovação (likes) dos que assistem ao nosso show (a vida como espetáculo) nas redes sociais e nos ambientes sociais e de trabalho. São as novas instâncias superegoica que se acrescentam às primeiras, gerando conflitos internos consideráveis.

Roberto Girola é psicanalista e terapeuta familiar

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