Por Marcus Eduardo de Oliveira - Jornal Santuário Em Artigos

Promover a conservação dos ecossistemas

De modo amplo, a relação entre a atividade econômica e o capital natural envolve, dentre outros, três aspectos de suma importância: alterações do clima, provocada pela ação humana, facilitada pela “máquina econômica de produzir”; exagero de produtos tóxicos ejetados no meio ambiente, em resposta às políticas de crescimento econômico que desrespeitam os limites físicos da natureza; e, falta de energia e matéria para lidar com as manifestações da sociedade de consumo, cada vez mais intensas e extravagantes.

No bojo, esses fatos apontam para a necessidade suprema de se consolidar um “novo modo” de pensar a atividade econômica, a partir da perspectiva ímpar da inserção da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos no conjunto da análise econômica, superando, assim, o caráter reducionista presente nas análises neoclássicas que ora ditam as regras da economia moderna.

Esse “novo modo” de pensar a economia está implícito no tema central do século XXI: a construção de um desenvolvimento digno e sustentável.

Em termos de atividade econômica, talvez nada seja mais imprescindível, no decorrer desse século, do que consolidar um desenvolvimento que seja essencialmente sustentável, capaz de resgatar da privação dos direitos sociais parcela significativa da sociedade que vive à margem de uma vida melhor.

Essa “nova economia” ao interagir com o meio ambiente, pautada na parcimônia no uso e trato dos recursos naturais, tem que adotar o Princípio da Precaução, cuja função principal é evitar os riscos e a ocorrência de danos ambientais, procurando, com isso, ser uma ferramenta capaz de fazer os homens enxergarem que uma produção industrial com limites é razoável.

A Ciência Econômica, oportunamente, tem então que se pautar no nobre serviço de promover a conservação dos ecossistemas e da biodiversidade de forma ampla, sendo capaz ainda de diferenciar, nessa relação economia x meio ambiente, o saudável, do nocivo; o lobo (crescimento econômico contínuo), do cordeiro (ecossistemas naturais preservados).

Por isso não se pode mais aceitar a existência de um fluxo monetário que somente “enxerga” a natureza como mera externalidade, fazendo do crescimento exagerado da economia de mercado fator predominante que acarreta a desfiguração do semblante da natureza.

Se houve um crasso equívoco que hoje está nos custando muito caro, em termos de preservação do patrimônio natural, foi o fato da atividade econômica, pós-industrialização, ter completamente mercantilizado a natureza, não reconhecendo, outrora, que a capacidade dessa é limitada para absorver a ganância expressa no consumo desenfreado.

Lamentavelmente, a tradição neoclássica contribui ainda para isso, ao defender sistematicamente a prática do crescimento econômico contínuo. Desse modo, (re) pensar a elaboração de uma “nova economia” que respeite as condições da natureza, tendo em conta que sem a natureza não há economia e, evidentemente, não há possibilidade de prosperar as relações da vida, é o que de mais urgente precisa acontecer.

Desde tempos imemoriais, a economia tradicional não tem dado a devida importância para a questão ambiental. É de fundamental importância discutir a ideia central de que a economia é um subsistema da biosfera, bem como desenvolver consciências (amplas e coletivas) que provoquem mudanças nos padrões de consumo e produção para assegurar qualidade de vida a todos.

Para tanto, a tradição da macroeconomia precisa incorporar em seu arcabouço teórico a premissa de que os ecossistemas naturais, dada sua finitude, não podem suportar a expansão do sistema econômico.

Daí surge à necessidade premente de termos uma “nova” economia capaz de promover a conservação dos ecossistemas.

Marcus Eduardo de Oliveira é economista especializado em Política Internacional

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