Por Pe. Evaldo César de Souza, C.Ss.R. - Jornal Santuário Em Artigos

Radiografia do Brasil

Os últimos meses não têm sido muito favoráveis ao povo brasileiro. Politicamente vivemos um momento delicado, com manifestações vindas de todos os cantos e de muitos grupos distintos, que discutem os rumos da vida política brasileira, pedem pelo fim da corrupção e pela condenação dos agentes que fazem do dinheiro público a farra do boi nacional.

Nas nossas casas administrativas reina absoluta a política do apadrinhamento e das vantagens pessoais, barganham-se interesses e ideologias partidárias tomam o lugar do zelo pelo bem comum. Legisla-se em causa própria, e o Brasil segue esquecido.

Economicamente, a crise mundial, somada a inoperância reinante no governo, faz o país afundar no aumento da inflação, na diminuição do poder de compra, no crescente desemprego, na falta de investimentos industrial. Visivelmente estamos num momento crítico, a nação brasileira está desanimada, o povo volta a temer uma recessão.

Para piorar, o trabalhador tem visto o governo pleitear a diminuição de seus direitos, conquistados a duras penas nesse país que tão mal trata sua mão de obra. Gritos ecoam contra o governo, greves param o país, professores exigem reconhecimento, e assim, a cada dia, assistimos ao triste espetáculo do desprezo absoluto a população.

Não se distingue mais situação de oposição, e ambas, se existem de fato, apenas querem brigar pelo poder. Não há projeto sério para a nação, o Brasil anda ao léu. As desigualdades sociais, já tão intensas na terra do futebol, longe de diminuir, crescem a cada dia. As políticas de transferência de renda, as famosas “bolsas” assistenciais, se por um lado são a única esperança para milhões de brasileiros, são causa de críticas e em nada servem para provocar de fato uma redistribuição de renda no país.

Pobres cada dia mais pobres, convivendo com a provocação da vida nababesca de ricos, cada dia mais ricos. O fosso social promove a violência, o medo, o ódio social, e se não há oficialmente um “apartheid”, louco será quem disser que inexiste o hiato claro e maldito entre pobres e ricos no Brasil.

A pobreza da periferia cresce exponencialmente, enquanto ricos se trancam em condomínios com cercas e grades altíssimas, criando sua própria prisão. E as verdadeiras penitenciárias são escolas de crime, escritórios dos chefes do narcotráfico e terra que gera sua própria lei.

Para o povo pobre faltam médicos, hospitais, escolas, estradas, moradias. Enquanto os latifúndios improdutivos geram especulação agrária, multidão de homens e mulheres esperam pequeno pedaço de terra para plantar. Seguiríamos ao infinito com a lista das tristezas do país. A radiografia do Brasil, na atual conjuntura, não parece nada boa. Mas a história do país, desde seu “descobrimento”, sempre foi sucessão de políticas mal-encaminhadas.

Somos herdeiros de um processo de colonização que jamais considerou nosso potencial para o desenvolvimento, a não ser pela expropriação sistemática de nossas matérias-primas. E mesmo assim, entre tanta coisa que o decepciona, segue feliz o povo brasileiro, lutando, penando, chorando e sorrindo, mas dono de uma perseverança e paciência chegam a dar inveja a Jó! Mas a pergunta é: até quando?

Padre Evaldo César de Souza é diretor de produção da TV Aparecida

Escrito por
Padre Evaldo César Souza, C.Ss.R, diretoria da Fundação Nossa Senhora Aparecida (FNSA) (TV Aparecida)
Pe. Evaldo César de Souza, C.Ss.R. - Jornal Santuário

Redentorista, membro da Província de São Paulo, graduado em Filosofia, Teologia e Jornalismo e pós-graduado em Gestão Executiva de Televisão (FAAP). Escreve para a Editora Santuário e para a editoria 'Santuários'.

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