Por Irmão Diego Joaquim, C.Ss.R. - Jornal Santuário Em Artigos

Saúde pública: eterna crise

Não é de hoje que o serviço público de saúde no Brasil está em crise. O Sistema Único de Saúde (SUS) é uma conquista importante, e o atendimento público está garantido na Constituição, com uma das maiores partes do bolo do orçamento do governo federal. Ainda assim, a situação dos postos e hospitais públicos é uma calamidade, de norte a sul do país.

Esta crise generalizada tem sua origem exatamente no montante de recursos envolvidos no serviço público de saúde: este ano, serão mais de 30 bilhões de reais investidos no SUS. E este monte de dinheiro deve fazer brilhar os olhos de quem está disposto a tirar proveito pessoal daquilo que é de todos.

Mas independentemente da corrupção que compromete também outros serviços públicos brasileiros, a crise na área da saúde tem ainda outros aspectos importantes: a deficiência na estrutura física, a falta de disponibilidade de material, equipamento, medicamentos e a carência de recursos humanos.

Além destes, infelizmente é preciso acrescentar mais um aspecto: o descaso. E esta é uma falha de gestão e que agrava ainda mais os problemas estruturais da saúde pública. São incontáveis os relatos de pessoas que chegam às unidades de saúde passando mal, com dores, mas ainda assim não encontram atendimento. Também são vários os casos de pacientes que clamam por uma vaga em UTI, e não conseguem. E a explicação das autoridades soa muito estranha: “este caso não está no perfil das vagas disponíveis”. Como compreender isso?

Estas expressões técnicas só pioram momentos de dor e agonia, e são ditas por gestores que não descem às recepções dos postos de saúde e hospitais públicos. Como não são usuários destes sistemas, acabam não compreendendo o que é esperar por horas para um atendimento de emergência, ou por semanas e meses por uma consulta, um exame ou uma cirurgia.

Devemos prestar toda reverência e agradecimento aos profissionais que se desdobram nas precárias instalações da saúde pública brasileira. Fazem o que é possível na linha de frente do atendimento no SUS. Mas os políticos e gestores precisam ser mais responsáveis, e parar de tratar como números frios as vidas que doem à espera de atendimento e cura.

É a irresponsabilidade dos gestores que provoca as cenas de paralização do atendimento, como vimos no final de 2015 no estado do Rio de Janeiro. A resposta do poder público: 104 milhões de reais a menos no orçamento do SUS para os hospitais do Rio em 2016. Nada é tão ruim que não possa piorar.

 

Irmão Diego Joaquim

Missionário redentorista, jornalista e diretor de conteúdo da Rede Pai Eterno de Comunicação, editorialista da Rede Católica de Rádio (RCR), colaborador da Rádio Difusora de Goiânia e Coordenador da Pastoral da Comunicação da Regional Centro-Oeste da CNBB

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Irmão Diego Joaquim, C.Ss.R.
Irmão Diego Joaquim, C.Ss.R. - Jornal Santuário

Missionário Redentorista da Província de Goiás

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