Por Roberto Girola Em Artigos

Sexualidade feminina: um mistério?

No início dos seus estudos sobre a sexualidade humana, Freud chegou a pensar que homens e mulheres seguiam basicamente o mesmo caminho no seu desenvolvimento sexual. Em 1825, ao analisar a influência que as diferenças anatômicas exercem no desenvolvimento psíquico da sexualidade humana, ele admite que o caminho que esse desenvolvimento segue nos dois sexos é completamente diferente.

Às vezes podemos cometer o mesmo erro inicial de Freud ao pensar que homens e mulheres são iguais no âmbito psicológico e sexual. Não faltam situações que poderiam confirmar essa tese, afinal hoje a mulher é chamada a ocupar papéis antes considerados eminentemente masculinos e homens desempenham papéis antes considerados femininos. No âmbito sexual, a mulher vive a mesma situação. Ela pode exercer um papel ativo na conquista dos homens, embora isso possa gerar certo desconforto nela e nos homens com quem se relaciona. Mas, afinal o que define o papel masculino e o feminino?

Freud vê a formação da sexualidade feminina como um caminho árduo, que nem sempre leva ao desfecho esperado. Enquanto o menino segue um caminho mais reto ao manter a mãe como “objeto” do seu amor, disputando com o pai a sua atenção, a menina muda o seu afeto primário pela mãe pelo afeto pelo pai, antes visto como um rival, assim como anatomicamente passa do prazer clitoriano (masculino) para o prazer vaginal (feminino). No entanto, observa Freud, nem sempre esse itinerário ocorre de forma linear. Ele passa pela separação da mãe, o abandono da tendência masculina, o apego ao pai e finalmente a aceitação da feminilidade.

Freud frisa que esse trajeto pode levar a três possíveis desfechos. Para algumas mulheres há um desinvestimento de sua sexualidade (a mulher que “finge” o seu orgasmo e considera o sexo uma obrigação). Para outras, há uma fixação na sua fase inicial masculina (as assim chamadas mulheres fálicas). Somente algumas chegam à descoberta de sua feminilidade, não como uma frustração e sim como uma “potencialidade”.

Neste caminho é importante tanto o papel da mãe, como o do pai, assim como a relação que existe entre o casal. Nos casos em que os pais são separados, a identificação com os elementos masculinos e femininos passa por uma rede mais complicada de identificações. O triângulo edípico (pai, mãe, filho[a]) se transforma em um pentágono edípico (pai, madrasta, mãe, padrasto, filho[a]).

Roberto Girola é psicanalista e terapeuta familiar

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