Por Pe. Evaldo César de Souza, C.Ss.R. - Jornal Santuário Em Artigos Atualizada em 21 FEV 2019 - 11H45

Só as pessoas que estão no leito de morte podem receber a Unção dos Enfermos?

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A unção dos enfermos é um dos sete sacramentos da Igreja e, como todos os outros, mostra a presença invisível da graça de Deus na forma de sinais visíveis. No caso da Unção dos Enfermos, a matéria usada é o óleo, abençoado na Quinta-feira Santa pelo bispo diocesano. A pessoa recebe a unção nas mãos e na fronte, ou até mesmo em outros lugares, de acordo com o costume da região.

Antigamente, esse sacramento era chamado de Extrema-Unção; isso acabou por relacioná-lo com o momento da morte da pessoa. Essa ideia já foi superada. A renovação litúrgica do Concílio Vaticano II trouxe esta nova perspectiva teológica: a Unção dos enfermos não é sacramento de morte, mas de vida e recuperação.

As bases teológicas para a Unção dos Enfermos são profundamente bíblicas (Mc 6,13). Da carta de São Tiago, retiramos a mais antiga forma de cuidado com os que estão sofrendo: "Alguém entre vós está doente? Mande chamar os presbíteros da Igreja para que orem sobre ele, ungindo-os com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o porá em pé" (Tg 5,13-15).

Qualquer pessoa enferma, mesmo que não corra risco de morte, ou com mais de 60 anos pode receber este sacramento. Em algumas paróquias, inclusive, ele é celebrado até uma ou duas vezes ao ano, durante uma eucaristia especial para idosos e enfermos, na qual eles recebem a Unção. Como sacramento, ele gera vida e não morte. Um idoso ou doente pode receber o sacramento da Unção todos os anos, sem nenhum problema.

Convém lembrar mais uma coisa: ainda que possamos ungir sacramentalmente uma pessoa no momento da enfermidade e da velhice, o ideal é que a pessoa receba esse sacramento na hora da morte, da agonia final. Mas, se isso não acontecer, seja por causa de morte repentina ou mesmo pela ausência de um padre, não pense que Deus vai ficar chateado ou que a pessoa não será acolhida por Ele. O sacramento pretende ajudar na recuperação da pessoa e não somente garantir a eternidade. Sacramento não é mágica.

Na verdade, o sacramento da Unção dos Enfermos vem acompanhar os seres humanos nos momentos mais frágeis da vida: a velhice e a doença. Somos humanos, e a fragilidade da carne será inevitável. O Cristo, que nos acompanha pela vida, quis também oferecer um bálsamo espiritual para o momento final da existência: pela ação da Igreja, sacramento de Cristo, os batizados podem sentir-se amparados até no momento da morte. O sacramento da Unção dos Enfermos nos liga ao Cristo, que se despojou de tudo, até mesmo de sua vida, para nos resgatar (Fl 2,5-11). Ou como diz São Paulo aos Colossenses: “Eu me alegro profundamente em meus sofrimentos por vocês e vou cumprindo em minha carne o resto das aflições de Cristo por seu corpo, que é a Igreja” (Cl 1,24).

Para a Unção dos Enfermos, a Igreja prescreve um ritual específico e nesse, durante o ato da unção com o óleo consagrado, o padre ou bispo dizem as seguintes palavras:

“Por esta santa unção e por sua infinita misericórdia, 
o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo, 
para que, liberto de teus pecados, Ele te salve e, 
em sua bondade, alivie os teus sofrimentos”.

Veja que a oração da Unção recorda tanto a cura corporal como a cura espiritual, ao pedir a misericórdia de Deus pelos pecados da pessoa que é ungida. É um carinho especial no momento que precederá nossa entrega no colo de Deus. A Igreja, que acolheu a criança nas águas do Batismo, acolhe também o batizado na hora da dor e da morte. Vive sua vocação missionária de ser, para os homens e as mulheres de todas as partes, o sinal vivo do amor de Cristo pela humanidade!

Veja também: Quem pode receber a unção dos enfermos?

Escrito por
Padre Evaldo César Souza, C.Ss.R, diretoria da Fundação Nossa Senhora Aparecida (FNSA) (TV Aparecida)
Pe. Evaldo César de Souza, C.Ss.R. - Jornal Santuário

Redentorista, membro da Província de São Paulo, graduado em Filosofia, Teologia e Jornalismo e pós-graduado em Gestão Executiva de Televisão (FAAP). Escreve para a Editora Santuário e para a editoria 'Santuários'.

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