Por Marcus Eduardo de Oliveira - Jornal Santuário Em Artigos

Triste mundo

Os números não mentem a triste realidade: no mundo, uma em cada três pessoas não têm acesso à eletricidade; uma em cada cinco não tem acesso à água potável; uma em cada seis é analfabeta. Um adulto em cada sete e, uma criança em cada três, sofre de desnutrição.

A cada cinco segundos uma criança morre de fome no mundo; uma pessoa a cada sete padece de fome crônica. Dezenove crianças com menos de cinco anos de idade morrem a cada cinco minutos vítima de pneumonia; 500 mil mães, todos os anos, morrem durante o parto devido à assistência médica insuficiente, e cinco milhões de crianças a cada ano não completam cinco anos de vida.

Pouco mais de 300 milhões de pessoas no mundo têm uma expectativa de vida inferior a 60 anos; em parte pela má alimentação e também por conta de patologias decorrentes dessa carência. Trinta e cinco por cento da população mundial não têm energia e proteínas suficientes em sua dieta.

No mundo, há dois bilhões de pessoas anêmicas, incluídos 5,5 milhões que habitam os países do capitalismo avançado. Em decorrência da desnutrição crônica, cerca de 500 milhões de crianças localizadas na América Latina, Ásia e África correm risco de sequelas permanentes em seus organismos nos próximos 15 anos.

Nunca é demasiado lembrar que habitamos um mundo em que o custo diário para alimentar uma criança, com todas as vitaminas e nutrientes necessários, custa apenas 25 centavos de dólar.

De acordo com a ONG (Salvem as Crianças), a morte de dois milhões de crianças por ano poderia ser prevenida se a desnutrição fosse combatida. No entanto, permeia a exclusão, a segregação, a separação entre os pares, fazendo da desigualdade uma chaga incurável.

Simplesmente 20% da população mundial – ou uma em cada cinco pessoas – está excluída da participação no consumo de alimentos e de outros bens.

De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH-2013), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), cerca de 1,57 bilhão de pessoas (30% da população de 104 países estudados no relatório citado) estão em situação de pobreza multidimensional (Nota: diz-se multidimensional por possuir múltiplas definições e maneiras de medi-la). Os brasileiros que sofrem de pobreza multidimensional são 2,7% da população.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) declara que 48% dos 12,5 milhões de crianças localizadas na América Latina trabalham na agricultura familiar ou de subsistência.

Relatório emitido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), atesta que o número de pobres cresceu entre 2010 e 2011 em 14 das 26 economias desenvolvidas analisadas, incluindo Estados Unidos, França, Espanha e Dinamarca.

Ainda segundo a OIT, há mais de 200 milhões de desempregados espalhados pelo mundo. Estima-se que ao final desse ano esse número ultrapasse a 208 milhões.

Riqueza de lado, pobreza do outro

Pelos dados expostos no relatório "Credit Suisse 2013 Wealth Report", 0,7% da população do mundo concentra 41% da riqueza global, enquanto 50% dos adultos no mundo ficam com 1% da riqueza. A riqueza mundial atingiu, no ano de 2013, o recorde de US$ 241 trilhões.

De um lado a exuberância dos bilionários; do outro, o drama dos que passam fome. Somente os Estados Unidos concentram 37 dos 100 maiores bilionários do mundo. Na Rússia estão outros 11. Na Alemanha há seis, enquanto a Índia tem cinco e a França, quatro.

A fortuna em conjunto dos três maiores bilionários do planeta chega em 200,3 bilhões de dólares. Enquanto cresce a fortuna dos mais privilegiados, o Banco Mundial elabora estudo apontando que para eliminar a extrema pobreza seriam necessários US$ 169 bilhões por ano (0,25% do PIB mundial) ou nove vezes menos do se gasta com despesas militares no mundo, cuja cifra assustadora chega a US$ 1,6 trilhão.

Parece que o gasto com materiais bélicos continua sendo prioridade. E assim caminha a humanidade. Triste mundo!

Marcus Eduardo de Oliveira é economista especializado em Política Internacional

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