Por Allan Ribeiro Em Jornal Santuário

Déficit na educação de base coloca proposta do Ensino Médio em xeque

Educação - EBC

O governo federal anunciou, em setembro, a Medida Provisória (MP) que reestrutura e flexibiliza o ensino médio no país. A medida vem provocando debate entre governo, integrantes do setor de educação e protestos de estudantes, que ocupam escolas. A nova estruturação, segundo especialistas, não supre as necessidades do ensino no país.

A MP prevê a flexibilização do ensino médio. Português e matemática serão os dois únicos componentes curriculares obrigatórios nos três anos do ensino médio. Os demais componentes curriculares, que deverão ser ensinados no período obrigatoriamente, serão definidos na Base Nacional Comum Curricular, que começou a ser discutida em setembro e deverá ser definida até meados do ano que vem, segundo o Ministério da Educação.

De acordo com a MP, cerca de 1,2 mil horas, metade do tempo total do ensino médio, serão destinadas ao conteúdo obrigatório definido pela Base. No restante da formação, os alunos poderão escolher seguir cinco trajetórias: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas – modelo usado também na divisão das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – e formação técnica e profissional. A medida também amplia gradualmente a carga horária do ensino médio para 7h por dia ou 1,4 mil horas por ano.

O especialista em educação e professor da Universidade de Taubaté (Unitau), Cesar Augusto Eugênio, diz que as medidas impostas pelo governo pouco se traduzem como uma reforma e deixam o ensino médio mais fragmentado. Ele coloca que há pouca base humanística, voltada para a preparação do mercado de trabalho, não havendo muito espaço para que o jovem possa pensar sobre o próprio futuro.

O professor afirma que a estrutura escolar do ensino de base no país não garante ao aluno autonomia para que, ao ingressar no ensino médio, opte maduramente pelas disciplinas que quer cursar. Segundo ele, é necessária uma reforma na educação básica como um todo.

A tendência, como apresenta o professor, é que ele não escolha conteúdos que contribuiriam mais diretamente para a sua formação. “Se ele teve uma experiência negativa com o professor e ele não consegue, por falta de maturidade, entender que a matéria não é o professor. Vejo isso como perda, as escolhas seriam pouco fundamentadas, levianas”, sublinha.

Uma pesquisa recente, divulgada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) mostra que mais da metade dos entrevistados avaliam que essa etapa do ensino não é atraente para os jovens. São maioria os que acreditam que a grade curricular deve mudar. Dentre os entrevistados, 61,4% avaliam que o ensino médio não é atraente e não está adequado à realidade dos jovens de hoje.

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