Por Deniele Simões Em Jornal Santuário

Em alta no Brasil, EAD exige mais dedicação do aluno

O ensino à distância (EAD) tem crescido a cada ano. Tanto que o Censo EAD.BR 2013/2014, da Associação Brasileira de Educação à Distância (Abed), aponta a existência de quase 4 milhões de alunos, distribuídos em mais de 15 mil cursos de graduação, pós-graduação, livres e executivos no país. Há 15 anos, esse número não chegava a 1.600.

Foto de: Femside.com

EAD_1 - Femside.com

Associação Brasileira de Educação à Distância 
(Abed) aponta existência de quase 4 milhões  
de alunos em mais de 15 mil cursos no Brasil;
crescimento no  setor é de 12%

De acordo com o pró-Reitor de EAD da Universidade Cruzeiro do Sul, Carlos Fernando de Araújo, cerca de 15% dos alunos matriculados nos cursos superiores pertencem à modalidade EAD. “A evolução tem sido muito grande e, nos últimos três anos, o crescimento foi de 12%, enquanto os cursos presenciais cresceram 3% no Brasil, segundo o último Censo do Ensino Superior”, ressalta.

Esse crescimento coloca em discussão uma série de questões ligadas à aprendizagem, fazendo surgir alguns mitos, como por exemplo, o de que o estudo à distância é mais fácil, ou mesmo, que a qualidade do ensino é pior.

O professor Luiz Eduardo Gasparetto, coordenador de vários cursos de pós-graduação da Unifae, Universidade Municipal de São Caetano do Sul (Uscs) e Estácio, assegura que estudar à distância é, na verdade, muito mais difícil.

Segundo Gasparetto, quem opta pela modalidade necessita, primeiramente, ter muita disciplina. “Quem vai programar as aulas e o estudo é o próprio aluno e não a faculdade”, justifica.

Além da rotina própria de estudos, o aluno precisa ter a consciência que, mesmo sem a supervisão direta do professor, deverá estudar com autonomia.

O professor Carlos Araújo lembra ainda que, se houver disciplina, o aluno terá êxito garantido nos cursos presenciais e também no EAD. “A disciplina e autonomia do estudante são muito importante para os cursos à distância”, explica.

Gasparetto alerta que flexibilidade não significa falta de compromisso e, ao optar pela modalidade, o aluno acaba descobrindo isso logo no início do curso, quando recebe a apostila com o material produzido pelo professor conteudista. O material servirá de base para que o estudante possa interagir com o tutor e seus colegas de turma nos chats e fóruns, nos cursos de pós-graduação e MBA.

Além das apostilas, há uma série de artigos e textos que também precisam ser lidos em até um mês – o que corresponde ao tempo de duração da aula presencial – e as avaliações presenciais.

Já na Cruzeiro do Sul, há dois modelos de cursos à distância, os semipresenciais, que combinam atividades presenciais semanais e à distância; e os online, onde as atividades acontecem via web e os alunos são avaliados presencialmente.

Preconceito cada vez menor

Para Gasparetto, o preconceito que existia em relação aos cursos em EAD é cada vez menor, sobretudo entre selecionadores de pessoal nas empresas.

Isso acontece porque os alunos dessa modalidade de ensino estão obtendo ótima classificação nos exames do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), destinado a alunos de cursos superiores. “Além disso, muitos desses selecionadores formaram-se em cursos à distância e sabem o quanto são exigentes”, aponta.

Em relação à qualidade do ensino, não existe nenhuma diferença entre os cursos presenciais e à distância no quesito conteúdo e professores, já que muitos docentes de cursos presenciais dedicam-se também ao EAD. 

“Do ponto de vista legal os cursos são exatamente os mesmos; mesma carga horária, mesmos objetivos. Ocorre que na EAD temos uma metodologia e gestão diferenciada, que pode ser mais adequada para um perfil de aluno do que outro”, explica Araújo.

Diante dessa realidade, a demanda deve crescer cada vez mais. Tanto que das 309 instituições consultadas pelo Censo, 82% devem ter aumento no número de alunos matriculados em 2015. 

No caso da Estácio, Gasparetto ressalta que a instituição decidiu apostar na modalidade EAD não só pelo crescimento do setor, mas para possibilitar a alunos que estejam em áreas distantes de seus polos e até fora do Brasil o acesso a uma formação educacional atualizada.

Foto de: Reprodução

EAD_2 - Reprodução

Vantagens e desvantagens 

Gasparetto enumera as principais vantagens e desvantagens do ensino à distância.

Vantagens

- Estudo a qualquer hora, com o professor sempre à disposição;

- Aluno pode montar grade de horário para estudos;

- Aula pode ser repetida quantas vezes for necessário;

- Não é necessário deslocar-se até a faculdade para estudar;

- Custo menor em relação ao curso presencial;

- Possibilidade de acesso às aulas em qualquer lugar, desde que haja acesso a um computador.

Desvantagens

- Pode ser mais difícil para os alunos que precisam da presença do professor para “forçar” o estudo;

- É necessário ter muita disciplina porque o estudo em casa pode levar à dispersão da atenção (tv, geladeira, crianças etc).

Alfabetização online

Com o advento do EAD, a indústria de aplicativos para dispositivos móveis tem investido no setor. É o caso da IES2, que criou o Programa de Alfabetização na Língua Materna (Palma), recurso que oferece uma gama de aplicativos para estimular a aprendizagem.

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EAD_3 - Reprodução

O Palma surgiu como um sistema para uso em smartphones e agora foi ampliado, podendo ser instalado em qualquer dispositivo com o sistema Android.

Segundo a diretora de produto da IES2, Maristela Poli Guanais, a ideia surgiu após pesquisa que detectou que o setor necessita de ferramentas inovadoras para atrair os alunos.

Na avaliação dela, os recursos digitais servem inicialmente como um atrativo para o usuário. Por isso, Maristela acredita que o uso constante destes recursos proporciona facilidade de acesso e retenção do conhecimento e inclusão digital.

Saiba mais sobre o PALMA, acesse: programapalma.com.br

 

 

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