Por Allan Ribeiro Em Jornal Santuário

Movimento une mulheres para inibir assédio sexual

 

“Não somos obrigadas”, expressa categoricamente a jovem Babi Souza, 25 anos, condenando o assédio sexual contra as mulheres e a insegurança nas ruas. O medo de caminhar sozinha inspirou o movimento Vamos Juntas?, que convida mulheres a andarem em grupos nos grandes centros urbanos para afastar atitudes mal-intencionadas. O movimento ganhou inúmeras adeptas, e a página oficial já chega a quase 300 mil seguidoras.

Tudo começou quando a jornalista de Porto Alegre (RS) se sentiu aflita durante o trajeto na volta para a casa, em uma sexta-feira, à noite. Ao desembarcar do ônibus, a jovem observou que, assim como ela, outras mulheres manifestavam a mesma insegurança, mas mantinham esse sentimento de forma isolada, sem nenhuma cooperação.

Foto de: EBC

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O movimento convida mulheres a andarem em grupos para afastar atitudes mal-intencionadas

“O medo da mulher é diferente. A mulher tem medo de que a levem. Tem esse aspecto envolvendo toda essa questão da violência e do assédio sexual. Eu sinto, sempre senti e achava que era um medo só meu. Depois do Vamos Juntas?, eu vi que esse era o medo da maioria das mulheres”, relata.

Buscando envolver as mulheres na causa, ela optou por mobilizar-se nas redes sociais. Em poucas horas a postagem ganhou dimensões inimagináveis que obrigaram Babi a criar uma página na luta contra o assédio. Em duas semanas ela já havia conquistado 100 mil seguidores.

O movimento trabalha o colaborativismo, fazendo com que as mulheres se unam para combater esse problema. Na página elas têm espaço para compartilharem situações que viveram e dessa forma incentivar outras mulheres a denunciarem situações de assédio e violência sexual. Além disso, muitas seguidoras manifestam a gratidão de terem recebido a companhia de desconhecidas ou por terem ajudado outras em situação de vulnerabilidade.

O movimento busca reeducar a sociedade diante desses problemas. Segundo a idealizadora, alguns homens passaram a ter consciência das atitudes. “Já recebi várias mensagens de homens que passaram a ver diferente toda essa história de assédio e passaram a dizer: ‘Não sabia que isso era tão ruim para você’”, conta Babi que acredita que a educação é um dos pilares para combater o assédio.

Para ampliar o alcance, a jornalista elabora a criação de um aplicativo que apresentará locais de trajetos seguros. No início, a jovem optou pelo financiamento coletivo da ferramenta, mas atraiu os olhares de uma empresa privada, que agora investe no desenvolvimento do aplicativo. Com o dinheiro coletado por meio da campanha, ela planeja aplicar na manutenção da ferramenta.

“A página era algo bem inspiracional, divulgando mulheres que tinham colocado a sua sororidade (irmandade) em prática, para inspirar e incentivar outras mulheres. Mas, faltava algo. A necessidade era ajudar as mulheres a percorrerem caminhos seguros de forma mais prática”, conta.

Babi encoraja as mulheres que sofreram ou sofrem qualquer tipo de assédio a acreditar que não merecem passar por isso e, principalmente, a denunciar. “Nada justifica a violência, nada justifica o assédio”, pontua.

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