Por Deniele Simões Em Notícias

À luz da misericórdia, Sínodo propõe acolhimento de casais divorciados

A indissolubilidade do matrimônio, as uniões homoafetivas, a relação entre migração

e família, a valorização da mulher, o fanatismo, o individualismo e a preparação para o casamento foram alguns dos assuntos tratados durante a 14ª Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Família.

Com duração de 22 dias e a participação de 270 padres sinodais, entre bispos e cardeais dos cinco continentes, o Sínodo foi encerrado no dia 25 de outubro e teve como saldo um olhar misericordioso sobre temas considerados polêmicos, como os casais em segunda união.

De volta ao Brasil, o cardeal arcebispo de Aparecida (SP) e um dos delegados-presidentes no Sínodo, dom Raymundo Damasceno Assis, considerou o encontro muito positivo.

Antes do Sínodo, muito se especulou sobre uma mudança que permitisse aos casais em segunda união o acesso aos sacramentos da Confissão e Comunhão. Para dom Damasceno, permitir a mudança seria o mesmo que negar a indissolubilidade do matrimônio.

O fruto mais paupável do Sínodo foi o documento final apresentado pelos padres sinodais, que contou com a aprovação da maioria. O texto oferece orientações importantes sobre as segundas uniões. “Podemos dizer que a porta não está fechada e o tema continua sendo objeto de reflexão, estudo e aprofundamento”, diz o cardeal.

Foto de: Reprodução / News.va

Sínodo - Reprodução News.va

Sínodo reúne 270 padres sinodais, entre bispos e cardeais do mundo inteiro

 

Uma das sugestões é que os batizados divorciados devem ser integrados às comunidades católicas. De acordo com o cardeal Damasceno, é importante que as pessoas nessas condições sejam acolhidas para que possam participar da Igreja em várias frentes.

Ele lembra que a lógica da integração é a chave do acompanhamento desses casais, para que não somente saibam que pertencem à Igreja, mas também para que possam ter uma experiência alegre e frutuosa na comunidade cristã.

Outra recomendação é que a Igreja tenha discernimento em relação a alguns casos de casais cujas circunstâncias da separação estão revestidas de motivos muito específicos. “Há diferenças entre aqueles que, sinceramente, esforçaram-se para salvar o seu primeiro matrimônio, mas foram abandonados por um dos cônjuges”, exemplifica.

Os que contraíram uma segunda união, mas cumpriram seus deveres de cristãos, ou até mesmo, quem tenha se casado de novo, civilmente, pensando na educação dos filhos, também exigem ponderação.

Os casais nessas condições devem fazer um exame de consciência e refletir muito – condição que pode até levar ao arrependimento. Dom Damasceno ressalta que se trata de um processo de acompanhamento muito longo, na verdade, e o discernimento pastoral deverá levar em conta a consciência de cada pessoa, retamente formada.

O arcebispo de Aparecida também deixa claro que Deus é misericordioso e, portanto, as portas do perdão estão abertas a todas as pessoas, mas sem generalização, no que diz respeito às separações.

Vocação matrimonial

Um aspecto de fundamental importância ressaltado durante os trabalhos foi a vocação matrimonial. “O sínodo lembra a importância da preparação dos noivos, que vão abraçar o matrimônio, não como uma exigência jurídica ou por uma questão meramente social, mas como uma vocação”, aponta dom Damasceno.

Ainda de acordo com o prelado, a entrega dos candidatos ao matrimônio deve ser marcada pelo amor pleno, total e indissolúvel, aberto à vida e marcado pela responsabilidade, tanto na vida em sociedade como na Igreja. “Portanto, isso não deve ser improvisado”, alerta.

Entretanto, em muitos casos a realidade é diferente e os noivos preparam-se em cursos rápidos, que não os tornam aptos a assumir uma responsabilidade que é para a vida toda.

Valor consultivo

Embora o relatório final produzido pelos participantes não seja deliberativo, o documento tem valor consultivo e poderá servir como fonte para um possível documento oficial da Igreja. “Cabe ao Papa utilizar esse trabalho para uma eventual exortação apostólica pós-sinodal, válido como Magistério”, aponta dom Damasceno.

Foto de: Deniele Simões / JS

D. Raymundo - Deniele Simões JS

Dom Damasceno atuou como delegado-presidente e considerou trabalho bastante positivo

 

Na avaliação dele, o Sínodo termina com uma sincera reflexão que poderá reforçar a confiança na misericórdia de Deus, que não é negada a ninguém, mas a expectativa é que a análise seja feita caso a caso.

Dom Damasceno elogiou o esquema de elaboração do encontro, que permitiu o aprofundamento das discussões sobre os desafios para a família, já a partir da realização do Sínodo Extraordinário, no ano passado.

O trabalho dos padres sinodais foi dividido em três fases, levando em consideração as contribuições colhidas no Sínodo do ano passado e nas dioceses e outros organismos de Igreja.

A metodologia utilizada no Sínodo pode ser considerada inovadora, segundo dom Damasceno. “Consistiu, sobretudo, em dar mais tempo ao trabalho de grupos”, detalha. Ao todo, foram formados 13 grupos de discussão, separados por idioma.

Na primeira semana de trabalho os padres sinodais tiveram acesso aos principais desafios enfrentados pelas famílias na atualidade. A segunda semana foi dedicada à análise e interpretação dessas questões à luz do Evangelho. A terceira semana foi dedicada à elaboração das sugestões ante os desafios.

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