Por Allan Ribeiro Em Notícias

Adolescentes deixam tudo em busca do sacerdócio

Já nas primeiras horas da manhã, o jovem Gabriel Rosa Bom, 15 anos, está de pé, pronto para uma longa jornada que o espera. Pela manhã, o menino dedica-se aos estudos. À tarde, além dos afazeres diários da casa, ele separa algumas horas para revisar os conteúdos do colégio. Tudo com muita disciplina. Mas, nessa dura rotina, ele pode usufruir de momentos de diversão e lazer, ou até jogar futebol aos finais de semana, como qualquer outro adolescente. A única coisa que o difere dos demais é o fato de ter optado por ser seminarista.

Foto de: Allan Ribeiro / JS

Adolescentes sacerdócio - Allan Ribeiro JS

Da esquerda para direita, na parte superior, os seminaristas: Gabriel Fernando Melo de Souza,
Jefferson Gabriel de Almeida e Heitor Rovetta Pereira. Na parte inferior: Mathias José Pereira,
Carlos Henrique Mota de Pádua e Gabriel Rosa Bom

 

Com outros cinco colegas da mesma faixa etária, Gabriel vive no seminário Santo Afonso, em Aparecida (SP). A pouca idade não foi empecilho para seguir a vocação. Há seis meses, deixou a família e os amigos na cidade de Sorocaba (SP), disposto a viver um período de discernimento. Para ele, uma decisão pessoal, um momento para que fosse possível uma imersão na vontade de Deus.

A casa acolhe aspirantes que estão cursando ensino médio. Diariamente, participam de missas e desenvolvem trabalhos internos, como cuidar da horta. Além disso, eles recebem acompanhamento psicológico e participam de uma oficina de Comunicação e Vida, em que aprendem técnicas de expressão oral e corporal, que serão fundamentais no trabalho missionário.

Aos finais de semana, os seminaristas participam de diversas atividades pastorais e passam por formação, para compreenderem a amplitude da Igreja e os aspectos litúrgicos. No Santuário Nacional, auxiliam outros jovens, que, assim como eles, sentem o chamado para o sacerdócio. Também orientam romeiros na Sala das Confissões e recebem objetos de devoção a Maria na Sala das Promessas.

O seminário é um momento de reflexão para o futuro. Para Gabriel, essa etapa que antecede a ordenação é importante para se descobrir realizado no serviço a Deus. “Entramos com o objetivo de no futuro tornarmos sacerdotes Missionários Redentoristas. Mas pode ser que no meio do caminho vejamos que isso não é a vontade de Deus. No dia a dia, na experiência com Deus, nós vamos discernindo se é isso que Ele quer para a nossa vida”, afirma.

Antes de ingressarem no seminário, os meninos passam por um acompanhamento vocacional. Durante um ano, os adolescentes se correspondem com o secretariado vocacional. Após dois encontros e um retiro, os jovens são chamados a uma convivência, passando uma semana na casa de Aparecida. No local, eles têm uma prévia de como será o dia a dia como seminaristas.

Para lidar com o sentimento de saudade da família e da cidade natal, o seminarista Carlos Henrique Mota de Pádua, 16 anos, conta que se apoia nos colegas da casa, que também passam pelo mesmo desafio. Os jovens visitam os pais no mínimo duas vezes ao ano, durante o período de férias do ano letivo. “No começo, a distância e a saudade eram difíceis. Mas, aqui na comunidade, um dando apoio para o outro, a gente vai conseguindo”, diz o jovem que veio Pouso Alegre (MG).

Para enfrentar os outros desafios diários, o jovem tem como combustível a vivência do carisma da Congregação. Carlos Henrique sente-se motivado ir ao encontro dos que são marginalizados e maltratados pela sociedade, levando-os a misericórdia de Deus.

Ele ainda conta com o apoio de uma pessoa especial, o reitor do seminário, que com um amor fraterno, sempre está disposto a ouvi-lo e a acolhê-lo. E, caso seja preciso, o padre responsável pela casa dá alguns puxões de orelha em Carlos Henrique e nos outros meninos. Mas, o sacerdote faz isso da mesma forma que um pai, ao querer o melhor ao filho.

Apesar do pouco tempo no seminário, os adolescentes percebem uma evolução drástica, tanto na vivência espiritual quanto em aspectos pessoais. A disciplina e a experiência em comunidade garantem uma bagagem mais humana aos futuros padres redentoristas.

Gabriel Fernando Melo de Souza, 16 anos, conta que foi possível aprender a comunicar-se com as pessoas de maneira mais efetiva, e até quem era tímido no grupo começou a desinibir-se. “Aprendemos novos trabalhos e regras. Temos horário para tudo. Também aprendemos um pouco mais sobre a psicologia e fazemos esportes físicos. Chegamos aqui de um jeito e hoje somos uma família unida”, coloca.

Convite a missão

Em um mundo cada vez mais tecnológico e instantâneo, com adolescentes muito mais individualistas, muitos se perguntam o que leva esses jovens a deixarem a vida para trás e saírem em busca do auxílio ao próximo, pregando o Evangelho. Para eles, a resposta é simples: querem seguir Deus com fé e esperança, indo contra a corrente de tudo o que é pregado pelo mundo.

Foi assim que Jefferson Gabriel de Almeida, 16 anos, pôde encontrar-se espiritualmente. Por poder levar conforto aos mais pobres e necessitados, o jovem se apaixonou pelo carisma redentorista. “Hoje em dia, num mundo que prega vaidade, onde todo mundo pensa só em si mesmo, eu me vi encantado com os missionários redentoristas que buscam levar Deus aos mais pobres”. O adolescente diz que é importante se aprofundar na oração e verificar se encontra a felicidade nesse caminho vocacional.

Para ingressar no seminário, o vocacionado deve ter entre 15 e 30 anos e manter contato constante com o Secretariado Vocacional, participando, também, dos encontros vocacionais.

Outras informações sobre o trabalho vocacional redentorista, acesse: a12.com/vocacional

 

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