Por Deniele Simões Em Notícias

“Advento é tempo de espera e conversão”, explicam sacerdotes

Um período de quatro semanas que marca a espera pelo nascimento de Jesus Cristo e que leva todo fiel a um processo de conversão pessoal.

Assim pode ser definido o tempo do Advento, que se iniciou neste domingo (29) e prossegue até as vésperas do Natal.

De acordo com o reitor do Santuário Nacional de Aparecida, padre João Batista de Almeida, o Advento é um tempo de esperança. “É a espera pelo nascimento que vai acontecer”, explica, lembrando que toda a Liturgia aponta para um processo de conversão.

Foto de: Santuário Nacional

Advento - Santuário Nacional

Advento foi aberto ontem (29), com celebração eucarística na Basílica

 

O também sacerdote redentorista, padre Domingos Sávio da Silva, ressalta que a palavra “advento” significa vinda e, no caso dos cristãos, significa a vinda de Jesus Cristo.

Nesse período os cristãos acreditam e procuram viver a alegria de um Deus que vem até as pessoas e encarna-se no meio delas “É o tempo em que nós celebramos a vinda de Deus para o nosso meio, para ser um dos nossos”, resume.

Em Aparecida (SP), muitos romeiros aproveitam a oportunidade para vivenciar o tempo do Advento no Santuário Nacional. Por isso, o mês de dezembro é tradicionalmente um período de grande visitação. “Geralmente, é um mês que tem muita gente, nos três primeiros finais de semana, sobretudo”, explica padre João Batista.

A projeção é que entre 500 e 700 mil pessoas visitem o Santuário durante o tempo do Advento. O reitor alerta, porém, que não é possível fazer uma expectativa precisa, tendo em vista a situação econômica do país.

Programação

No sábado (28), como parte da programação preparatória para o Advento, o Santuário promoveu missas especiais a partir do meio dia. Logo após a missa das 20 horas, o público prestigiou a inauguração do Natal Iluminado, seguindo em procissão para a bênção do presépio, que deve receber intensa visitação durante o período que antecede o Natal.

A programação litúrgica do Advento foi oficialmente neste domingo (29), com a celebração eucarística das 8 horas, marcando também o início de um novo ano litúrgico, o Ano C.

Foto de: Deniele Simões / JS

Pe. João Batista - Deniele Simões JS

Padre João Batista, reitor do Santuário
Nacional, ressalta que liturgia do Advento
aponta para processo de conversão

Padre Domingos ressalta que, sob aspecto litúrgico, alguns detalhes importantes marcam a abertura do Advento, como a mudança da cor nas celebrações. “Os paramentos, normalmente, durante o Tempo Comum, são verdes. No tempo do Advento, passamos a usar os roxos, que dão ideia de conversão”, explica.

Na visão do sacerdote, trata-se de um tempo em que Deus, de modo especial, faz um apelo de conversão, acima de tudo para que as pessoas acolham Cristo em suas vidas.

Outra prática litúrgica que caracteriza o Advento, segundo o missionário, é a Coroa do Advento, em que são acesas velas nas cores branca, vermelha, roxa e verde, a cada domingo, fazendo uma analogia à luz divina.

“No primeiro domingo acende-se a primeira vela, no segundo a segunda e assim por diante, como que mostrando que Deus está em nosso meio e, à medida que avançamos, Ele deve estar crescendo sempre mais em nossas vidas”, justifica.

Leituras e reflexões

Padre João Batista complementa lembrando que o Advento é uma época muito semelhante à Quaresma. “Só que é um tempo um pouco mais curto e brando”, diz.

Isso acontece não só no tocante às cores dos paramentos e à Coroa, mas principalmente no que diz respeito às leituras bíblicas e à liturgia, que conclamam “à conversão e à preparação para a chegada do Messias”.

Padre Domingos lembra que as primeiras leituras do Advento são quase que 100% baseadas no livro do profeta Isaías. “Os profetas eram aqueles que liam por dentro, geralmente, a realidade muito ruim e anunciavam dias melhores, de conversão e Isaías é o profeta da esperança”, ressalta.

De acordo com o sacerdote, as leituras recordam a primeira vinda de Deus, há 2015 anos, quando Cristo encarnou-se entre os humanos, mas também apontam para o renascimento.

Foto de: Eduardo Gois / JS

Pe. Domingos - Eduardo Gois JS

Segundo padre Domingos Sávio, assim como
na Quaresma, época é marcada pela cor roxa
nos paramentos litúrgicos

“Em vista daquilo que Deus sempre sonhou e continua sonhando para nós, com a vinda, o nascimento do seu filho, podemos dizer que precisamos estar sempre como que nascendo”, explica. 

Nesse sentido, o Advento atenta para a segunda vinda de Jesus, que pode ser traduzida no final dos tempos ou, para os fiéis, de um modo geral, com a morte e o encontro definitivo com Deus.

“O Advento lembra isso também: a primeira vinda e a segunda. Mas, principalmente, nos lembra esse período em que nós estamos entre as duas vindas, que é um tempo de nós estarmos, cada vez mais, acolhendo essa luz nessa vida, que Deus nos envia com o nascimento do seu Filho entre nós”, finaliza.

Coroa do Advento remete à luz divina

O roxo é a cor predominante dos paramentos litúrgicos durante o Advento, assim como na Quaresma.

Se no tempo quaresmal a penitência indica o caminho para o renascimento de Cristo, no Advento a palavra é a esperança pela Sua chegada. “Nesse tempo, nós usamos o roxo nesse sentido de conversão”, justifica padre Domingos.

Uma das práticas que marcam o período é a Coroa do Advento, em alusão à luz que representa Jesus. “O povo que estava nas trevas viu uma grande luz e essa grande luz é um menino que nos foi dado, o que, para nós, é exatamente Jesus”, justifica.

O missionário redentorista, padre Evaldo César de Souza, recorda que a origem da Coroa do Advento remete aos povos da Alemanha que, durante a escuridão do inverno faziam a união de luzes ao redor das folhas verdes, na expectativa da primavera, como renovação da natureza.

“A origem desse costume é pagã e os cristãos assimilaram essas tradições, marcando a espera do Natal – nascimento de Jesus, luz do mundo – com a confecção de uma coroa luminosa, nos mesmos moldes das antigas tradições germânicas”, escreve padre Evaldo em artigo veiculado no portal A12.com.

No início do século 20, os católicos adotaram o costume de colocar a Coroa nas suas Igrejas e casas. A prática foi introduzida no Brasil por missionários de origem alemã e também por brasileiros que conheceram a Coroa na Alemanha.

Foto de: Assessoria de Imprensa / Santuário Nacional

Advento - Assessoria Imprensa Santuário Nacional

Cor das velas pode variar, mas roxo é uma das tonalidades predominantes, seguindo os paramentos
litúrgicos

 

A Coroa tem alguns elementos essenciais: deve ser feita de forma circular (como uma guirlanda), com ramos verdes e utilizar-se de velas coloridas.

A cor das velas pode variar. Algumas comunidades usam as vermelhas, que significam amor. No Brasil, o costume é usar velas coloridas, representando o Ano Litúrgico: roxa, verde, vermelha e branca.

Há comunidades que usam as cores dos Domingos do Advento, com três velas roxas e uma rosa. Também existe uma outra variação, em que são utilizadas apenas velas roxas, brancas, amarelas, douradas ou prateadas.

Independentemente da cor utilizada, o mais importante é que, à medida em as velas são acesas, a luz intensifica-se, até chegar à luz plena da grande festa da Luz, que proclama Jesus Cristo como Salvador.

Significado das quatro velas

1ª: Vigilância na espera da vinda do Senhor.

2ª: Conversão do coração e a reconciliação com os irmãos.

3ª: Testemunho de Maria, a Mãe de Salvador.

4ª: O anúncio do nascimento de Jesus, feito a José e Maria.

Recomendações

É preciso manter os elementos essenciais, a forma circular, o verde e as quatro velas. Não é recomendável o uso de folhagem artificial.

A sequência para o acendimento das velas deve seguir a cronologia de um relógio: primeiro acendemos a vela que indicaria “12h” depois, a velas das “3h” em seguida, a vela representativa das “6h” e, por último, a vela das “9h”.

(*) Com informações da diocese de São José dos Campos (SP)

Foto de: Matheus Marcon / Santuário Nacional

Matheus Marcon Santuário Nacional

Abertura da Porta Santa acontecerá no tempo do Advento, com cerimônia em 13 de dezembro, às 8 horas

 

Ano da Misericórdia realça período do Advento

O Santuário Nacional estará em consonância com toda a Igreja Católica e celebrará o Advento com muita esperança.

Segundo padre Domingos Sávio, este ano o período terá uma cor ainda mais bonita, porque abrigará a abertura do Ano Jubilar da Misericórdia.

O Papa Francisco convocou o Ano da Misericórdia para que a Igreja evidencie a missão de ser testemunha da misericórdia. O período vai de 8 de dezembro de 2015 a 20 de novembro de 2016.

Segundo o Pontífice, esse é um caminho que começa com uma conversão espiritual e todo cristão deve fazê-lo. A iniciativa será norteada pelo lema Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso (Lc 6-36).

No Vaticano, Francisco fará a abertura oficial no dia 8 de dezembro. Ele repetirá o gesto no 13, na diocese pela qual é responsável, em São João do Latrão, na Itália.

O dia 13, um domingo, também é a data escolhida para a abertura em todas as igrejas católicas ao redor do mundo e, no Santuário Nacional, não será diferente.

A chamada Porta Santa será às 8 horas, na celebração eucarística das 8 horas, na Basílica. “Vamos fazer o possível para que todos nós, sacerdotes, até naquela hora, interrompamos todos os trabalhos que forem possíveis para estarmos, certamente com dom Damasceno, participando aqui no nosso Santuário”, detalha.

Foto de: Istockphoto

Advento - Istockphoto

Época prepara para chegada do Natal com Cristo

 

Tempo de esperança

Ao falar sobre o Advento, padre Domingos cita também o profeta Sofonias, que anuncia Jesus com muita alegria e esperança. “É como se ele estivesse pedindo que a gente grite de alegria porque Jesus está vindo para o nosso meio”, justifica.

Isso deve suscitar nas pessoas a esperança de que existe um Deus que não se cansa de seu povo, por acreditar nele. Por isso, o sacerdote ressalta que o período aflora a disponibilidade para a conversão.

Com o reforço proporcionado pelo Ano da Misericórdia, a abertura de coração deve tornar-se ainda mais simbólica. “Para nós, esse Advento e o Natal deste ano vão ter essa cor desse apelo mais forte que o Papa está fazendo de nos convertermos à misericórdia. Sermos misericordiosos como o Pai do céu é misericordioso”, conclui.

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