Por Allan Ribeiro Em Notícias

Clero brasileiro apresenta novo perfil, segundo pesquisa

Muitos jovens são convidados a servir a Deus no exercício do sacerdócio. Como padres, podem optar pela vida diocesana ou pela religiosa. O clero brasileiro tem apresentado constantes transformações ao longo dos anos. Um levantamento realizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aponta que nos últimos 45 anos é crescente o número de pessoas que procuram por uma vocação diocesana, enquanto os sacerdotes religiosos apresentaram leve aumento.

 

A evolução no número de presbíteros mostra que os religiosos subiram de 8.052, em 1970, para 8.468 este ano. Já os diocesanos saltaram de 5.040 sacerdotes para 16.143. O presidente da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB e arcebispo de Porto Alegres (RS), dom Jaime Spengler, crê que o aumento no número do clero diocesano passa ser a fruto de um processo histórico e eclesial.

Foto de: Arquivo Pessoal

Luiz Gustavo - Arquivo Pessoal

"Seu padre diocesano é ser um homem de oração, do povo,
formador de comunidade", expressa o seminarista diocesano
Luiz Gustavo Uchoa da Silva

Os presbíteros diocesanos são aqueles que se estabelecem em uma diocese, exercendo funções e cargos determinados pelo bispo. Dentre as atividades está a de cuidar de uma paróquia e de auxiliar nas pastorais daquela localidade. Já os religiosos são chamados para viver, rezar e trabalhar em comunidade. Eles têm como vocação testemunhar de modo radical o Reino de Deus vivendo em comunidade os conselhos propostos pelo Evangelho.

A evangelização do Brasil foi promovida por expressões da vida consagrada, religiosas e religiosos. Muitos dos padres são provenientes das distintas famílias religiosas que cooperaram na obra da evangelização ao longo da história. Com o passar do tempo, aos poucos foram sendo constituídas as diversas Igrejas particulares no país. Estas, por sua vez, foram preparando o próprio clero, contribuindo para o expressivo crescimento em âmbito diocesano. “Hoje, num processo natural, o número dos diocesanos supera o número de padres provenientes das distintas expressões da Vida Consagrada”, explica o arcebispo.

O seminarista da diocese de Lorena (SP), Luiz Gustavo Uchoa da Silva, 24 anos, em breve integrará essa maior parcela de presbíteros do país. Apesar de admirar a vida religiosa, o jovem encontrou-se diante de um testemunho de um padre diocesano. Ao perceber que a figura de Jesus, o Bom Pastor, revelava-se nos cuidados que aquele sacerdote tinha com as crianças, jovens, idosos, pobres, doentes e famílias ele sentiu-se chamado.

“O que me atraiu foi perceber quanto trabalho existia, quantas pessoas necessitadas do carinho de Deus. Uma comunidade paroquial requer verdadeira doação. Saí do meio do povo, quero voltar para o meio deste povo. Nossas comunidades precisam de padres que sejam encarnados na realidade das pessoas”, ressalta.

Além da vida de estudos e de oração, aos fins de semana, o seminarista dedica-se a atividades pastorais nas paróquias da diocese. Ele também trabalha com o Serviço de Animação Vocacional (SAV), visitando as igrejas com o intuito de auxiliar outros jovens no processo de discernimento vocacional. “Ser padre diocesano é ser um homem de oração, do povo, formador de comunidade”, expressa o jovem que será ordenado no próximo ano, após nove anos de seminário.

Sobre o cenário dos religiosos, o ex-presidente da Comissão e arcebispo de Palmas (TO), dom Pedro Brito Guimarães, durante a 53ª Assembleia dos Bispos, atribuiu o pequeno crescimento dos padres religiosos a falta de encantamento dos jovens a realidade das congregações. Ele ressaltou que é complexo gerar interesse nesse público tão tecnológico por instituições tradicionais. “É importante uma vocação. Fazer com que os jovens se encantem por outra razão não é fácil. Por isso o formador precisa ter todas as habilidades e capacidades de fazer essa mudança”, sublinha.

Mas, mesmo diante dessa realidade, alguns jovens optam por servir a Deus tornando-se religiosos. Há oito anos integrando os Salesianos de Dom Bosco (SDB), Ednaldo de Oliveira Santos, tem como missão formar os aspirantes da casa de Pindamonhangaba (SP). O seminarista se sente completo em atender ao chamado de Deus. “Sou muito feliz como salesiano e vejo que essa é a forma que escolhi para viver minha vocação”, relata.

Foto de: Deniele Simões / JS

Ednaldo - Deniele Simões JS

"Sou muito feliz como salesiano e vejo que essa é a forma
que escolhi para viver minha vocação", relata o religioso
Ednaldo de Oliveira Santos

Vindo de uma região sem a presença da instituição, no estado de Alagoas, o religioso se inspirou no bispo da diocese que frequentava, que era de origem salesiana. Durante um encontro da ordem o jovem ficou encantado em conhecer o carisma de dom Bosco de aproximar as pessoas de Deus. “Esse fascínio está até hoje nos meus olhos. Naquela época eu me fascinei nessa facilidade de dom Bosco” relembra. 

Em média, são necessários de 10 a 12 anos para a ordenação sacerdotal no SDB. Os jovens passam os primeiros anos por diversas casas para formação e aprofundamento no carisma pastoral de dom Bosco. Posteriormente, cursam filosofia e teologia, além de desenvolverem trabalhos em obras sociais, escolas, faculdades e casas de formação salesianas.

Novo levantamento

Para afunilar ainda mais os dados e desenvolver frentes de trabalho diante desse cenário a comissão faz um levantamento mais aprofundado sobre o assunto. Ainda este mês a comissão iniciará a tabulação de uma nova pesquisa. O objetivo é traçar indicações para uma leitura consistente da realidade do clero no Brasil. Entre essas realidades estão as possibilidades de destacar a distribuição do clero nas diversas regiões do Brasil, a média de idade, o grau de formação e qualificação acadêmica, as áreas de atuação, os desafios que se apresentam, entre outros aspectos.

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