Por Allan Ribeiro Em Notícias

CNBB se manifesta sobre momento nacional

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu, nesta quinta-feira (14), uma declaração sobre o atual momento nacional. No texto, o episcopado afirma que acompanha atentamente ao processo e espera que o correto procedimento das instâncias competentes ao processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff. O presidente da CNBB e arcebispo de Brasília (DF), dom Sérgio da Rocha, se pronunciou reforçando que a CNBB não adota posição político-partidária, mas reforça aos leigos e leigas os critérios para exercício da política.

Foto de: Allan Ribeiro/JS

Presidência CNBB - Allan Ribeiro - JS

A CNBB afirmou que acompanha atentamente ao processo de impeachment da Presidente da República

Na declaração, a Conferência expressa, retomando as palavras de Papa Francisco, que são os pobres os mártires da corrupção. Os bispos se solidarizam ao sofrimento do povo e pedem para que os acusados sejam julgados pelas instâncias competentes, os culpados punidos e que os danos devidamente reparados.

A CNBB ressalta que a crise atual evidencia a necessidade de uma autêntica e profunda reforma política, que assegure efetiva participação popular, favoreça a autonomia dos Poderes da República, restaure a credibilidade das instituições, assegure a governabilidade e garanta os direitos sociais.

O documento frisa que o bem da nação requer de todos a superação de interesses pessoais, partidários e corporativistas. O texto ainda condena a intolerância política, apresentando que a polarização de posições ideológicas, em clima fortemente emocional, gera a perda de objetividade e pode levar às divisões e violências que ameaçam a paz social. O episcopado coloca que as manifestações populares pacíficas contribuem para o fortalecimento da democracia.

“Acreditamos estar dando uma contribuição através dessa nota para iluminar esse momento e para orientar a participação dos fiéis, leigos e leigas católicos. Nós esperamos com essa nota estar contribuindo para uma participação consciente da própria cidadania, mas, sobretudo, uma participação pacífica das próprias posições dos campos políticos partidários”, comentou o presidente da CNBB sobre a nota.

Confira a íntegra do texto:

DECLARAÇÃO DA CNBB SOBRE O MOMENTO NACIONAL

“Quem pratica a verdade aproxima-se da luz” (Jo 3,21).

Nós, bispos católicos do Brasil, reunidos em Aparecida, na 54ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), frente à profunda crise ética, política, econômica e institucional pela qual passa o país, trazemos, em nossas reflexões, orações e preocupações de pastores, todo o povo brasileiro, pois, “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens e mulheres de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (Gaudium et Spes, 1).

Depois de vinte anos de regime de exceção, o Brasil retomou a experiência de um Estado democrático de direito. Os movimentos populares, organizações estudantis, operárias, camponesas, artísticas, religiosas, dentre outras, tiveram participação determinante nessa conquista. Desde então, o país vive um dos mais longos períodos democráticos da sua história republicana, no qual muitos acontecimentos ajudaram no fortalecimento da democracia brasileira. Entre eles, o movimento “Diretas Já!”, a elaboração da Carta Cidadã, a experiência das primeiras eleições diretas e outras mobilizações pacíficas.

Neste momento, mais uma vez, o Brasil se defronta com uma conjuntura desafiadora. Vêm à tona escândalos de corrupção sem precedentes na história do país. É verdade que escândalos dessa natureza não tiveram início agora; entretanto, o que se revela no quadro atual tem conotações próprias e impacto devastador. São cifras que fogem à compreensão da maioria da população. Empresários, políticos, agentes públicos estão envolvidos num esquema que, além de imoral e criminoso, cobra seu preço.

Quem paga pela corrupção? Certamente são os pobres, “os mártires da corrupção” (Papa Francisco). Como pastores, solidarizamo-nos com os sofrimentos do povo. As suspeitas de corrupção devem continuar sendo rigorosamente apuradas. Os acusados sejam julgados pelas instâncias competentes, respeitado o seu direito de defesa; os culpados, punidos e os danos, devidamente reparados, a fim de que sejam garantidas a transparência, a recuperação da credibilidade das instituições e restabelecida a justiça.

A forma como se realizam as campanhas eleitorais favorece um fisiologismo que contribui fortemente para crises como a que o país está enfrentando neste momento.

Uma das manifestações mais evidentes da crise atual é o processo de impeachment da Presidente da República. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil acompanha atentamente esse processo e espera o correto procedimento das instâncias competentes, respeitado o ordenamento jurídico do Estado democrático de direito.

A crise atual evidencia a necessidade de uma autêntica e profunda reforma política, que assegure efetiva participação popular, favoreça a autonomia dos Poderes da República, restaure a credibilidade das instituições, assegure a governabilidade e garanta os direitos sociais.

De acordo com a Constituição Federal, os três Poderes da República cumpram integralmente suas responsabilidades. O bem da nação requer de todos a superação de interesses pessoais, partidários e corporativistas. A polarização de posições ideológicas, em clima fortemente emocional, gera a perda de objetividade e pode levar a divisões e violências que ameaçam a paz social.

Conclamamos o povo brasileiro a preservar os altos valores da convivência democrática, do respeito ao próximo, da tolerância e do sadio pluralismo, promovendo o debate político com serenidade. Manifestações populares pacíficas contribuem para o fortalecimento da democracia. Os meios de comunicação social têm o importante papel de informar e formar a opinião pública com fidelidade aos fatos e respeito à verdade.

Acreditamos no diálogo, na sabedoria do povo brasileiro e no discernimento das lideranças na busca de caminhos que garantam a superação da atual crise e a preservação da paz em nosso país. “Todos os cristãos, incluindo os Pastores, são chamados a se preocupar com a construção de um mundo melhor” (Papa Francisco).

Pedimos a oração de todos pela nossa Pátria. Do Santuário de Nossa Senhora Aparecida, invocamos a bênção e a proteção de Deus sobre toda a nação brasileira.

Aparecida - SP, 13 de abril de 2016.

 

Dom Sergio da Rocha

Arcebispo de Brasília - Presidente da CNBB

Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ

Arcebispo São Salvador da Bahia - Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília - Secretário-Geral da CNBB

 

 

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