Por Deniele Simões Em Notícias

Com viés ecumênico, obra de Lutero ganha edição histórica

Uma publicação centenária, que aponta Maria como modelo de vida cristã e exemplo do agir de Deus na história.

Pode não parecer, mas Magnificat: O Louvor de Maria foi escrito em 1522, por Martinho Lutero, uma das figuras centrais da Reforma Protestante.

A obra mostra o papel de Maria como intercessora junto a Jesus Cristo e, no mês de setembro, ganha uma versão histórica, fruto de uma parceria entre a Editora Santuário e a Editora Sinodal.

A iniciativa é fruto de conversas entre o cardeal arcebispo de Aparecida, dom Raymundo Damasceno Assis, e a Comissão Bilateral Católico-Luterana, criada para fazer memória aos 500 anos do início da Reforma, em 1517.

“Além disso, também no ano de 2017, o Brasil celebrará os 300 do encontro da imagem de Maria nas águas do rio Paraíba. Foi assim que surgiu a ideia de lançar esta coedição com a participação de católicos e luteranos”, explica o diretor editorial da Editora Santuário, padre Fábio Evaristo Resende Silva.

Com viés ecumênico, a reedição da obra de Lutero marca também as comemorações dos 50 anos do Concílio Vaticano II, que direcionou a Igreja Católica para uma perspectiva mais ecumênica.

Foto de: Allan Ribeiro / JS

Magnificat - Allan Ribeiro JS

Magnificat: O Louvor de Maria é fruto da parceria entre Editora Santuário e Editora Sinodal;
para adquirir acesse a12.com/editorasantuario

 

O pastor presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Nestor P. Friedrich, vê a iniciativa da publicação como um ato de grande significado para o diálogo entre as duas igrejas.

“Esse ato e esse gesto, sem dúvida, são compreendidos à luz do que expressa o documento Do conflito à comunhão”, ressalta. O texto a que o pastor luterano se refere foi objeto de estudo em um seminário em São Leopoldo (RS), em agosto. Além dele, o encontro reuniu bispos da Igreja Católica, pastores e pastoras sinodais da IECLB e assessores.

Ainda de acordo Friedrich, o atual momento é de reconhecimento mútuo de que o Movimento da Reforma contém muitos elementos positivos, que a Teologia da Reforma manteve e resgatou elementos centrais da Teologia cristã, da base da doutrina cristã, comuns entre as duas igrejas.

“Se há ainda pontos distintos e até divergências, não serão eles a impedir que nos unamos como Igrejas em torno do que temos em comum e, assim, darmos testemunho do amor de Deus por seus filhos, suas filhas e toda a sua criação”, opina.

Dom Damasceno comunga com a opinião do colega luterano e acredita que o lançamento do livro é uma oportunidade para enfatizar o ecumenismo. “Desde logo me alegro com o surgimento de um novo clima de diálogo fraterno nas relações ecumênicas entre luteranos e católicos, que proporcionou a possibilidade de apresentar em coedição o riquíssimo comentário de Martinho Lutero ao Canto de Maria”, declara.

O arcebispo de Aparecida assegura que quem ler a obra saberá relevar as marcas que o tempo, inevitavelmente, deixa em qualquer teologia e irá apreciar as intuições perenes. “Queira Deus que a leitura desse comentário sobre o ‘Magnificat’ ajude-nos a nos compreender, cada vez mais, a caminho da reconciliação querida por Deus e sonhada por nós”, completa.

Sobre a obra

Foto de: IECLB

Pr. Nestor - IECLB

Pastor Nestor P. Friedrich enfatiza importância do diálogo
entre as duas igrejas

Magnificat foi escrito por Lutero em 1521. A obra já foi publicada várias vezes e continua sendo uma das mais belas reflexões sobre o conhecido hino bíblico.

Padre Fábio Evaristo conta que Lutero escreveu o livro dirigindo-se ao duque João Frederico da Saxônia, que na ocasião pediu orientação sobre como governar cristãmente. “Nesse sentido, a exposição de Lutero deve ser lida também como escrito de ética política, um tema tão caro ao nosso contexto”, adverte.

A versão lançada pela parceria católico-luterana tem 88 páginas. A capa foi ilustrada com traços do renomado artista plástico Cláudio Pastro.

Para a Editora Santuário, que também é conhecida pela publicação de Glórias de Maria, de Santo Afonso, o lançamento representa uma grande “felicidade”. “Sentimo-nos, de fato, honrados em oferecer essa esplêndida reflexão aos cristãos, não apenas católicos, mas também aos irmãos luteranos e de outras confissões”, conclui padre Fábio Evaristo.

Publicação é lançada no IX Congresso Mariológico

Foto de: Arquidiocese de Aparecida

Dom Damasceno - Arquidiocese Aparecida

Para dom Damasceno, clima fraterno
permitiu apresentar em coedição
riquíssimo comentário de Martinho
Lutero ao Canto de Maria

Magnificat foi lançado oficialmente no evento comemorativo dos 30 anos da Academia Marial do Santuário Nacional de Aparecida, em 11 de setembro. 

A Noite Cultural contou ainda com o lançamento de outros dois livros da Editora Santuário: Maria, Trono de Sabedoria e Senhora Aparecida.

Prestigiado por autoridades civis, eclesiásticas, acadêmicos e devotos de Nossa Senhora, o evento foi marcado pela apresentação da Orquestra PEMSA (Projeto de Educação Musical do Santuário Nacional) e pela abertura de uma exposição de telas marianas.

Organizado pelo missionário redentorista e diretor da Academia Marial, padre Valdivino Guimarães, Maria, Trono de Sabedoria reúne artigos e textos sobre a devoção a Nossa Senhora. Trata-se da primeira publicação lançada pela agremiação.

Senhora Aparecida, da historiadora Teresa Pasin, traz informações baseadas em fontes documentais retratando a história da devoção à Senhora Aparecida.

Saiba como os luteranos estão se preparando para os 500 anos da Reforma Protestante, acesse: bit.ly/js_reforma

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