Por Deniele Simões Em Notícias

Conage: Congresso discute profissionalização de paróquias e dioceses

Oferecer subsídios para a gestão eficaz de paróquias, escolas e comunidades de inspiração católica. Essa foi a tônica que norteou o Conage (Congresso de Gestão Eclesial), realizado entre os dias 23 e 26 de outubro, em Aparecida (SP).

Foto de: Deniele Simões / JS

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Padre José Carlos Pereira aponta três pilares
para sucesso da gestão eclesial: econômica e
patrimonial, pessoal e missão pastoral

O evento, que aconteceu no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, no Santuário Nacional, reuniu 350 participantes, entre leigos e religiosos que atuam direta ou indiretamente no gerenciamento de paróquias, dioceses, casas de formação, escolas e outros centros católicos.

Ao todo foram 16 palestras abordando temas ligados à gestão eclesial, com ênfase no tema geral, Paróquia Visionária: construindo uma gestão empreendedora e profética, e no lema, Esse com certeza produz fruto (Mt 13,23).

Especialistas como Rosana Manzini, irmão Afonso Murad, Luiz Gabriel Tiago, Gisela Savioli, Diego Fernandes, além de professores da Faculdade Dehoniana compartilharam suas experiências nas mais diversas áreas com os participantes.

Temas como administração, recursos humanos, direito civil e canônico, patrimônio, contabilidade, captação de recursos, dízimo, formação pastoral para o clero e agentes, capacitação, planejamento, atendimento ao público, projetos e liderança estiveram em pauta durante o evento.

Na avaliação do padre José Carlos Pereira, que ministrou a palestra Gestão eficaz gera uma paróquia empreendedora, a gestão eclesial é um tema fundamental e profundamente desafiador dentro da Igreja.

Em sua palestra, ministrada na manhã do dia 26, padre José Carlos mostrou que a gestão eficaz está fundamentada em três pilares: econômico e patrimonial; gestão de pessoas e missão pastoral. “Se um deles não estiver devidamente lapidado, vai ter problema, de alguma forma, dentro da paróquia”, adverte.

O palestrante alerta que ainda é grande o número de religiosos e leigos responsáveis pela gestão eclesial que ainda não têm capacitação na área administrativa.

Para o sacerdote, que é doutor em sociologia e mestre em ciências da religião, a partir do momento em que essas pessoas têm a oportunidade de participar de um evento como o Conage, muito se ganha em termos de gestão.

O padre Élcio José Gutervil, da Paróquia Nossa Senhora da Luz, em Irati (PR), na diocese de Ponta Grossa (PR), concorda com o palestrante. “O Conage é um estímulo, um impulso e, tendo uma visão do que acontece no Brasil, a gente pode também aplicar alguns princípios, algumas realidades como exemplo para o crescimento de nossa paróquia”, salienta.

10 anos de história

Foto de: Deniele Simões /JS

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Padre Élcio, da diocese de Ponta
Grossa (PR), participa pela primeira
vez e acredita que contato com novos 
conhecimentos pode ajudar no
crescimento da paróquia que administra

A edição deste ano marca também os 10 anos de existência do Conage, que nasceu com a proposta de profissionalizar a gestão de Igreja, em 2004. “Começamos de forma pequena; éramos 30, 40 pessoas”, explica Fábio Castro, diretor da Promocat e um dos idealizadores do congresso. 

Para Castro, uma gestão pragmática e eficaz influencia diretamente na missão da paróquia ou diocese, que é evangelizar. “Quanto de recurso – incluindo recurso financeiro – não é desperdiçado por uma má gestão, em muitas das nossas igrejas”, questiona, ao discursar na abertura do Conage, na manhã do dia 23.

 

Segundo ele, o desafio da profissionalização, lançado há 10 anos, tem rendido bons frutos, já que a realização de congressos e outros eventos para debater o tema vem se disseminando pelo país. 

“A Paraíba realiza um congresso muito bom; Colatina está fazendo o seu e eu já tenho uma lista nesses últimos anos, com mais de 15 dioceses que promovem esse tipo de atividade”, salienta.

Mesmo assim, Castro acredita que ainda há um grande caminho a ser percorrido porque, das 277 dioceses brasileiras, pelo menos 50 circunscrições eclesiásticas – entre dioceses e prelazias enfrentam problemas financeiros.

Para o empresário, a solução para esse tipo de problema é criar subsídios financeiros e materiais para que essas unidades tenham como suprir suas necessidades, por meio da capacitação.

Santuário Nacional: modelo de gestão empreendedora

O ecônomo do Santuário Nacional, padre Luiz Cláudio Alves de Macedo, fez uma preleção aos convidados na abertura do congresso, não só para dar as boas-vindas, mas para apresentar o case de sucesso do Santuário, na área de gestão eclesial.

“A gestão aqui realizada é, muitas vezes, responsável pela visibilidade que o Santuário possui e também oferece um suporte para o desenvolvimento da pastoral”, ressalta.

Foto de: Deniele Simões / JS

Pe. Luiz Claudio - Foto Deniele Simões JS

Na palestra da abertura, padre Luiz Cláudio mostra
experiência de administração do Santuário Nacional

No Santuário, 2.700 pessoas, entre colaboradores, missionários e voluntários, atuam em função do serviço pastoral. A marca dessa atuação é o trabalho em equipe. “Aqui ninguém faz nada sozinho, mas há um esforço cotidiano de se fazer bem a parte que foi incumbida, de se compreender como parte de um todo”, ressalta.

Outro ponto destacado pelo ecônomo é questão da valorização profissional, sem concessão de privilégios e com foco na valorização de todas as funções. “Todo trabalho digno é necessário e nós não trabalhamos para uma empresa; trabalhamos para Nossa Senhora”, justifica.

Padre Luiz Claudio também falou sobre a responsabilidade social do Santuário, que promove uma série de ações sociais. Entre elas, tratamento de água, recolhimento de lixo e auxílio à Santa Casa de Misericórdia, que acabam beneficiando não só o peregrino como também a própria população.

 

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