Por Deniele Simões Em Notícias

Confira os bastidores da Festa da Padroeira 2014

“Nossa Senhora é um grande exemplo para todos nós; a Novena e Festa da Padroeira procuram caminhar por esse viés, convidando a sermos solidários na dor, assim como ela fora.”

Foi com essas palavras que o prefeito de Igreja do Santuário Nacional, padre Valdivino Guimarães, esclareceu sobre o tema central deste ano, Com a Mãe Aparecida ser solidário na dor.

Foto de: Deniele Simões / JS

Bastidores Festa Padroeira - Foto Deniele Simões JS.jpg

Solidariedade é princípio cristão para reflexão sobre a dor e
todas as injustiças vividas pelo Povo de Deus

Em preparação ao tricentenário do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do rio Paraíba do Sul, a temática da Novena e Festa tem sido baseada nos mistérios do santo Rosário. Após refletir sobre os mistérios gozosos e luminosos, respectivamente em 2012 e 2013, 2014 foi a hora de falar sobre a dor.

E Maria foi peça fundamental na condução do fiel a essa reflexão. “Nossa Senhora é aquela que é solidária com os sofredores; basta a gente rezar e meditar que, a gente vai perceber a grande preocupação com os pequeninos, com aqueles que sofrem e são marginalizados”, salientou padre Valdivino.

Ao aprofundar-se no tema, o religioso ressaltou que, a partir do exemplo de Maria, todos os fiéis foram convidados a ser solidários na dor. A proposta era que o fiel voltasse para casa realizado, após a participação na Novena e da Festa.

“Nosso principal objetivo é que o romeiro saia daqui melhor do que entrou. E que ele, ao vir para o Santuário possa, de fato, encontrar a palavra de Deus, que é o pão eucarístico e também a graça de se encontrar com Nossa Senhora”, refletiu.

Comprometimento da equipe

O entrosamento das equipes que atuaram na preparação da novena e festa foi o segredo do bom andamento da Novena e Festa.

Segundo padre Valdivino, todos os anos, a organização procura reunir o maior número possível de pessoas da comunidade. “Envolver não só nós, missionários redentoristas que trabalhamos no Santuário Nacional, mas colaboradores, voluntários, para que todas as pessoas devotas de Nossa Senhora possam colaborar de alguma forma”, explicou.

Para se ter uma ideia, apenas na equipe de coreografia, o número de voluntários chegou a 500. Todos eles começaram a se preparar com muita antecedência para o bom andamento dos trabalhos.

Foto de: Eduardo Gois / Arquivo JS

Pe. Valdivino Guimarães - Foto Eduardo Gois Arquivo JS.jpg

Padre Valdivino Guimarães: "Nosso principal objetivo é
que o romeiro saia daqui melhor do que entrou. E que
ele, ao vir para o Santuário possa, de fato, encontrar a
palavra de Deus, que é o pão eucarístico e também a
graça de se encontrar com Nossa Senhora"

O prefeito de Igreja ressaltou que os preparativos começam logo após o término e a avaliação da edição anterior. “E, nesse sentido, começa também a trabalhar a equipe de coreografia, já entre os meses de maio e junho”, revelou. 

Na edição deste ano, as coreografias começaram a ser escritas em julho e, no mês de agosto, teve início a preparação do figurino e de tudo aquilo que é necessário para as coreografias, como os carros, o trono de Nossa Senhora e outros detalhes.

Já o mês de setembro foi especialmente dedicado aos ensaios, que aconteceram de segunda a sexta-feira, sempre das 19 às 22 horas, até a véspera do início da Novena.

De acordo com o religioso, a equipe de coreografia é uma das que iniciam mais cedo os preparativos para a Novena e Festa, trabalhando incansavelmente. “Quando começam os ensaios, a gente não tem trégua; é uma grande responsabilidade para que tudo possa acontecer da melhor forma possível, de acordo com a temática de cada ano”, pontuou.

Padre Valdivino ressaltou que uma coreografia bem elaborada ajuda os fiéis a entender melhor a temática da Festa e os subtemas de cada dia da novena, assim como os textos do Evangelho.

Novos horários de missa

A programação deste ano ganhou duas novas missas: às 16 horas e às 19 horas. De acordo com padre Valdivino, o objetivo da mudança era beneficiar os fiéis, principalmente aqueles que moram na região do Vale do Paraíba.

“A gente percebeu que, os romeiros trabalhavam o dia todo, chegavam no Santuário e não tinham nenhum horário de celebração. Nós quisemos acrescentar esses dois horários para fazer com que o romeiro, ao vir na parte da tarde, tenha pelo menos, três horários de celebração”, explicou o prefeito de Igreja.

Padre Valdivino ressaltou que a missa das 19 horas, que encerrou toda a programação, foi preparada com a intenção de proporcionar aos colaboradores do Santuário Nacional, Rede Aparecida de Comunicação, Editora Santuário, voluntários e comerciantes que trabalham o dia todo uma oportunidade para celebrar a Padroeira do Brasil.

Foto de: Deniele Simões / JS

Sílvio Lino dos Santos - Foto Deniele Simões JS

Silvio Lino dos Santos diz que Nossa Senhora sensibiliza o
trabalho dos músicos, proporcionando entendimento sobre
a melhor forma de trabalhar as músicas para tocar o povo
de Deus

“Nós queremos chamar esse momento de celebração de ação de graças. Estamos no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, na cidade de Nossa Senhora e todos nós temos o dever de participar de pelo menos um horário de missa para olhar para Nossa Senhora e agradecer por mais uma novena, por mais um ano, por mais uma festa”, justificou.

Para o religioso, a data foi também um momento de gratidão, de olhar para Nossa Senhora e agradecer a ela por tantas graças alcançadas ao longo do ano.

“Nós não poderemos correr o risco de cair na ingratidão, de passar o dia 12 e não passar, sequer, aos pés de Nossa Senhora para fazer o nosso agradecimento”, ressaltou. O missionário redentorista reforçou que os novos horários de missa tiveram o sentido de estimular a reunião dos fiéis, para celebrar, em agradecimento a Deus e a Nossa Senhora, mais uma Novena e Festa da Padroeira.

Músicos iniciam preparativos em janeiro

Assim como as equipes de coreografia, liturgia e acolhida, a equipe de música do Santuário Nacional inicia os preparativos para a Novena e Festa com muita antecedência.

“A Novena e a Festa da Padroeira começam para nós no mês de janeiro, quando recebemos o tema central e os temas subsidiários de cada dia”, explicou o músico-coordenador do Santuário, Silvio Lino dos Santos.

Silvio integra a equipe que preparou as 10 músicas do CD da Novena e Festa e é autor do hino oficial há quatro anos consecutivos.

De acordo com o músico, o processo de criação do CD tem a participação de toda equipe. “Praticamente todas as músicas apresentadas entram no CD e uma delas é escolhida como hino oficial”, salientou, lembrando que a escolha é feita a partir de um concurso interno.

Foto de: Deniele Simões / JS

Bastidores Músicos 2 - Foto Deniele Simões JS

Cerca de 150 músicos atuam diretamente na Novena e Festa
da Padroeira

Silvio ressaltou que todas as músicas apresentadas são criadas em consonância com o tema da Novena e Festa e, no caso dele, o processo de criação flui rapidamente. 

“Quando recebo o tema, em questão de minutos a música já fica pronta, porque faço a melodia e depois a letra”. Ele atribui a facilidade para compor à providência divina. “É um dom que Ele concede, pois sei tocar, cantar e compor”, acrescentou.

Ensaios

Cerca de 150 músicos estavam envolvidos na Novena e Festa da Padroeira, entre funcionários do Santuário, da orquestra Pemsa e voluntários do Coral.

Para que tudo transcorresse da melhor maneira possível, a equipe reunia-se para ensaiar todas as sextas-feiras, durante os meses de agosto e setembro.

Além do ensaio geral, os cantores do Santuário, orquestra e coral faziam ensaios separados, nos outros dias da semana.

Silvio afirmou que a alegria de poder trabalhar na Novena e Festa é “indescritível” e o contato com os romeiros é fundamental para despertar a sensibilidade necessárias para compor e tocar.

“Nossa Senhora nos faz muito sensíveis a entender como se deve trabalhar as músicas para que o povo também possa cantar e participar”, ressaltou.

Há 24 anos atuando no Santuário, durante a Novena e Festa, Silvio sente que o hino oficial, as outras músicas que integram o CD e momentos como a entrada de flores e dos alimentos soam como que um anúncio ou convocação para que todos os participantes meditem a proposta trazida pelos temas e subtemas de cada dia.

Foto de: Arquivo Pessoal

Seu José - Foto Arquivo Pessoal

Seu José (à esquerda): 14 anos
de peregrinação a pé para louvar
e agradecer Nossa Senhora
Aparecida

Ao refletir o tema deste ano, Com a Mãe Aparecida ser solidários na dor, o músico citou o exemplo de Nossa Senhora na passagem bíblica das Bodas de Caná. “Ela foi solidária aos noivos das bodas e Jesus transforma água em vinho. Isso foi solidariedade, porque faltava o principal, o vinho. E assim ela nos ensina e nos convoca a ser solidários na dor”, explicou.

O cantor acredita que o povo brasileiro sofre muito e tanto a música como o tema da Novena e Festa acabaram convocando o povo de Deus à solidariedade, a fim de que todos pudessem ajudar-se mutuamente.

Peregrinos fazem “maratona” para participar da Festa

Quarenta e dois quilômetros. Essa é a extensão percorrida pelos atletas que participam das provas de maratona. É essa também a distância que o comerciante José Gonçalves Ferreira, de 54 anos, anda para chegar até o Santuário Nacional, todo dia 12 de outubro, a pé.

Desde o ano 2.000, Ferreira sai da cidade de Taubaté na noite do dia 11 de outubro e, às margens da rodovia Presidente Dutra, caminha até o Santuário, para participar da Festa da Padroeira.

Em meio à escuridão e aos perigos que uma rodovia movimentada oferece, o comerciante é perseverante e se escora na fé em Deus e na Mãe Aparecida para proteger-se.

“O problema maior é a segurança, porque, em qualquer lugar da estrada, indivíduos podem nos abordar e nos assustar, mas, como temos Nossa Senhora na frente, não há muita preocupação com isso”, explicou.

Anualmente, seu José cumpre essa “maratona” acompanhado de amigos que nutrem a mesma devoção por Nossa Senhora. “Já vai para a 14ª vez que eu estou indo e vou completar agora, no dia 11 para o dia 12, 14 anos, se Deus quiser e Nossa Senhora me ajudar”, animou-se.

O motivo de tanta dedicação é a gratidão à Mãe Aparecida. “Nossa Senhora sempre está presente e, por conta de algumas dificuldades, a gente pede a ela. É por isso que venho sempre agradecer”, justificou.

O grupo costuma sair de Taubaté por volta das 22 horas e reúne-se em um ponto de encontro antes da saída. Além de José, participam outros moradores de cidades vizinhas, como Redenção da Serra, São Luiz do Paraitinga, Caçapava e Taubaté, reunindo em torno de 30 pessoas.

Geralmente os peregrinos chegam a tempo de assistir à primeira missa do dia para celebrarem juntos o dia da Padroeira. O funileiro Claudio Alberto Moreira Assaf, também de Taubaté, acompanha seu José há pelo menos sete anos.

Foto de: Arquivo Pessoal

Grupo de Taubaté - Foto Arquivo Pessoal

Grupo de Taubaté (SP) e região que, anualmente, caminha mais de
40 quilômetros para participar da Festa da Padroeira, no Santuário
Nacional

Ele revelou a dificuldade de conter as lágrimas na chegada. “Como estou no meio de um grupo, tomo um pouco de distância da frente do pessoal porque, quando vejo a Igreja, emociono-me”. 

Para Claudio, o maior desafio ao longo do trajeto é o medo. Ele chegou a ser assaltado e ficou dois anos sem participar da caminhada. Ele acabou retornando e não pretende mais parar. “Até quando aguentar continuarei vindo.”

Ao longo dos últimos anos, o peregrino ganhou muitas bolhas no pé e desgastou-se fisicamente para cumprir o trajeto. Ele vem em agradecimento a Maria pela intercessão a muitas graças alcançadas, principalmente relacionadas a curas de doenças de familiares. “Tenho a convicção que vale a pena vir, porque Maria é tudo para mim, porque é mãe de Deus e nossa”, finalizou.

 

 

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