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Encontro com Papa fortalece movimentos sociais

“A perspectiva de um mundo da paz e da justiça duradouras nos exige superar o assistencialismo paternalista, criar novas formas de participação que incluam os movimentos populares e anime as estruturas de governo locais, nacionais e internacionais com essa torrente de energia moral que surge da incorporação dos excluídos na construção do destino comum.”

Foto de: L'Osservatore Romano

Papa Movimentos Sociais - L'Osservatore Romano

Papa Francisco e representantes de movimentos sociais de vários
países durante encontro em Roma

Essa foi a conclusão do Papa Francisco durante o Encontro Mundial dos Movimentos Populares, realizado no final de outubro, no Vaticano. A audiência com lideranças de movimentos populares reuniu mais de 100 leigos, líderes de grupos sociais, 30 bispos engajados na temática em seus países, cerca de 50 agentes pastorais e membros da Cúria Romana.

O encontro foi organizado e promovido pelo Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, em colaboração com a Pontifícia Academia das Ciências Sociais. Entre os representantes brasileiros, um dos destaques foi o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Steiner.

O direito à terra, à moradia e ao trabalho dignos foi o foco central do discurso do Papa aos participantes. “Esse encontro responde a um anseio muito concreto, algo que qualquer pai, qualquer mãe quer para os seus filhos; um anseio que deveria estar ao alcance de todos, mas que hoje vemos com tristeza cada vez mais longe da maioria: terra, teto e trabalho. É estranho, mas, se eu falo disso para alguns, significa que o Papa é comunista”, afirmou. Ele lembrou que se tratam de direitos sagrados que estão inseridos na “Doutrina Social da Igreja”.

Ao falar sobre o problema da fome no mundo, Francisco lamentou a especulação financeira, que condiciona o preço dos alimentos, assim como o desperdício de comida. “Sei que alguns de vocês reivindicam uma reforma agrária para solucionar alguns desses problemas, e deixem-me dizer-lhes que, em certos países, e aqui cito o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, a reforma agrária é, além de uma necessidade política, uma obrigação moral", salientou.

Participação popular

Durante o encontro, Francisco destacou a participação popular dos pobres que cansaram de esperar “de braços cruzados” a ajuda de ONGs, planos assistenciais ou soluções que dificilmente chegam e, quando chegam, buscam anestesiar ou domesticar essas pessoas.

Para Francisco, os representantes desses movimentos não devem contentar-se com promessas ilusórias, desculpas ou pretextos daqueles que poderiam acatar suas reivindicações, mas nada fazem.

O Pontífice reafirmou também a importância de toda família ter uma casa, recriminando a maneira como as cidades se preocupam cada vez menos com as periferias. Ele ainda destacou a importância da defesa da cultura da paz e da ecologia.

Papa Francisco concluiu a reunião lembrando que os movimentos populares expressam a necessidade urgente de revitalizar as nossas democracias, tantas vezes sequestradas por inúmeros fatores. “É impossível imaginar um futuro para a sociedade sem a participação protagônica das grandes maiorias, e esse protagonismo excede os procedimentos lógicos da democracia formal”, diz.

Ele encerrou o discurso às lideranças lembrando a necessidade de mudança do sistema que valoriza mais o dinheiro do que a própria humanidade. “Temos de mudá-lo, temos de voltar a levar a dignidade humana para o centro, e que, sobre esse pilar, se construam as estruturas sociais alternativas de que precisamos”, concluiu.

 

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