Por Redação A12 Em Notícias Atualizada em 26 SET 2019 - 09H01

Saiba fatos importantes sobre pontificado de Paulo VI


Reprodução.

O pontificado de Paulo VI foi marcado por profundas transformações na Igreja e na sociedade. Abaixo destacamos pontos importantes, como por exemplo:

* A superação da mentalidade de que fora da Igreja não há salvação;

* A interpretação sobre o que se entende por evangelização destaca a compreensão para uma perspectiva ecumênica e de diálogo inter-religioso;

* A abertura de espaço para diversas experiências pastorais em nível mundial e, particularmente, na América Latina, com o desenvolvimento da Teologia da Libertação e das Comunidades Eclesiais de Base.

Vaticano II


O Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965, foi convocado por João XXIII. Com a morte do Papa, gerou-se dúvida sobre a continuidade do Concílio. Eleito em 1963, Paulo VI retomou o processo e gerou a percepção de que o próprio Concílio não seria suficiente para refletir sobre todos os problemas e desafios da Igreja. Paulo VI não só foi importante e fundamental para o encerramento do Concílio, mas deu continuidade aos temas quando propôs a realização dos Sínodos Episcopais, cujo objetivo era retomar certos temas que demandariam um maior aprofundamento e sistematização.

Outro aspecto importante é a implicação prática das decisões conciliares. O pontificado de Paulo VI teve inúmeras iniciativas teológicas e pastorais, que geraram profundos questionamentos à própria Igreja. Caso fosse um Papa com mentalidade adversa ao Concílio, essas iniciativas teriam sido barradas e proibidas.

Foto de: CDM / Santuário Nacional
Rosa de Ouro - Foto CDM Santuário Nacional
Paulo VI presenteou o Santuário Nacional de Aparecida com uma Rosa de Ouro, 
em agosto de 1967, por ocasião do Jubileu de 250 anos no encontro da Imagem nas águas do Rio Paraíba

Quem foi Paulo VI?


Paulo VI foi o 262º Papa da história. Ele governou a Igreja Católica durante cerca de 15 anos, entre 1963 e 1978. Nascido em 26 de setembro de 1897, Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini era natural da cidade de Concesio, na Itália. 

Desde cedo, mantinha uma ligação com a Igreja. Entrou para o seminário em 1916, aos 19 anos. Foi ordenado padre em 1920. Depois estudou na Universidade Gregoriana, na Universidade de Roma e na Pontifícia Academia Eclesiástica

Homem de grande talento, Montini ocupou cargos importantes na Cúria Romana e desenvolveu funções de confiança dos Papas Pio XI e Pio XII. Este último o nomeou Arcebispo de Milão

No conclave de 1958, mesmo sem ser ainda cardeal, Giovanni Montini recebeu vários votos. O sucessor de Pio XII acabou sendo João XXIII, que o nomeou cardeal. No dia 21 de junho de 1963, Giovanni Montini foi eleito Papa. 

Devoto de Maria, publicou três encíclicas marianas e expressou seu carinho pela Virgem Maria sob o título de Nossa Senhora Aparecida em 1967, quando enviou uma rosa de ouro para a Basílica de Aparecida. O presente foi dado em função do jubileu de 250 anos do encontro da Imagem nas águas do Rio Paraíba

Paulo VI também promoveu importantes diálogos com o mundo. Foi o primeiro Papa a viajar de avião e também o primeiro a visitar os cinco continentes. Foi o primeiro Papa a conversar com o líder da Igreja Anglicana e o primeiro, depois de muitos séculos, a conversar com dirigentes das diversas Igrejas Ortodoxas do Oriente. Em 1970, sofreu um atentado nas Filipinas. 

Paulo VI publicou 12 exortações apostólicas e sete encíclicas. Entre as mais conhecidas estão Evangelii Nuntiandi, sobre a evangelização, e Humanae Vitae, sobre o controle da natalidade, que se tornou de referência para a Igreja Católica nas questões sobre aborto, esterilização e métodos contraceptivos.

Morreu no dia 6 de agosto de 1978 e foi sucedido por João Paulo I. O processo de beatificação de Paulo VI começou em 1993. 

O que os Papas falam sobre Paulo VI 

Durante o seu discurso, na missa solene de beatificação de Paulo VI, o Papa Francisco citou uma frase do beato, pronunciada poucas semanas antes de sua morte:

O amor pelas missões é amor pela Igreja, é amor por Cristo! Nenhum cristão pode se fechar em si mesmo, mas se deve abrir às necessidades espirituais daqueles que ainda não conhecem Cristo, e são centenas de milhões!”
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Francisco afirmou que Paulo VI deu um forte impulso à consciência missionária da Igreja, citando o decreto conciliar Ad gentes, sobre as missões; o motu proprio Ecclesiae sanctae, com normas para a aplicação de alguns Decretos do Concílio; a mensagem Africae terrarum, em defesa da identidade africana e seus valores tradicionais, e a exortação apostólica Evangelii nuntiandi, sobre o compromisso de anunciar o Evangelho aos homens de nosso tempo.

Em 2008, por ocasião do 30º aniversário de morte de Paulo VI, o então Papa Bento XVI afirmou que Giovanni Montini era um homem sincero e profundamente apaixonado pela Igreja, que a guiou num período histórico difícil, mas também de grande renovação interior.

ShutterStock
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Bento XVI também se declarou impressionado pelo ardor missionário que animou o Papa Montini. Segundo Ratzinger, esse ardor o levou a empreender viagens apostólicas, mesmo em nações longínquas, e a realizar gestos de grande valor eclesial, missionário e ecumênico. “Com o passar dos anos torna-se cada vez mais evidente a importância do seu pontificado, para Igreja e para o mundo, assim como para a inestimável herança de magistério e de virtude que ele deixou aos crentes e à humanidade inteira”, afirmou Bento XVI.

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Ao instituir os Mistérios Luminosos na oração do Santo Rosário, em 2002, o Papa João Paulo II fez questão de citar o pensamento do mariano Paulo VI:

Sem contemplação, o Rosário é um corpo sem alma e sua oração corre o perigo de converter-se em mecânica repetição de fórmulas e de contradizer a advertência de Jesus.

João Paulo II voltou a citar o antecessor na Carta aos Artistas, ressaltando o carisma de diálogo de Paulo VI:

“Compreende-se, assim, porque a Igreja está especialmente interessada no diálogo com a arte e quer que se realize na nossa época uma nova aliança com os artistas, como o dizia o meu venerando predecessor Paulo VI no seu discurso veemente aos artistas, durante um encontro especial na Capela Sistina, a 7 de Maio de 1964. A Igreja espera dessa colaboração uma renovada ‘epifania’ de beleza para o nosso tempo e respostas adequadas às exigências próprias da comunidade cristã”.

L'osservatore Romano
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Num discurso às missões especiais, em setembro de 1978, o Papa João Paulo I, também ressaltou o caráter missionário do pontificado de Paulo VI. O que nos alegra é, aos nossos olhos, o atrativo permanente e fascinador que o Evangelho e as coisas de Deus conservam no universo em que vivemos: esse atrativo manifesta a estima e a confiança que os povos quase todos mantêm para com a Igreja e a Santa Sé. Deve acrescentar-se que a ação dos últimos Papas, em especial do nosso venerado Predecessor Paulo VI, contribuiu muito para tal irradiação internacional, afirmou. 

Gestos de Paulo VI


Tirou a tiara papal para mostrar ao mundo que a autoridade do Papa não está vinculada a um poder temporal e humano. Ele queria que fosse vendida, e a receita, dada aos pobres. A tiara foi para um museu, e o valor arrecadado foi doado a Madre Tereza de Calcutá, durante uma viagem apostólica à Índia; 

Aboliu o tribunal pontifício, reformou a Cúria e prosseguiu o diálogo com os ortodoxos, inaugurado pelo Papa João XXIII;

Dizia ser um Papa indeciso. Na verdade, sua vontade era de aprofundar. Queria ouvir as diferentes vozes, aprofundar os argumentos dos outros e, então, decidir;

Percebeu que a maioria das pessoas no mundo não eram católicas, por isso a atitude da Igreja deveria ser de um diálogo respeitoso e de anúncio do amor;

Rico em espiritualidade, aguçado nas análises, genial em encontrar soluções, sensível às expectativas do povo da época.

 

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