Por Deniele Simões Em Notícias

Espírito natalino fortalece ações sociais

“Laço ou ligação mútua entre duas ou muitas coisas dependentes umas das outras.” Esse é um dos significados que os dicionários de língua portuguesa conferem à palavra solidariedade.

Muito mais do que definições formais, a solidariedade está intimamente ligada aos Evangelhos e ao exemplo que Jesus Cristo nos deixou. Para o missionário redentorista e reitor do Santuário Nacional, padre Domingos Sávio da Silva, o termo é sinônimo de “verdadeiro amor”.

Foto de: CAS Perpétuo Socorro

Espírito natalino_2 - CAS Perpétuo Socorro

Famílias assistidas com cestas de Natal em São
João da Boa Vista

“Podemos entender na palavra de Jesus, quando Ele diz que tudo o que se fizer aos irmãos é feito a Ele; e, como disse São Paulo, amando-nos, Jesus está amando a si mesmo, de tal modo que é solidário e compassivo conosco”, explica.

A assistente social dos projetos sociais da Congregação do Santíssimo Redentor, Maria Helena de Abreu Souza, ressalta que a solidariedade acontece quando a pessoa reconhece no outro um semelhante, um irmão, independentemente de raça, cor, credo religioso ou posição social.

“É quando entendemos que a dignidade deve ser inerente a todo ser humano”, diz. Mas, se a solidariedade for resumida ao provimento de necessidades materiais e ao simples gesto de doar algo, ela encara como prática solidária entre aspas, por não haver a preocupação de romper com o ciclo de sujeição.

Para o reitor do Santuário, o clima natalino acaba atraindo as pessoas nesse sentido. “Mesmo que a gente não queira, somos como que contagiados por uma experiência de solidariedade”, acrescenta.

Padre Domingos atribui a esse comportamento o fato de as pessoas estarem mais abertas em função do tempo do Advento, que prepara para o Natal para que as pessoas possam ouvir a palavra de Deus com mais atenção.

De acordo com o sacerdote, a liturgia prepara uma seleção de palavras de Deus específica para o tempo do Advento, que tocam mais fundo no coração dos fiéis.

A assistente social concorda que as pessoas ficam mais solidárias no Natal. “Nossos corações se enchem de sentimentos positivos, como a partilha, a gratidão, a amizade, a solidariedade. Pensando assim, como eu gostaria que fosse sempre Natal”, diz Maria Helena.

Foto de: Grupo Anjos da Rua

Espírito natalino_3 - Grupo Anjos da Rua

Colaboradores da Editora Santuário durante evento
natalino

Ela também atribui o fato a uma forte relação com o sentido religioso do Natal e o período de festas cristãs. Segundo Maria Helena, esse senso é evidenciado através da decoração das casas, árvores natalinas, presépios, luzes coloridas e da troca de presentes. “Isso nos leva a fazer uma revisão da vida, agradecer por tudo que conquistamos, nos remete à esperança de um mundo melhor e desperta a vontade de ‘ajudar’”, acrescenta. 

Especialmente no período natalino, a solidariedade impulsiona milhões de pessoas a praticarem ações em favor do próximo, por meio de campanhas de doação e arrecadação de brinquedos, gêneros alimentícios, roupas e até livros.

 

 

Domingos Sávio ressalta que o espírito natalino tem uma relação direta com a solidariedade, mas o ideal seria que todos prolongassem esse clima ao longo de todo o ano. “Quem sabe até mesmo por essa dificuldade de nos deixarmos imbuir da solidariedade que Jesus veio viver, o Natal é uma necessidade, uma exigência, não só do dia 25, para nós, mas do ano inteiro, da vida inteira”, orienta. 

Crianças refugiadas recebem doações

No campo da assistência social, o período natalino também fortalece as ações sociais promovidas por pessoas físicas, empresas e entidades do terceiro setor.

A cantora teen, Ingrid Soto, de 12 anos, realiza campanhas de ação social durante todo o ano para arrecadação de materiais para as pessoas menos favorecidas. Para Ingrid, a intenção de colaborar é sempre grande, mas ela percebe que quem colabora acaba envolvendo-se mais no final de ano, quando realiza uma campanha de Natal.

“Nessa época do ano as pessoas procuram ajudar alguém, ficam mais sensibilizadas com a chegada do Natal, com a comemoração do nascimento de Jesus. Mas desejo muito que as pessoas tenham este espírito natalino durante todo o ano, pois Jesus nos ensinou a ser solidários em qualquer ocasião, esteja onde estiver”, reflete.

Neste ano, a jovem está auxiliando crianças refugiadas de 17 países, com a arrecadação de livros e brinquedos. A ideia surgiu no ano passado, quando ela escreveu para a Organização das Nações Unidas (ONU).

“Contatei o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Ancur) e expliquei que iria fazer uma campanha de brinquedos em prol das crianças refugiadas”, conta.

Foto de: Arquivo Pessoal

Ingrid e Anabell - Arquivo Pessoal

Ingrid Soto (à direita) com a irmã Anabell mostra
brinquedos arrecadados para crianças refugiadas
acolhidas no Brasil. Cantora teen, de 12 anos,
percebeu que para ajudar não precisaria ir muito
longe

Ingrid foi direcionada à Cáritas – organismo da Igreja Católica que acolhe refugiados em São Paulo (SP) – e à I Know My Rights (IKMR) para fazer as doações, que atendem famílias estrangeiras oriundas de países em conflito. “Achei magnífico, pois percebi que, para ajudar as crianças refugiadas, não precisaria ir tão longe e está ao meu alcance fazer algo por minha geração”, acrescenta.

A jovem montou um ponto de arrecadação na escola onde estuda, em São Bernardo do Campo, e no Centro de Acolhida de Refugiados da Cáritas, no Rio de Janeiro (RJ). Todo material é doado para os centros de acolhida da Cáritas no Rio e em São Paulo e a IKMR.

O perfil das pessoas que doam é variado, mas as crianças que mais participam pertencem à faixa etária de 7 a 10 anos. “São as que mais ajudam; elas envolvem-se e têm muita sensibilidade pelo próximo”, justifica. Jovens e adultos também participam com doações.

“Percebo que as pessoas que fazem doações têm muita fé e também querem transformar o mundo em um lugar melhor”, ressalta a jovem, que pede as doações pessoalmente, tanto para pessoas físicas como para empresas.

Para a garota, participar de ações como essa é muito gratificante. “É o encerramento de várias e pequenas ações realizadas durante todo um ano, principalmente sabendo que na noite de Natal estarei levando um pouco do carinho de cada pessoa que ajudou na campanha em prol de diversas famílias de distintas religiões, culturas e raças”, afirma.

Projetos Sociais Redentoristas vivenciam Natal o ano todo

“Dando testemunho de uma nova maneira de viver que combina com o projeto do Reino que Jesus veio nos trazer no Natal.” É assim que as equipes de trabalho dos oito Centros de Assistência Social (CAS) mantidos pela Congregação do Santíssimo Redentor – Província de São Paulo vivenciam o Natal junto aos assistidos.

Segundo a assistente social do Grupo Diretivo de Assistência Social da Congregação, Márcia Castro, todos comprometem-se a ter um coração semelhante ao de Jesus, exercitando o dom que Deus ofereceu, sendo instrumento de salvação para o outro.

Foto de: CAS Santíssimo Redentor

Espírito natalino|_4 - CAS Santíssimo Redentor

Mães fazem artesanato com temática natalina
em Aparecida (SP)

Ao longo do mês de dezembro, os CASs realizaram festas de encerramento e confraternização reunindo as famílias, crianças, adolescentes, jovens e idosos assistidos, juntamente com as equipes de trabalho. 

“Nessas festividades acontecem apresentações de temas trabalhados no decorrer do ano ou relativas ao Natal, valorizando os talentos dos participantes através da música, da dança, do teatro e jogral”, explica a assistente social da do Grupo Diretivo da Congregação, Helenice Brandão.

Durante esses encontros também acontece o encerramento das oficinas de artesanato, inclusão digital, culinária, manicure, entre outros cursos, com a entrega de certificados e exposição dos trabalhos realizados.

“É também o momento de avaliar, refletir, corrigir erros, comemorar acertos e planejar os próximos 12 meses, mas, sobretudo, de agradecer a Deus pelas boas colheitas do ano”, completa a psicóloga.

Independentemente da realização desses encontros, as equipes desses centros procuram vivenciar o Natal nos 365 dias do ano e não apenas no mês de dezembro, colocando-se a serviço do outro, principalmente dos mais necessitados.

“Buscamos, através dos trabalhos desenvolvidos, ser também uma obra missionária, ser uma Boa-nova na vida daqueles que nos procuram, fazendo uma escuta silenciosa, quando precisam desabafar, trocando uma palavra de esclarecimento, de orientação, que muitas vezes abre um caminho de possibilidades para mudança de vida, acolhendo com respeito e dignidade a todos, em todos os dias do ano”, reflete Márcia Castro.

Em São João da Boa Vista, comunidade participa junto

Em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, a Congregação mantém o CAS Perpétuo Socorro, que presta vários serviços à comunidade. A campanha Natal Solidário dos projetos sociais envolveu toda a comunidade da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Foto de: CAS Pedro Donders

Espírito natalino_5 - CAS Pedro Donders

Mães fazem artesanato com temática natalina em
Miracatu (SP)

Segundo a coordenadora do CAS, a assistente social Daiana Roberta Pereira Tangerino, foi feita uma campanha para apresentar o trabalho do CAS nas missas da paróquia. O objetivo foi conseguir “padrinhos” para a aquisição de cestas de Natal para doação às famílias atendidas. “Foi um sucesso e conseguimos 120 padrinhos, mostrando assim o espírito natalino dos cristãos”, explica.

A festa de Natal aconteceu no dia 13 de dezembro e teve a participação de aproximadamente 350 pessoas. O trabalho promovido pelo CAS e as doações da comunidade permitiram, além das cestas natalinas, a elaboração do evento com música ao vivo, brinquedos para as crianças, lanche especial, apresentação de dança e coral dos usuários do Projeto Semear.

O espaço atende 175 pessoas diariamente, através de vários projetos que incluem famílias em situação de vulnerabilidade social, crianças, adolescentes e idosos.

Daiana ressalta que o apoio da comunidade é muito importante para a realização do encontro de Natal. “Além de as pessoas terem a oportunidade de se doar para o outro, conseguimos atingir todas as famílias atendidas e proporcionar um Natal mais confortável e agradável”, acrescenta.

Para a assistente social, quando somos solidários para com o outro, somos solidários conosco em primeiro lugar. “Assim, para a comunidade o sentimento de satisfação prevalece”, conclui.

Colaboradores da Editora e Gráfica Santuário auxiliam famílias

Todos os anos, um grupo de colaboradores da Editora e Gráfica Santuário organiza a campanha Natal Solidário. A ideia surgiu em 2012 e, desde então, a iniciativa vem conquistando cada vez mais adeptos.

“Nós recebemos o convite através da Unicred Vale do Paraíba, então, os colaboradores dessa cooperativa de crédito e da Editora e Gráfica uniram forças para abraçar a campanha”, conta a supervisora de vendas Elizete de Paula.

Foto de: CAS Copiosa Redenção

Espírito natalino_6 - CAS Copiosa Redenção

Adolescentes trabalham na montagem
de árvore de Natal em Campinas (SP)

Na primeira edição, a campanha auxiliou uma comunidade em Aparecida (SP), beneficiando cerca de 130 crianças. No ano passado, o projeto ganhou um novo fôlego ao se juntar ao Grupo Anjos da Rua. 

O grupo é formado por colaboradores da Editora e Gráfica que fazem uma campanha permanente de auxílio a famílias carentes de Aparecida e região. “Na verdade, todos os colaboradores da Editora ajudam com cestas básicas e quando chega o final do ano é especial, porque aumenta um pouquinho mais o número de doações”, explica o colaborador Sérgio Reis.

Neste ano, o número de adesões à campanha foi muito maior e 180 crianças foram beneficiadas. Além de 86 crianças de um projeto social da cidade de Potim (SP), as famílias assistidas pelo grupo também receberam auxílio.

Cada colaborador da empresa doou uma quantia em dinheiro, que permitiu a aquisição de brinquedos e kits para as crianças, além de viabilizar toda a estrutura para a festa de Natal, promovida no dia 17 de dezembro.

Durante o evento natalino, as crianças foram contempladas não só com presentes, mas com bolo, sorvete, refrigerantes, cachorro-quente e muitas brincadeiras.

“Este ano, distribuímos a lista e, no mesmo dia, já estava praticamente completa, porque todos se envolvem e querem doar”, explica Elizete. Já o colaborador Claudinei José de Abreu lembra que a meta do Grupo Anjos da Rua é a ação solidária permanente, e não só na época de Natal. “Nossa missão é conscientizar os colegas que, quando somos solidários, o benefício favorece aquele que se solidariza”, diz.

Elizete ressalta que a força que impulsiona todo esse trabalho é o espírito de união dos colaboradores, que auxiliam como podem. “As pessoas se envolvem e isso dá energia para fazermos ainda mais”, justifica.

Além dos colaboradores da Editora e Gráfica Santuário, a campanha Natal Solidário conta com apoio das empresas Madepar e Big Center Park, que colaboraram através de doações.

 

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