Por Deniele Simões Em Notícias

Garotas criam rede de ação voluntária no Rio de Janeiro (RJ)

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Projeto SER Voluntário surgiu como uma espécie de "rede do bem" que facilita intercâmbio entre voluntários e instituições

 

Muita gente já pensou em ajudar o próximo, mas não sabe nem como começar.

“Para qual instituição posso oferecer meu trabalho? Que tipo de serviço eu poderia fazer? Quem realmente precisa da minha ajuda?”. Essas são algumas perguntas que um candidato ao voluntariado faz antes de se comprometer com alguma ONG ou instituição.

Foi pensando nisso que um grupo de garotas do Rio de Janeiro (RJ) resolveu fundar o Projeto SER Voluntário, uma espécie de rede do bem que facilita o intercâmbio entre voluntários e instituições, criada em 2013.

A jovem Gabriela Pereira, ex-aluna do Colégio Teresiano e estudante universitária, teve a ideia de montar o projeto a partir das experiências de voluntariado iniciadas na escola.

Aos 16 anos, ela começou a trabalhar em uma creche na comunidade Santa Marta e chegou à conclusão de que encontrar o trabalho voluntário que se encaixe ao seu perfil não é algo muito fácil. Ela percebeu também que a grande maioria que procura por esse tipo de trabalho tem uma noção preconcebida, que raramente reflete a realidade.

A estudante Luisa Paulino, de 16 anos, é diretora do núcleo de voluntariado do projeto e decidiu integrar-se ao grupo por influência de Gabriela. “Ela convidou-me para participar e na mesma hora aceitei. Desde então, criamos o site, a página do Facebook e contatamos as instituições”, conta.

Além de Gabriela e Luisa, o projeto é formado por Julia Magalhães, Mariam Topeshashvili e Victória Mercês, que na época toparam o desafio e arregaçaram as mangas para criar a rede. 

Arquivo Pessoal

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Gabriela é a fundadora do projeto,
criado a partir de reunião de amigas
que abraçaram a causa social

Como funciona

O projeto é focado no público jovem – principalmente estudantes, que têm o horário do contraturno escolar livre – mas todas as pessoas que tiverem interesse podem participar.

A seleção dos voluntários acontece em duas etapas: inscrição on-line e entrevista. Após essa fase, começa o trabalho prático na instituição que mais se adequar ao perfil do candidato.

Segundo Luisa, a juventude demonstra muito interesse em participar de atividades solidárias, mas nem sempre sabe por onde ou como começar. “Nossa geração tem crescido com muita vontade de ajudar e consciência, e tem mostrado iniciativa e capacidade”, avalia.

A jovem procura incentivar a participação de outros jovens, fazendo o convite, seja através do clássico boca a boca ou das redes sociais. “Fotos, depoimentos e grande animação ao falar de trabalho voluntário levam as pessoas à curiosidade e a desejar participar de atividades solidárias”, justifica. O Facebook é a ferramenta usada para manter o público informado sobre as atividades e as necessidades das instituições interligadas ao SER Voluntário.

Segundo a estudante, não existe somente um tipo de trabalho voluntário. Lidar com crianças, idosos, dependentes químicos, vítimas de tragédias, animais;atuar em hospitais, escolas, comunidades, entre outras experiências.

Para ela, cada experiência é única e completamente distinta uma da outra. Basta descobrir a que melhor se encaixa ao jeito de ser dos futuros voluntários. 

Arquivo Pessoal

Projeto SER Voluntário4

Para Rosângela Tardeli, é preciso treinar o olhar
para ver além de si mesmo e quebrar preconceitos

Diversidade estimula prática de ações solidárias

Luisa sempre procurou por novas experiências e desafios. Ela decidiu ser voluntária do Colégio Teresiano em 2012 e acabou apaixonando-se, não só pela atividade, mas pelas qualidades que o voluntariado demanda em quem pratica e a transformação que proporciona. “Carinho, atenção, dedicação e também tudo que ele oferece, em especial a alegria nos rostos daqueles que receberam a ajuda”, justifica.

Foi também na juventude que a coordenadora de projetos sociais do Colégio Teresiano, Rosângela Tardeli, começou a praticar o voluntariado. “As primeiras sementes vieram da família. Você acolhe uma vida para ser cuidada integralmente e gratuitamente, correndo todos os riscos e incertezas de uma adoção”, conta a professora, que foi adotada ainda criança.

Para a professora, o desafio de despertar o jovem para o voluntariado é quebrar todo tipo de diferença. “Treinar o olhar para ver além de si mesmo, perceber as diferentes realidades, aproximar as pessoas e quebrar preconceitos”, ensina.

Ela cita como exemplo a pregação de Pedro Poveda, fundador da Instituição Teresiana – instituto de inspiração católica criado na Espanha que mantém escolas, em vários países, pautadas na função social da educação.

No Rio, o colégio possui inúmeros projetos sociais, que acontecem graças à vivência e à proximidade dos alunos de situações que favorecem a prática do voluntariado pontual e permanente.

Localizado na zona sul, o Teresiano é marcado pela diversidade. Além daqueles que pagam para estudar, existem alunos bolsistas, filhos de professores e de funcionários, assim como moradores da comunidade da Rocinha, que fazem prova de seleção.

“A base é a formação de valores que possam contribuir para a diminuição e eliminação das desigualdades sociais, promoção da dignidade humana, garantia dos direitos humanos, convivência pacífica com respeito às diferenças”, conclui. 

Saiba mais sobre o Projeto SER Voluntário, acesse: https://bit.ly/js_voluntariadojovem

 

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