Por Deniele Simões Em Notícias

Igrejas têm muito a contribuir com Ano da Paz

A Igreja e a sociedade organizadas podem fazer muito pela promoção da paz. Essa foi uma das reflexões que o bispo de Campos (RJ), dom Roberto Francisco Ferrería Paz, deixou durante o encontro anual do episcopado.

Foto de: Deniele Simões / JS

Dom Ferrería - Deniele Simões JS

Dom Ferrería: "Devemos formar para a paz
e para a convivência, através da educação
para a não violência"

O prelado participou de coletiva de imprensa no dia 23 de abril para falar sobre a iniciativa da Igreja do Brasil em promover o Ano da Paz, que foi aprovado por unanimidade na AG do ano passado e que se estende até dezembro deste ano.

Segundo dom Ferrería, após aprovação do Conselho Permanente, foi elaborado um subsídio denominado texto-base, que vem norteando as ações do Ano da Paz

O texto reflete que a paz acontece em três momentos interligados. O primeiro é a chamada “paz agredida”, que é a falta de paz. “Pensamos que a criminalidade crescente é a autora da maioria dos atestados contra a paz. Estamos um pouco enganados, pois 80% dos atos de violência têm como cenário a família e a escola”, revela.

O segundo, denominado “paz anunciada”, corresponde ao Evangelho de Jesus Cristo. Já o terceiro momento, chamado de "paz restaurada", consiste na proposta conjunta das igrejas para um mutirão de paz, em que as pessoas são convidadas a ser operadoras da paz.

“Bem-aventurados os que promovem a paz porque serão chamados filhos de Deus. A gente se compromete, como Igreja, a uma prática de paz”, disse dom Roberto, ao explanar sobre o momento vivido pela sociedade brasileira, marcado por assassinatos dentro de escolas e das famílias.

No Ano da Paz, uma das propostas para enfrentar o problema é a criação de uma aliança entre a Igreja, a escola e as famílias. “Devemos formar para a paz e para a convivência, através da educação para a não violência”, ressalta dom Ferrería.

O bispo de Campos também condenou o projeto que tramita no Congresso Nacional propondo a redução da maioridade penal para 16 anos. “Estamos construindo um estado penal, com quarta população carcerária do mundo e teremos mais violência”, prevê.

Ele cita a humanização das polícias como exemplo de ação pacificadora, mas alerta que medidas do tipo só podem ser eficazes acompanhadas de políticas que busquem o desenvolvimento social da população. Caso contrário, serão inúteis.

Dom Ferrería também falou sobre a evangelização como instrumento de pacificação, citando a verdade, a liberdade, o amor e a justiça.

A exemplo do que pregava São João XXIII, ele lembra que a paz é resultante desses quatro pilares. Ele reforça também que a missão e a própria Doutrina Social da Igreja primam sempre pela promoção da paz.

“A evangelização é um processo de paz, de reconciliação e santificação das pessoas. Por isso é importante anunciar a paz e anunciar Deus”, conclui.

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