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José de Anchieta e a devoção mariana

José de Anchieta nasceu em 19 de março de 1534, na cidade de San Cristóbal de La Laguna, ilha de Tenerife, arquipélago das Canárias, Espanha, filho de Juan López de Anchieta e de Mência Diaz de Clavijo e Llerena.

 

Sua formação religiosa e cultural começou no seio da família e foi aprofundada na escola dos padres dominicanos. Desde a tenra idade, sua mãe lançou as raízes da devoção mariana, regadas e aprofundadas por seus mestres da Ordem dos Pregadores. Quando completou catorze anos de idade, seus pais mandaram-no estudar na Universidade de Coimbra, Portugal.

Foto de: Reprodução / Paróquia Nossa Senhora da Assunção

Pe. Cesar Augusto - Nossa Senhora Assunção

Pe. Cesar Augusto dos Santos, SJ, é reitor do Santuário 
de São José de Anchieta em Anchieta (ES)

Também colaboraram no incentivo a esse especial carinho por Maria, pelas igrejas e pelos monumentos canarinos, especialmente na Ilha de Tenerife, concretamente em San Cristóbal de La Laguna, sua cidade natal.

Não podemos nos esquecer da grande devoção canarina à sua padroeira, Nossa Senhora da Candelária.

Quando já em Portugal, na Universidade de Coimbra, José de Anchieta compartilhava as aulas e a vida acadêmica com uma juventude irreverente e distante dos valores cristãos. Percebendo o risco em que se encontrava, o futuro evangelizador do Brasil, dirigiu-se à Catedral da cidade e, diante do altar da Virgem Maria, fez seu voto de castidade.

Nessa ocasião Anchieta desenvolveu seus dons estudando retórica, poesia, língua e cultura grega, dramaturgia e encenação, entre outras disciplinas, colocando esse Humanismo a serviço da evangelização e da catequese. Conheceu os jesuítas em 1548.

Naturalmente, o contato entre jesuítas e Anchieta despertou grande interesse de ambos os lados. Também aí, a devoção mariana foi revigorada e começou a se consolidar. Anchieta conheceu as festas e os títulos marianos queridos pelos jesuítas, exauridos dos Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola e da devoção do fundador e de seus primeiros companheiros, como Maria, Mãe e Rainha a quem devemos pedir a intercessão nos momentos cruciais de nossos discernimentos e de Nossa Senhora da Estrada, devoção tão cara a todos nós.

Três anos depois, aos dezessete anos de idade, Anchieta entrou na Ordem e deslanchou na vida espiritual. Já como noviço sentiu-se atraído pela vida missionária fundamentada principalmente nas contemplações dos Exercícios Espirituais de 30 dias. Nessa ocasião ele pôde vivenciar os famosos tríplices colóquios, em que Inácio coloca a conversa afetiva com Maria, sempre como a primeira, aquela que nos introduz nas intercessões junto ao Pai.

Anchieta e outros seis companheiros viajaram para o Brasil no dia 8 de maio de 1553, na esquadra que trazia o 2º Governador Geral, Duarte da Costa. Durante a travessia do Atlântico, o jovem mostrou-se disponível ajudando as pessoas como enfermeiro e auxiliando em tudo o que se fazia necessário. Evidentemente a devoção mariana estava presente em seu coração, nas preces e nas conversas com seus confrades e com os companheiros de viagem.

Após dois meses, desembarcaram em Salvador (BA) e cinco meses depois foi enviado ao sul, para a região de São Vicente.

No dia 21 de janeiro, o grupo selecionado pelo Provincial, padre Nóbrega, dirigiu-se à grande empreitada, a fundação do Colégio São Paulo de Piratininga. Ele recebera essa incumbência do Provincial de Portugal, padre Simão Rodrigues, um dos fundadores da Ordem.

Anchieta começou sendo não um simples missionário, mas missionário de missionários, professor de homens que se preparavam para o sacerdócio, ainda não sendo ele um sacerdote. A eles dará não só o latim indispensável para as ordens sagradas, mas o instrumental mais necessário para a pastoral desse tempo, o conhecimento da língua indígena, através de sua gramática, e de outras obras em tupi, para abrir aos índios o caminho da vida nova. Anchieta foi fundador do Colégio e, consequentemente, da cidade de São Paulo, não tanto por ter participado da missa de fundação, mas porque foi, durante longos anos, a alma do Colégio e o catequizador da região.

Não se sabe o dia e o mês exatos da ordenação de Anchieta. A maioria de seus biógrafos sugere entre 6 a 8 de junho de 1566.

Anchieta escreveu à Nossa Senhora diversas peças teatrais como “Na aldeia de Guaraparim”, relacionada à atual cidade de Guarapari, fundada em 1580. É uma peça teatral na qual aparece a salvação da aldeia pela intercessão de Nossa Senhora.

Em 1576 o padre geral Mercuriano nomeou Anchieta Provincial do Brasil, superior dos mais de 140 jesuítas que estavam na América.

Também é dessa época a fundação, por padre Anchieta, da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro.

Em 1590 Anchieta escreveu “Dia da Assunção em Reretiba”, com o objetivo de receber a imagem de Nossa Senhora da Glória, na cidade que hoje tem seu nome – Anchieta –, no Estado do Espírito Santo.

“Na visitação de Santa Isabel”, peça escrita em 1597, Anchieta, já bastante doente, utiliza a passagem evangélica da Visitação de Maria a Isabel. Para terminá-la, o santo fala do momento de sua própria morte quando será ele a visitar a Senhora e esta o receberá em sua casa, o Céu.

Não apenas quem anda pelo litoral capixaba tem a oportunidade de conhecer a devoção mariana de Anchieta, mas também aquele que visita o litoral paulista. A imagem de Nossa Senhora da Conceição, em Itanhaém, é prova indelével da sua permanente veneração à Virgem Maria.

Anchieta foi particularmente solícito para com os enfermos, especialmente para com os de casa, como já demonstrara a bordo do navio que o trouxe da Europa. Ele os levantava, os deitava, e ficava acordado vigiando caso algum doente precisasse. Muitas vezes, levantava-se à noite para preparar remédios ou ia à cozinha preparar alimento para algum doente.

Foi por causa dessa atenção a um jesuíta acamado, que a morte do Apóstolo foi apressada, alcançando sua Páscoa definitiva num domingo, 9 de junho de 1597.

Anchieta amou os índios, os negros e os brancos, amou cada um, cada raça como dom do Criador. Foi profeta, santificador e pastor desse rebanho brasílico, e não só em terras paulistas, mas também em terras cariocas, capixabas, baianas, enfim em todo o Brasil.

Lendo todos os seus escritos, todo o seu vai e vem e agir, caiu-lhe bem o título que dom Bartolomeu Simões Pereira, Administrador Apostólico, cunhou em suas exéquias “Apóstolo do Brasil”, acrescentando nessa ideia que José de Anchieta fundou a Igreja no Brasil. Fundou-a na unidade, livrando-a de heresias, e assegurando sua fidelidade a Cristo.

A devoção à Mãe de Deus e nossa transpassou toda a vida do Apóstolo do Brasil, desde sua infância até o momento de sua morte. Maria esteve presente em sua vida. Nós que nos engrandecemos com a bênção de termos sido agraciados pelo encontro da imagem da Imaculada Conceição, a Virgem Nossa Senhora Aparecida, e que herdamos de São José de Anchieta, tanto pela sua catequese, como em seu devocionário, o amor à Virgem, devemos vivenciá-lo como ela mesma nos ensinou nas Bodas de Caná: “Fazei tudo o que ele vos disser”.

Portanto, Anchieta nos indica a Virgem que, por sua vez, nos conduz ao segmento do Senhor.

Ser devoto de Anchieta é ser devoto de Maria e obediente aos ensinamentos de Jesus Cristo.

Pe. Cesar Augusto dos Santos, SJ, é reitor do Santuário de São José de Anchieta em Anchieta (ES)

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