Por Carolina Alves Em Notícias

Jovem vence preconceito e fica em 2º lugar nos X-Games

Ao final da década de 50, os surfistas que residiam na Califórnia (EUA), a fim de driblar a ausência de ondas no litoral do estado, tentavam reproduzir as manobras do surf por meio de rodas e eixos acoplados em pranchas de madeira. Assim se inicia a trajetória do esporte, que hoje é conhecido por skateboarding, ou apenas skate, movimento fortemente relacionado à contracultura, à rebeldia e à masculinidade.

Reprodução / X-Games

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Pamela Leite, vice-campeã nos X-Gams, dá provas de que
meninas também podem conquistar espaço nos esportes
radicais

No entanto, as constantes transformações sociais geram novas formas de pensar e agir, além de quebrar tabus. Esse é o caso da garota de 14 anos, Pamela Leite Rosa. Natural de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, começou sua história com o skate logo aos oito anos, por influência de um amigo da irmã, e vem fazendo história no mundo dos esportes femininos, derrubando o paradigma de que andar de skate é particularidade do meio masculino.

Especialista na modalidade street, que se utiliza de obstáculos de rua, como monumentos, muretas, bancos e corrimãos, para desenvolvimento das manobras, Pâmela possui, além das competições locais, títulos de campeã paulista, brasileira e sul-americana. No último dia 8 de junho, faturou também a medalha de prata dos X-Games de Austin, nos Estados Unidos, campeonato mais importante de esportes radicais a nível mundial. Competindo na categoria feminina do “Skateboard Street”, dividiu o pódio com Letícia Bufoni, outra renomada atleta do skate, consolidando uma dobradinha brasileira.

Arquivo Pessoal

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Célia Cortez destaca apoio da família para que
meninas vençam preconceito no esporte e em
outras áreas

Apesar de exemplos como esses serem cada vez mais frequentes, o preconceito para com a classe feminina que pratica esportes radicais, geralmente tidos como masculinos, ainda é presente na sociedade. Segundo a psiquiatra, neurocientista e presidente da Associação Brasileira de Hipnose, Célia Cortez, isso ocorre devido ao estranhamento do ser humano diante de situações consideradas anormais. “O preconceito, ou seja, conceito prévio, pode ser resumido como uma condição de estranheza, que se manifesta quando o indivíduo está diante de algo diferente da sua natureza ou que lhe seja desconhecido e não compreendido, e que pode gerar respostas comportamentais complexas”, explica.

A especialista ainda afirma que esta circunstância é natural e somente a busca pela compreensão da mesma soluciona o impasse. “O preconceito pode se dissolver na medida em que essa prática se torna comum, já que a diferenciação de atividades femininas e masculinas nas sociedades humanas não está sob a ação direta de alguma força determinada biologicamente. Elas dependem, na maioria, de padrões comportamentais definidos ao longo da existência humana”, acrescenta.

Contudo, a atitude intolerante pode gerar frustração e repressão de identidade em quem recebe o julgamento. Mais do que isso, pode tornar o desejo de desfazer determinado tabu um simples ato de contrariedade, acarretando na perda do conhecimento de si próprio. “Na vida há muitos caminhos para alguém se realizar como pessoa, e uma visão fechada dentro de uma vontade de contrariar costumes é simplesmente uma falta de autoconhecimento, é uma visão muito pobre de si mesmo. É condenar-se a viver em função do que os outros pensam”, enfatiza.

Para que isso não aconteça, ou até mesmo para reverter o quadro, o apoio de familiares e pessoas próximas é parte essencial do processo, principalmente para que a garota escolha genuinamente suas vocações, praticando, desta forma, atividades que lhe agradem. “A ‘coisa’ proibida é sempre mais encantadora. Além de deixá-la experimentar a sua própria imposição de necessidade de romper barreiras preconceituosas, a família também pode, com muito jeito, orientá-la na busca de ajuda psicoterapêutica, para que ela descubra suas verdadeiras motivações e faça melhores escolhas para sua vida”, aconselha. Célia ainda indica que a consequência será uma escolha consciente e saudável. “Talvez ela precise, inclusive, vencer algum sentimento de falta de liberdade, e fazer escolhas sem a motivação de querer simplesmente ser diferente ou lutar contra supostos preconceitos”, conclui.

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