Por Deniele Simões Em Notícias Atualizada em 16 AGO 2019 - 09H36

Thiago Mazucato, sociólogo: “A Filosofia pode ser lúdica e amigável”

O sociólogo e mestrando em Ciências Políticas Thiago Mazucato fala ao JS sobre o desafio de levar às crianças conceitos de política e Filosofia, utilizando uma linguagem lúdica e simples.

Mazucato é o autor dos livros infantis 'A Vida Colorida da Dona Margarida' e 'Como é Diferente um Coração Valente', em que passeia pelos dois temas através de histórias muito bem-humoradas e de fácil interpretação, usando como pano de fundo o pensamento de autores consagrados do mundo filosófico.

As duas publicações integram a coleção 'Pequenos Pensadores', da editora Ideias & Letras, e já são usadas como material de apoio por professores do ensino fundamental em algumas escolas.

O autor conversa sobre o desafio de escrever sobre o tema para crianças, reflete sobre a formação de cidadãos críticos e conta como a Filosofia o ajuda a entender melhor o mundo e a si próprio.

Arquivo pessoal
Arquivo pessoal


JS – Você é autor de livros infantis e de trabalhos na área de artes plásticas. Uma das características marcantes dessa obra é usar a Filosofia e a política como pano de fundo. A afirmação que esses assuntos são desinteressantes é um mito?

Thiago Mazucato – Que pergunta difícil que você me faz! E à queima roupa! Primeiro porque eu não acredito em mitos e acho que eles são criações humanas. Esse mito de que a Filosofia e a política são difíceis realmente foram criados para afastar as pessoas desses temas.

JS – Quais as principais dificuldades e motivações ao escrever os dois livros pela editora Ideias & Letras?

Mazucato – A dificuldade é ter de lidar com mais de uma área. Eu diria que escrever esses livros foi trabalhar em uma área de fronteira entre dois espaços: o da Literatura e o da Filosofia. Já as motivações são, primeiramente, políticas, por contribuir para quebrar esse mito de que a Filosofia e a Política são algo difícil e distante das pessoas. Para mim, essa foi a maior motivação.

JS – Você tem outros projetos em andamento na área da Literatura?

Mazucato – Já está tramitando um livro acadêmico, para o público universitário. Esse é um outro viés de publicação. E na editora Ideias & Letras, já mandei o terceiro título da série Pequenos Pensadores, que está em fase de aprovação pelos editores. Provavelmente será um livro sobre o pensador Freud. A ideia é levar para as crianças, nesse terceiro volume, um grande pensador, o criador da Psicanálise, com intervenções sobre a Filosofia, a política, o pensamento social e em várias vertentes.

JS – A partir de que momento resolveu levar esses assuntos ao grande público e como tem percebido a aceitação?

Mazucato – Isso começou há cerca de dois anos, quando eu tive o insight de criar alguma coisa para mudar esse quadro, essa realidade adversa. A recepção do livro está sendo muito legal, principalmente de professores, que já estão trabalhando com os livros em sala de aula. Tenho tido alguns feedbacks de que o livro é uma ferramenta nova, porém muito de acordo com o que os professores precisavam para trabalhar o empoderamento intelectual e cognitivo dos alunos. Antes, os professores deparavam-se com uma dificuldade, com um quadro adverso, mas não tinham as ferramentas para poder reverter esse quadro. Aqueles que já estão trabalhando com o livro em sala de aula estão conseguindo operacionalizar o que têm em termos de projeto político-pedagógico de aula através dessa literatura.

JS – Geralmente o aluno só toma ciência sobre a Filosofia no ensino médio. Acredita que, se a disciplina fosse ministrada já no ensino fundamental, teríamos cidadãos mais críticos?

Mazucato – Acredito que sim. Porque se a Filosofia viesse desde o ensino fundamental, provavelmente a gente subiria mais um degrauzinho na formação de cidadãos críticos. Porém, o objetivo da coleção Pequenos Pensadores não é trabalhar apenas a Filosofia na sala. É trabalhar a ideia de pensadores dentro da literatura infantil. Então, nós estamos usando a literatura como ferramenta para levar a Filosofia, os pensadores e as ideias para as crianças. Isso antecipa, cognitivamente, um conteúdo que a criança vai ter de ver lá na frente, já preparando-a para lidar com o tema.

JS – Como é possível tornar a Filosofia atraente para as crianças?

Mazucato – Acho que, para tornar a Filosofia atraente para crianças, o primeiro passo é não transformá-la em um bicho-papão, ou seja, uma coisa chata, feia, difícil e intransponível. A Filosofia que eu estou tentando produzir dentro dessa literatura é uma Filosofia lúdica, agradável, amigável e, quando a criança menos percebe, já conhece o assunto. Ela chega dessa maneira.

JS – Como a Filosofia ajuda o ser humano a conhecer melhor o mundo e a si próprio?

Mazucato – Essa é a pergunta que os principais filósofos estão tentando responder há dois milênios e meio. Então, não serei eu, provavelmente, que conseguirei respondê-la. Mas, para mim, a Filosofia foi e continua sendo essencial, porque me ajuda a refletir sobre o mundo, sobre a realidade e a me posicionar, seja intelectual ou politicamente. Então, para mim, essa é uma ferramenta gigantesca.

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