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Livro traz fatos inéditos do restauro da Imagem de Aparecida

Café Mariológico com a restauradora Maria Helena Chartuni em Aparecida_foto: Thiago Leon

Um símbolo da fé brasileira de mais de dois séculos e meio se desfaz em centenas de pedaços ao chão. Há 38 anos, a Imagem da Senhora Aparecida era vítima de um atentado que deixaria os católicos chocados. A esperança de todo um povo se transferiu para as mãos de Maria Helena Chartuni, em um trabalho minucioso de restauro. E a Padroeira do Brasil pôde retornar ao seu trono de forma esplendorosa, para novamente ser venerada pelos devotos.

Toda a história que circunda a recuperação da Imagem de Aparecida é contada por Maria Helena no livro A História de dois restauros, da Editora Santuário. Na publicação, a autora apresenta detalhes e fatos inéditos sobre o processo de restauro e como esse trabalho mudou a sua vida. 

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Como foi para senhora receber a notícia que iria restaurar a Imagem de Nossa Senhora Aparecida?

Maria Helena Chartuni – Na realidade, como falo no texto do livro, eu não fui procurar. Essa Imagem caiu no meu colo. Eu vi no noticiário e nem pensei em restaurar. Eles [os Redentoristas] foram procurados por muitos restauradores. Eu achei que eu ia restaurar, mas, como não dou valor as minhas intuições, achei que era coisa da minha cabeça. E, chegou a minha mão.

Quando recebi essa Imagem, eu estava no Museu de Arte de São Paulo – Masp. As pessoas sempre perguntam: o que você sentiu? Eu senti pânico. Ela estava toda esfacelada, em mais de 200 pedaços. Era uma caixa forrada com um cetim acolchoado, onde estavam todos os pedaços. Eu não posso ter ficado muito tranquila com isso. Não era pelo restauro em si, era pelo que ela representava. Era uma pressão tremenda.

Eles [os Redentoristas] foram procurar no Vaticano uma orientação para saber para quem levar a Imagem. Eles queriam levar para os museus do Vaticano. Mas, o professor Deoclécio Redig de Campos, um brasileiro que vivia lá, falou que não tinha necessidade, era só ir ao Masp, que o diretor de lá iria resolver o problema. 

Por que o livro recebe o nome de A História de dois restauros?

Maria Helena – Na realidade, esse título deveria ser O meu encontro com Nossa Senhora Aparecida e subtítulo A História de dois restauros. Mas, a Editora Santuário achou por bem, eu também acho que foi correto, trazer como título A História de dois restauros. Na verdade, foram dois restauros: o que eu fiz com a Imagem dela e o que ela fez comigo.

Não vou falar que não era uma pessoa que não acreditava em nada, eu acreditava sim. Mas tive uma adolescência difícil, passei por colégio de freiras... que também foi difícil. Passei por problemas existenciais, como: quem sou?, por que estou aqui?, quem é Deus? Como não recebia resposta, pelo contrário, tive uns traumas no colégio, fiquei com uma indiferença e deixei de lado.

Quando veio esse restauro, mudou minha vida. Até então, achava que essa crença em Nossa Senhora Aparecida era um exagero. Eu vim aqui [Aparecida] com 12 ou 13 anos, com as freiras do colégio, mas não gostei, achei-a muito escura. Achava que ela era triangular, como sugere o manto.

Quando ela veio para mim, eu descobri que era uma imagem barroca, de terracota. Comecei a restaurá-la e não pensei nada em espiritual, que era privilegiada, a coisa veio depois. Durante o restauro, diversas coisas estranhas aconteceram. Voltei a pedir a Nossa Senhora: a Senhora vai me ajudar, porque estou com um problema enorme, se eu não acertar eu vou para fogueira. Ela me ouviu.

Ela estava em frangalhos, em 165 pedações, às vezes milimétricos, e eu pegava um pedaço e colocava em um lugar, e era exatamente lá. No meio daquele caos, eu tinha que classificar os pedaços, o que eu fazia em um papel branco, mas, de repente, vinha um pedacinho e eu falava “esse lugar deve ser aqui”, e era.

O que definitivamente me mudou, foi quando terminei e ela foi mostrada à imprensa. Não tinha uma pessoa que entrasse na minha sala e não chorasse. Os devotos me deixaram muito impressionada. Quando ela foi, do Masp até a Dutra havia um corredor humano, esperando a Imagem passar. Enquanto ela passava, as pessoas choravam. Os caminhoneiros ficaram em cima das cargas. Eu fiquei muito impressionada. Foi aí que eu comecei a ter ideia sobre o que eu tinha tocado. Tanto que no livro eu dedico a todos os devotos de Nossa Senhora. 

O que a senhora quer com esse livro?

Maria Helena – O que eu espero com esse livro é dar meu testemunho com essa história, que foi importante na minha vida, como na vida das pessoas devotas. E é a minha verdade. Estou falando o que eu vivi, a maneira que eu vivi e não a interpretação da verdade. Você pode transmitir para o outro, mas sempre é uma interpretação que o outro está lhe dando. Eu estou falando exatamente o que aconteceu e muita coisa ninguém sabe, fatos que aconteceram posteriormente e durante o restauro. 

*Com informações do programa Bem-vindo Romeiro, TV Aparecida

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