Por Jornal Santuário Em Notícias Atualizada em 16 MAI 2018 - 16H00

Maria Helena Chartuni relembra trabalho com Imagem de Aparecida



A restauradora de obra de artes Maria Helena Chartuni, há mais de 22 anos, vem anualmente a Aparecida para realizar o trabalho de conservação da imagem, que recebeu a aplicação de pigmentos e produtos especiais. Maria Helena explica que a ação do tempo e as condições climáticas, a umidade, a luz, podem afetar uma obra de arte.

Maria Helena foi a responsável pela reconstrução da imagem, após um atentando, em 1978. Apesar de ter conseguido o que, para alguns, parecida impossível, a restauradora revela que passou cerca de 10 anos sem contato com a imagem. “Parecia-me que meu trabalho com a imagem estivesse encerrado. Fui cuidar de minha vida. Mas, após vários anos, notei que a manutenção da imagem estava sendo feita por pessoas não habilitadas para esse serviço. Tive receio de que acontecesse outro acidente, então me prontifiquei a dar assistência na manutenção da imagem enquanto pudesse”, revela.

Restaurando a fé

Leia MaisFestividades dos 40 anos do Restauro da Imagem contam com parcerias importantes Realidades do povo brasileiro será tema das Cerimônias de Restauração na Basílica Velha40 anos, Chartuni enfrentou um dos seus maiores desafios: remontar, como a um quebra-cabeças, uma imagem estraçalhada. Mas não era uma estátua qualquer, tratava-se de um dos maiores símbolos da religiosidade católica do país, a imagem original de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.

Aquela estátua já havia passado anos no fundo das águas do Rio Paraíba do Sul, com a cabeça separada do corpo, havia sido encontrada por três pescadores e produzido uma pesca milagrosa, à semelhança da relatada pelos Evangelhos. Após tantas situações, ao longo de mais de dois séculos, a imagem milagrosa havia sido vítima de um homem atormentado, que a quebrou em centenas de pedaços.

As pessoas que viram a imagem naquele estado, não acreditavam que fosse possível reconstruí-la. Seria necessário um milagre? Entre essas pessoas, estava a própria restauradora. “Quando tive diante de mim aquela imagem toda esfacelada em mais de duzentos pedaços, senti-me, por um momento, em pânico, diante de tal responsabilidade. Sabia que, se não desse conta do recado, seria um massacre moral e profissional”, afirma Maria Helena.

Contudo, ela não demonstrou o medo que sentia e lançou-se no desafio. “Por temperamento, eu não desisto fácil e, apesar do medo, coloquei-me inteira para resolver a reconstrução da imagem. Isso depois de pedir ajuda e proteção a ela, que havia me dado tal tarefa. Eu só tinha um pensamento em mente: fazer o melhor que podia. E acho que deu certo. Só no final dos trabalhos me dei conta que recebi a força e a calma que me ajudaram a realizar o trabalho mais gratificante de minha vida”, recorda.

Exatamente um ano após o atentado, ela foi procurada no Museu de Arte de São Paulo. Alguém havia pintado a Santa com uma tinta inadequada. “Fui a Aparecida e imediatamente comecei a remoção da camada de tinta. A cera que eu havia passado quando restaurei a imagem pela primeira vez impediu que aquela tinta fosse absorvida pela terracota”, recorda.

Contudo, a relação de Maria Helena com Nossa Senhora Aparecida não é apenas profissional. Diversas vezes, ao longo de todo esse tempo, a restauradora testemunhou a importância da Virgem Maria na vida dela. “Eu sou uma pessoa antes e outra depois do restauro. Já disse várias vezes e repito: restaurei sua pequena imagem de terracota. Em retribuição, ela restaurou minha vida”, declara.

Maria Helena conta que desde criança sempre foi devota de Nossa Senhora, mas na adolescência passou por uma crise espiritual e existencial. “Fiquei mais indiferente à espiritualidade, pensando em preencher o vazio com outras atividades. Penso que ninguém que tenha contato com o Sagrado permanece a mesma pessoa. Existe uma modificação real e profunda, que se manifesta pouco a pouco, no íntimo. Sou profundamente grata à Mãe de Cristo, que me proporcionou voltar à minha fé”, testemunha.

Em 2012, a Imagem de Nossa Senhora Aparecida foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). Ela continua exposta no nicho do Santuário Nacional de Aparecida, de onde só é retirada em celebrações especiais.

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