Por Alexandre Santos Em Notícias Atualizada em 12 AGO 2019 - 16H04

Membros de novas comunidades falam o que é ser leigo consagrado

Aos 17 anos, a secretária Luciana Brum resolveu entrar nas aulas de catequese para receber o sacramento do Batismo. Nesse período, ela viveu uma experiência pessoal com o amor de Deus. “A cada dia, eu percebia que Ele desejava algo mais de mim”, recorda.

Foto de: Arquivo Pessoal

Luciana Brum - Arquivo Pessoal
Luciana Brum, consagrada
na 
Comunidade Católica Shalom

Luciana conta que, após receber o sacramento da Crisma, começou a crescer dentro dela o desejo de ofertar-se inteiramente a Deus. Até que, num evento da Comunidade Católica Shalom, ouviu falar pela primeira vez sobre vida consagrada. “Ali não tive dúvidas de que o que o Senhor desejava para mim era consagrar-me a Deus em vista do outro, anunciando a Palavra com a própria vida”, relata.

Se você pensou que Luciana entrou para um convento e se tornou freira, está enganado. Ela faz parte de um tipo de consagração relativamente recente na Igreja Católica, porém já bastante difundido: é uma leiga consagrada.

No linguajar canônico, um leigo é um fiel católico que vive as realidades da Igreja, podendo ter vida apostólica, ajudando nos trabalhos paroquiais, nas pastorais e movimentos sociais ou de evangelização. Porém, o leigo não assume sobre si um compromisso de voto, como o fazem os religiosos e os padres.

Ou seja, leigo é todo aquele que não é irmão nem freira nem padre, mas que participa da vida da Igreja.

Em 2015, a Igreja Católica celebrou o Ano da Vida Consagrada. O ano celebrativo foi aberto oficialmente no dia 30 de novembro de 2014, pelo Papa Francisco, e encerrou-se no dia 2 de fevereiro de 2016.

Embora oficialmente a Igreja considere como vida consagrada apenas sacerdotes e religiosos celibatários, nos últimos anos tem crescido em todo o mundo a figura dos leigos consagrados. Eles não são religiosos nem sacerdotes, mas assumem um compromisso de serviço e seguimento de um carisma.

Geralmente, esse compromisso é feito nas chamadas Novas Comunidades. Esse fenômeno é relativamente recente na Igreja. A mais antiga dessas novas comunidades no Brasil tem pouco mais de 30 anos. Quase nada, se comparado à história secular das ordens e congregações religiosas. Há leigos consagrados também em movimentos como o Focolares, fundado pela italiana Chiara Lubich.

Para Luciana, ser um leigo consagrado é dar uma resposta livre e fiel à vontade de Deus. “É abraçar uma vida de serviço à Igreja e ao Evangelho de Cristo, testemunhando no mundo a alegre experiência com o amor de Deus”, afirma. Segundo ela, a consagração consiste no serviço e no testemunho de Jesus Cristo, levando ao homem de hoje a palavra vivida. “Fazemos votos de pobreza, castidade e obediência. Esses, abraçados com alegria, para que ao mundo seja anunciada a paz”, conclui.

Sadia convivência

Há nove anos, Luciana é consagrada na Comunidade Católica Shalom, reconhecida pelo Vaticano e fundada por um leigo: Moisés Azevedo, que hoje é membro dos Pontifícios Conselhos para os Leigos e para a Nova Evangelização. Luciana é solteira, porém esses novos modos de consagração acolhem também casais

É o caso de
Rubens e Tânia Sabino. Eles são membros definitivos da Comunidade Canção Nova, a mais antiga do país. O compromisso definitivo é, para o leigo consagrado, o equivalente aos votos perpétuos para os religiosos. O casal hoje é responsável pela equipe de acompanhamento vocacional de novos membros.

“Ajudamos as pessoas que nos procuram a verificar se há um chamado de Deus para viver em nossa Comunidade, mediante os encontros vocacionais. A nossa função é reconhecer se essa pessoa traz em si o chamado ao nosso carisma, nosso jeito de ser e de viver. Caso ela não traga esse chamado, nós a auxiliamos, incentivamos e motivamos a continuar buscando seu lugar na Igreja. Se reconhecemos nela a identificação com o jeito de ser e viver Canção Nova, começamos a trabalhar a etapa inicial de formação. A definição do estado de vida é consequência da uma boa caminhada formativa, argumenta.

Segundo Rubens, na maioria das novas comunidades, o período formativo dos membros dura um período de 4 anos. Após esse tempo, com conteúdos específicos de formação para cada ano, os membros se consagram. “As formações acontecem segundo as grades formativas de cada comunidade. Podem ser períodos de formação humana e espiritual, com temas atualizados baseados na verdade do Evangelho, explica.

Mas que características alguém que deseja ser um leigo consagrado precisa ter?


De acordo com Rubens, o vocacionado precisa expressar uma profunda identificação com o carisma ao qual foi chamado. Em geral, expressam com a vida o desejo de mudança, para testemunhar a salvação de Cristo através do carisma com o qual se identifica e ao qual foi chamado.

Todo ano, dezenas de pessoas procuram essas instituições para participar dos encontros vocacionais. Para Rubens Sabino, um dos fatores que têm atraído as pessoas é a beleza de viver em comunidade, com vários estados de vida vivendo uma única consagração: homens, mulheres, casados, solteiros, crianças, lutando para viver em sadia convivência. “Mas o principal fator continua sendo a vivência da radicalidade do Evangelho. É isso que, até hoje, atrai e seduz todo tipo de pessoa. Creio que essa novidade das Novas Comunidades dentro da Igreja, ao mesmo tempo que é um grande desafio, atrai as pessoas”, afirma.

Sabino defende que o maior desafio de falar de vocação, hoje, principalmente entre os jovens, é ensiná-los a não ter medo. “É conseguir fazê-los entender que ser inteiramente de Deus não abafa ou descaracteriza o que somos. Ao contrário, potencializa e nos leva a uma verdadeira liberdade interior, argumenta.

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