Por Deniele Simões Em Notícias

Missionárias capuchinhas levam esperança a moçambicanos

“A certeza que Deus está com os pobres me dá força para continuar, apesar das grandes dificuldades.” É assim que irmã Davina Muniz Coelho justifica a força para a caminhada diária na missão em Moçambique.

O país africano, que tem alto grau de pobreza e vulnerabilidade social, conta com o auxílio de religiosas brasileiras da Associação das Irmãs Missionárias Capuchinhas desde o início dos anos 90.

Foto de: IMC

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Reforço escolar é um dos trabalhos desenvolvidos pelas
missionárias

As jovens e adolescentes que aprenderam a ler e escrever no ano passado, aumentando sua autoestima; os diferentes usos da mandioca na melhoria da qualidade nutricional da população e a utilização de xaropes e pomadas à base de ervas naturais auxiliando a saúde dos mais necessitados são exemplos de ações implantadas pelas missionárias naquele país. “São resultados positivos que nos animam a continuar”, completa.

Irmã Davina Coelho está em Moçambique desde agosto de 2001 e vê nos resultados da missão um grande estímulo para a continuidade de seu trabalho em terras estrangeiras.

A atuação da religiosa no país africano começou na Pastoral da Criança e depois passou para a Pastoral da Saúde. Ao falar da missão, ela diz que o convite de Jesus para explorar águas mais profunda sempre ecoa em seu coração. “Por isso sinto-me confortada de poder estar aqui nesse povoado tão carente de tudo”, justifica.

Para a missionária, a alegria e esperança das pessoas atendidas são o incentivo à presença missionária e também o que anima as religiosas a querer intensificar a presença na missão.

Trabalhos desenvolvidos

Segundo irmã Davina, um dos principais problemas enfrentados pela população moçambicana é a malária, doença provocada por insetos que pode levar o paciente à morte. Outros problemas graves são a desnutrição e a desidratação.

“A mortalidade de crianças menores de cinco anos é alta, incluindo morte materna, e estamos tentando ajudar nesse espaço dos tratamentos com plantas porque a carência é grande”, conta.

A comunidade da província de Nampula está unida no trabalho de construção do Centro de Promoção Humana Santa Bakhita, um espaço para a formação de monitores e da população em geral.

A missionária acompanha diretamente o trabalho de construção do espaço, que é financiado pelos Franciscanos da Missão Central, Misereor e grupo Karipu, da Itália.

O centro proporcionará à comunidade uma série de benefícios, entre eles uma biblioteca para pesquisa dos estudantes e professores, máquina fotocopiadora, além de sala para reforço escolar e outra sala exclusiva para a realização de trabalhos na área de saúde alternativa.

Apesar de o centro não estar totalmente concluído, as atividades de 2014 já começaram e estão a todo vapor.

Atualmente há duas turmas de artes manuais, sendo uma pela manhã, voltada aos que estudam à tarde, e a outra no período da tarde, para beneficiar quem estuda de manhã.

O trabalho de reforço escolar também funciona nos dois períodos: manhã e tarde. Além disso, os trabalhos da Pastoral da Saúde foram iniciados em março e agora contam com uma viatura de apoio oferecida pela Missão Central e Misereor.

Tráfico humano

Foto de: Youtube

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Irmã Davina: "A mortalidade de crianças menores de cinco
anos é alta e a carência é muito grande"

No ano em que o episcopado brasileiro chama a atenção para o problema do tráfico humano no Brasil, as missionárias brasileiras que estão em Moçambique também estão atentas à questão. 

“Aqui, na nossa província de Nampula é um caso sério, inclusive o bispo chamou a atenção da governadora”, relata irmã Davina. Diante dessa realidade, as missionárias tentam conscientizar as famílias a cuidar melhor das crianças, vítimas mais procuradas pelos criminosos.

Presença das capuchinhas no país

As Irmãs Missionárias Capuchinhas chegaram a Moçambique em outubro de 1992.

Desde então, ocorreram muitas mudanças, algumas irmãs retornaram ao Brasil e outras foram em missão ao país africano.

De acordo com irmã Davina, hoje as capuchinhas atuam em três províncias diferentes em Moçambique.

Na província do Niassa, cidade de Cuamba, a ênfase é no trabalho com medicina alternativa, educação, assistência aos mutilados pela lepra, acompanhamentos a um grupo de maior idade, catequese e pastoral do dízimo.

Já na província da Zambézia, cidade do Gurúè, a atuação acontece nas áreas de saúde alternativa, educação, liturgia, acompanhamento aos jovens e colaboração na equipe financeira da diocese.

E, finalmente, na província de Nampula, posto administrativo de Namina, distrito de Mecuburi, os focos do trabalho são saúde alternativa, reforço escolar, biblioteca e estudo bíblico ecumênico.

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