Por Deniele Simões Em Notícias

Mulheres arregaçam as mangas e buscam espaço na Igreja

A primeira exortação apostólica do Papa Francisco, denominada Evangelii Gaudium, traz algumas reflexões sobre o papel da mulher na Igreja e na sociedade. No documento, o Pontífice realça a presença das leigas na vida pastoral em função da sensibilidade feminina.

Apesar da presença de muitas mulheres na vida comunitária de Igreja, Francisco acredita ser preciso ampliar a participação feminina nesses espaços. “A Igreja reconhece a indispensável contribuição da mulher na sociedade, com uma sensibilidade, uma intuição e certas capacidades peculiares, que habitualmente são mais próprias das mulheres que dos homens”, escreve.

Foto de: Arquivo Pessoal

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Para Elaine Guimarães, cantora
do Santuário, a presença
feminina na Igreja é sempre
fecunda e tem Maria como
principal inspiradora

Como exemplo, ele cita a partilha de responsabilidades pastorais entre as mulheres e sacerdotes, o que tem contribuído para o acompanhamento de pessoas, famílias ou grupos dentro da Igreja.

Apesar desses exemplos, Francisco deixa claro que ainda é preciso ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisiva. “O gênero feminino é necessário em todas as expressões da vida social; por isso, deve ser garantida a presença das mulheres também no âmbito do trabalho e nos vários lugares onde se tomam as decisões importantes, tanto na Igreja como nas estruturas sociais”, lembra.

O Papa diz que as reivindicações dos legítimos direitos das mulheres, a partir da firme convicção de que homens e mulheres têm a mesma dignidade, colocam à Igreja temas desafiadores.

A teóloga e professora do Centro de Teologia e Ciências Humanas da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Maria Clara Bingemer, concorda com o Pontífice.

Ela diz que a presença real das mulheres em espaços públicos tem crescido consideravelmente, assim como na Igreja. Entretanto, o preconceito ainda é muito grande.

Presença fecunda

Em entrevista à Rádio Vaticano, Maria Clara diz que a mulher precisa aproveitar os ventos favoráveis do pontificado de Francisco para começar a ocupar seu espaço na Igreja.

“Acho que a mulher já faz isso, mais ao nível da coordenação de comunidades e da catequese, na liturgia e na teologia”, diz na entrevista. Outro campo de forte atuação feminina, de acordo com ela, é a orientação espiritual, através da pregação de retiros e do acompanhamento de pessoas.

Para Maria Clara, se a mulher não ocupar o espaço que lhe cabe na Igreja não é apenas ela quem perde, mas a Igreja de uma forma geral. “Sem a mulher a Igreja fica menos humana, portanto menos divina também.”

Segundo a teóloga, é necessário que as mulheres comecem a perder a timidez e avancem mais para ocupar os espaços que estão abertos, ocupando-os de modo eficaz. E a eficácia conquista-se justamente pela formação, para que o trabalho bem feito possa cumprir a meta de ajudar na criação de uma Igreja mais humana, aberta e a serviço da construção do Reino de Deus.

A cantora Elaine Guimarães, que atua no Ministério de Música Litúrgica do Santuário Nacional, acredita que cada mulher pode se doar à Igreja oferecendo o dom que herdou de Deus.

No Santuário, Elaine cumpre todas as atividades musicais ligadas às celebrações, de rotina ou extraordinárias, e executa ações ligadas a produtos oficiais, como os CDs da Novena e Festa da Padroeira.

“Sempre que convidada, participo de algumas programações da Rede Aparecida de Comunicação. Posso citar o ‘Terço dos Homens’, do qual participei em todas as edições e, claro, acolher os romeiros de Nossa Senhora Aparecida que visitam a Casa da Mãe”, conta.

Catequizada em uma Comunidade Eclesial de Base ligada à diocese de São Mateus (ES), Elaine não encontrou dificuldades em ocupar seu espaço na Igreja, até porque nesse tipo de comunidade a mulher costuma ser muito atuante.

De leitora das preces da comunidade na missa dos domingos, Elaine passou a evangelizar milhares de pessoas através da música e atua no Santuário Nacional há cinco anos e cinco meses.

“Tenho a missão de ajudar o povo a rezar e rezar bem com minha música”, diz. Ela conta que, a cada testemunho partilhado com o romeiro de Nossa Senhora, acredita mais na força da oração pela música. “Digo que a música é um instrumento de evangelização eficaz, pois vai direto ao coração das pessoas, mexe com seus sentidos – alivia as angústias, renova a esperança, leva alegria – e transforma à luz do Evangelho”, completa.

A cantora avalia a participação feminina nos trabalhos pastorais como vital para a Igreja. “Sua presença é sempre fecunda e, desde outrora, Deus escolheu uma mulher, Maria, como sua serva e realizou através dela grandes coisas”, diz.

Para a cantora, Deus continua a chamar e a capacitar outras “Marias”, que continuam a gerar Jesus no seio da Igreja, da família e da sociedade. Ela vai além, lembrando que cada uma dessas “Marias” carrega em si o dom de ser capaz, pela graça de Deus.

Mesmo que o sacerdócio reservado aos homens seja uma questão indiscutível, é a partir de exemplos como o de Elaine – e de outras milhares de “Marias” que atuam como catequistas, ministras da eucaristia e em outras atividades pastorais – que Francisco põe fé na ampliação da participação feminina, sobretudo na tomada de decisões importantes, nos diferentes âmbitos da Igreja. Basta que elas exerçam o protagonismo a elas reservado.

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