Por Carolina Alves Em Notícias

Organização reúne setores sociais no combate às drogas

O uso de drogas lícitas e ilícitas é um hábito que se consolida cada vez mais cedo entre os jovens brasileiros. Para enfrentar o problema por meio da prevenção, em novembro de 2008, a cidade de Pindamonhangaba (SP) recebeu a primeira Coalizão Comunitária Antidrogas do Brasil. Fruto de uma entidade sem fins lucrativos, o grupo busca a diminuição dessas estatísticas pela criação de Coalizões, apoio e assistência técnica às comunidades ao redor do país.

Foto de: Arquivo Pessoal

Eliane Prado Marcondes - Arquivo Pessoal

Eliane Prado Marcondes: "O trabalho
é pioneiro no país, estado e região.
Portanto, minha avaliação é de que
ele vem ganhando visibilidade em
todos os níveis, uma vez que a 
expansão realizada em parceria com
a CADCA até 2016 no país, em três
estados brasileiros e 9 cidades: PE,
RJ e SP, amplia os horizontes desta
estratégia de redução de índices de
uso de drogas por menores, atingindo
o lema de ter 'uma comunidade 
segura, saudável e livre de drogas'"

Seguindo um dos princípios da metodologia das Coalizões, “problemas locais requerem soluções locais”, Pindamonhangaba é considerada exemplo de eficiência na prevenção do consumo de álcool por menores de idade, além da conscientização de comerciantes para a não venda do produto.

Por meio de estudo realizado na cidade, em parceria com Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade de São Paulo (USP) e Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad), detectou-se redução de 30% na venda de bebidas alcoólicas a menores após dois anos de chegada da Coalizão. “A conscientização dos representantes de comércio foi realizada por meio de campanhas e ações de fiscalização pela Postura Municipal (fiscalização da prefeitura), do Conselho da Criança e Adolescente, do Conselho Tutelar, da Polícia Militar, Voluntários da Coalizão e Promotoria da Infância e Juventude ao longo dos primeiros dois anos de inauguração da ‘Coalizão Pinda’, como é conhecida, inclusive com estratégias de aplicação da Lei em festas públicas”, ressalta a presidente da Associação Pró-Coalizões do Brasil, Eliane Prado Marcondes.

A ideia de implantar uma Coalizão no Brasil surgiu de um trabalho voluntário já realizado junto aos familiares de dependentes químicos no Vale do Paraíba. Conscientes da relevância do programa nos EUA, o grupo de Pindamonhangaba recebeu o convite para ser “projeto piloto” do país.

O trabalho originado em 1992, nos Estados Unidos, Community Anti-Drug Coalitions of America (CADCA), tomou proporções internacionais, atuando ao longo de cinco continentes, em 19 países, dentre eles, México, África do Sul, Itália e Filipinas.

Embora em todo o mundo sejam utilizados os mesmos princípios da metodologia da CADCA, há a necessidade de compreender o local para que a estratégia de trabalho seja planejada e a ação seja eficaz, como explica Eliane. “Para que a comunidade tenha a evidência de seus problemas relacionados ao uso de drogas por crianças e adolescentes é necessário que se faça o diagnóstico comunitário, seguindo assim o planejamento estratégico de prevenção segundo a CADCA. Durante essa etapa do processo é necessária a parceria com equipes técnicas de pesquisa das universidades, faculdades ou outras instituições”, esclarece.

Para instituir uma Coalizão em determinada região, é necessário que algum representante do governo local ou de um setor da sociedade manifeste interesse na entidade. “Primeiramente, a coordenação para implantação da Coalizão na cidade indica e convida representantes dos 12 setores da comunidade a participar dos treinamentos para construir uma Coalizão Comunitária. Os 12 setores são: segurança, saúde, justiça, comunicação, governo, educação, adolescentes/jovens, ONG’s que trabalhem com essa mesma causa, famílias, igrejas e organizações fraternais, indústria e comércio, além de organizações civis, como grupos de escoteiros, Rotary, Lions e outros”, cita a presidente.

A próxima etapa é unir outras esferas comunitárias para que participem de uma capacitação. “Os treinamentos são realizados durante um ano e meio na cidade que deseja implantar Coalizões. Eles são divididos em módulos seguindo a metodologia da CADCA e após a implantação da nova Coalizão também existe o acompanhamento técnico realizado pela Associação Pró-Coalizões Brasil”, elucida Eliane.

A partir disso, iniciam os trabalhos de participação em eventos como audiências públicas, congressos e fóruns, além da divulgação na mídia.

Mais da metade dos jovens já consumiu álcool

Foto de: Coalizão Pinda

Coalizão Pinda - Coalizão Pinda

Jovens participam de oficina oferecida no evento "Em
busca do melhor", em Pindamonhangaba (SP). O
objetivo é incitar reflexão sobre temas como "Arte das 
Ruas", "Violência", "Orientação Vocacional" e "Raça e
Etnia"

Segundo estudo realizado pelo Centro Brasileiro sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Unifesp, em 2010, 60% dos estudantes brasileiros afirmaram ter consumido bebida alcoólica ao menos uma vez na vida. Dentre esses, 15,4% tinham entre 10 e 12 anos, enquanto 43,6%, entre 13 e 15 anos. A pesquisa foi aplicada em alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e do 1º ao 3º ano do ensino médio, em colégios públicos e particulares. 

Mas os números não param por aí. Dados levantados pelo estudo Distribuição do consumo de álcool e problemas em subgrupos da população brasileira registraram que a parcela de adolescentes entre 14 e 17 anos é responsável por 6% do consumo anual de álcool. Já o grupo que compreende os jovens de 18 a 29 anos corresponde a 40%, número que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é equivalente a 1/5 da população nacional. Ministrada pelos psiquiatras Raul Caetano, Ronaldo Laranjeira e Marcos Zaleski, além da ex-vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool (Abead), Ilana Pinsky, a pesquisa consultou cerca de 3.000 pessoas em todo o Brasil.

Ainda, números gerados por meio da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), divulgados pelo IBGE em 2012, apontaram que, em 2011, aproximadamente 75 mil alunos do último ano do ensino fundamental fumavam maconha e 15 mil, crack. Quase a metade desses números, 45,5%, representava estudantes de 14 anos. Dos respondentes, 7,3% declararam a experiência com drogas como maconha, cocaína, crack, cola, loló, lança-perfume e ecstasy, sendo que 2,6% tinham menos de 13 anos.

 

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