Por Allan Ribeiro Em Notícias

Padre defende pluralismo nas instituições de ensino

Com base no pluralismo proposto pelo Concílio Vaticano II, padre Márcio Fabri dos Anjos, produziu o livro Pastoral Escolar. Ele defende que os trabalhos pastorais nas instituições de ensino não devem contrapor religiões, mas buscar questões e problemas comuns vividos pela humanidade, incentivando os estudantes a proporem uma solução a essas questões.

Foto de: Arquivo Pessoal

Pe. Márcio Fabri - Arquivo Pessoal

O lançamento do livro Pastoral Escolar acontece
em julho, no Congresso Nacional de Educação
Católica, em Curitiba (PR)

O autor explica ao JS novas vertentes que podem ser aplicadas de forma mais eficaz nos ambientes escolares. Ele ressalta que a Pastoral Escolar não pode ocupar um local periférico no planejamento da escola, mas central.

Jornal Santuário de Aparecida – A publicação do senhor aborda a questão Pastoral nas escolas. Como o senhor avalia o desenvolvimento desse trabalho ao longo dos anos?

Padre Márcio Fabri dos Anjos A Pastoral foi uma preocupação, de modo geral, das Igrejas, inclusive da Católica e da Evangélica. A Pastoral faz uma passagem entre a fé e a educação das crianças. Podemos alinhar os conhecimentos da fé com os conhecimentos científicos. É uma preocupação coerente, de estar presente em um lugar importante como a educação. É o ponto de partida, onde nasce uma evolução das concepções de Pastoral Escolar dada as modificações da sociedade.

JS – Qual direcionamento a publicação oferece?

Padre Márcio – Essas modificações da Pastoral Escolar têm oscilado entre uma presença confessional de como cada religião quer passar suas doutrinas na escola. Acaba sendo um momento privilegiado para que as convicções religiosas estejam presentes e se manifestem. Tem sido um espaço para as religiões fazerem uma divulgação dentro da escola.

Dentro disso, estabelecemos outra proposta para a Pastoral que nasce de uma concepção extremamente importante, que é cuidar. A palavra pastor é colocada por Jesus como cuidador, lembrando as ovelhas do seu tempo. O bom-pastor é aquele capaz de dar a vida, dedicar-se ao bem das ovelhas que, no caso, seriam os cuidados que temos com as pessoas.

A Pastoral Escolar seria uma instância de cuidado global. O essencial está em oferecer uma ajuda para que o conhecimento ou a educação cognitiva se amplie para uma sabedoria de vida. Isso vai um pouco além da questão da fé e da doutrina. Significa um cuidar integralmente das pessoas, levando em conta que quem frequenta as escolas, mesmo católicas, não são necessariamente pessoas católicas.

A concepção que temos de ter deve ser mais grandiosa, temos de recuperar a questão cristã de sermos cuidadores. Planto a ideia de uma Pastoral que abra um pouco mão dos rituais religiosos e celebrações, mas que abra um espaço que leve as pessoas a se educarem para a vida. Aqui é que entra a outra forma de fazer a Pastoral Escolar.

JS – Quais são os desafios vividos pela Pastoral Escolar?

Padre Márcio – Tomando o pluralismo e os desafios de uma educação integral, a sociedade hoje acaba sendo marcada pela cultura tecnológica que é impragmática e muito voltada para instrumentalidade das coisas, para os efeitos mais imediatos. A sociedade como um todo está marcada pela abundante produção. Nesse sentido, a Pastoral tem um papel importante dentro da escola de facilitar uma educação que abra caminhos para a passagem da ciência para a sabedoria. Há uma necessidade de ajudar os educandos para que possam fazer uma conexão com aquilo que eles aprendem em sala de aula com conhecimentos mais amplos.

JS – O trabalho da Pastoral envolve não apenas os alunos, mas também pais, professores e colaboradores das instituições de ensino. Como funciona esse processo de interação?

Padre Márcio – A Pastoral Escolar cuida também dos cuidadores. Os professores também cuidam dos alunos. Se existe uma interação com a Pastoral os professores vão compreendendo que o serviço maior da educação integral que eles prestam. Ela também interage com os servidores da escola. Se eles estão atentos a essa dimensão mais ampla e integral que é a educação, então eles poderão criar um ambiente escolar propício não só para aprender os dados da ciência, mas também os da sabedoria de vida.

Outro grupo de sujeitos importantes são os pais. Os pais têm de entender como a escola contribui, mas compreender que ela também não pode fazer tudo e substituir. É importante essa interação do pais para compreender os sentidos mais amplos que vão sendo trabalhados nas escolas.

A Pastoral Escolar não pode ocupar um local periférico no planejamento da escola, mas central.

JS – Como despertar o desejo nos jovens e nas crianças para que eles possam interagir com a Pastoral?

Padre Márcio – Não vamos apresentar as questões como cristãs. Precisamos apresentar como desafios para a humanidade, para as quais o cristianismo tem algumas propostas. Não vamos omitir as propostas que defendemos como cristãos, mas dentro do pluralismo, respeitando até os alunos que não são cristãos.

Vamos fazer com que as pessoas possam encontrar o caminho de dignidade, de justiça e de paz. Dentro disso, as religiões devem contribuir. Esse é o apelativo maior.

Se fazemos da nossa visão cristã uma imposição ela é contraditória. A forma de fazer contradiz a forma que queremos lutar. Se ela é impositiva, ela não é excelente. Ela tem de pegar pela beleza do respeito e da solidariedade. A gente quer o bem das pessoas, não individualmente, mas em comunidade.

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