Por Deniele Simões Em Notícias

Padre Jurandyr Araújo fala dos preparativos para VIII Conenc

A Pastoral Afro-brasileira, organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), prepara a oitava edição do Congresso Nacional das Entidades Negras Católicas (CONENC), que será de 16 a 19 de julho.

 

O assessor da CNBB para a Pastoral, padre Jurandyr Azevedo Araújo, conversa com o JS sobre os encontros preparatórios para o Conenc e traça um panorama geral do trabalho do organismo, criado oficialmente em 1998.

Jornal Santuário de AparecidaComo está sendo a caminhada preparatória para o VIII Congresso Nacional das Entidades Negras Católicas?

 

Padre Jurandyr Azevedo Araújo – A partir de 2014 estamos dando continuidade a um projeto de fazer acontecer nos regionais, dioceses, paróquias e comunidades Conenc. Antes havia somente o nacional.

 

Os encontros têm como finalidade discutir, refletir, apresentar proposições e compromissos para novas estratégias de atuação em cada entidade, buscando um relacionamento cooperativo e ético que conduza a novas atitudes de parceria e de construção coletiva. Vamos proporcionar intercâmbio de experiências entre as diversas entidades negras que o integram; incrementar estudo de ações afirmativas e medidas compensatórias, objetivando propostas de políticas públicas em favor do povo negro, a serem adotadas pela Igreja, sociedade e Estado. Assim vamos enriquecendo o processo de inculturação da ação evangelizadora da Igreja.

JS  Há quanto tempo existe a Pastoral Afro-brasileira e quais são seus propósitos?

Foto de: CNBB

Conenc - CNBB

Padre Jurandyr ressalta que trabalho da Pastoral
Afro-brasileira também marca presença no combate
ao racismo, ao preconceito, à xenofobia e a outras
formas de discriminação

Padre Jurandyr – A Pastoral, que entendida como o agir da Igreja, começou quando chegaram aqui os negros arrancados da África. A partir dos anos 1970, na Igreja, começou com um grupo de cinco sacerdotes negros, convocados pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para elaborar um documento para a Conferência de Puebla. A partir daí se percebeu a necessidade de uma atenção pastoral para com os grupos culturais indígenas e Afro-americanos. No dia 7 de setembro de 1981, foi criado o Grupo de União e Consciência Negra. Durante a celebração de uma missa, na Catedral da Sé, em São Paulo, um grupo de padres pede, em alta voz, a criação da Pastoral Afro-Brasileira. Em 1988, aconteceu a Campanha da Fraternidade sobre o Negro.

A Pastoral, fazendo parte da CNBB, começou em 1998 e surge como consequência de um longo processo de conscientização e militância de gerações de negros. Em 2003, passa a fazer parte da estrutura da CNBB.

É a solicitude da Igreja para com os Afro-brasileiros e sua condição de discriminação e exclusão. É um espaço de ação e de conscientização da Igreja e da sociedade para a realidade da população Afro-brasileira. É um atuar com relação aos direitos fundamentais da cidadania para todos, sobretudo para aqueles que vivem à margem da sociedade, em virtude de sua cor e etnia. Marca presença no combate ao racismo, preconceito, xenofobia e outras formas de discriminação.

JS  Como está estruturada essa Pastoral e quais os principais desafios enfrentados?

Padre Jurandyr – Em todas as dioceses do Brasil existem grupos, organizados ou não, ligados ou não à Igreja. O secretariado de Pastoral Afro-brasileira tem a função executiva, sediado na CNBB, articula todos os Regionais da CNBB, os grupos existentes em nível paroquial, diocesano, comunidades e outros grupos com os quais tem parcerias. Participa, em nível Latino-americano e Caribenho (Celam) da Secretaria de Pastoral Afro-americano e Caribenho (Sepac/Celam). O Brasil atualmente coordena essa secretaria. Temos inúmeros encontros, seminários, assembleias regionais, diocesanos, paroquiais e de comunidades, bem como, em nível latino-americano e caribenho.

O Movimento Negro, dentro da Igreja Católica, está progredindo significativamente. O surgimento de muitos grupos está revelando a vitalidade e a sintonia dos segmentos representativos da comunidade negra com as pessoas que lhe são solidárias. É hora de passar das análises e dos discursos para ações afirmativas e concretas, que deem resultados positivos e que possam contribuir efetivamente para a criação de novas condições que estabeleçam um processo de superação das desigualdades.

JS  Como é o trabalho de evangelização e defesa dos povos quilombolas?

Padre Jurandyr – A história das comunidades quilombolas está intimamente ligada à história do Brasil. Não é possível estudar os períodos históricos colônia, império e república desconhecendo a escravidão e uma das formas originais de reação de parte dos negros, que foram os agrupamentos quilombolas.

Quando a escravidão foi abolida, os quilombos permaneceram como espaço de manutenção da vida e como resistência dos afro-brasileiros, até porque a assinatura da Lei Áurea, em 1888, não trouxe possibilidades reais de inserção dos negros na sociedade pós-escravagista.

Respeitando essa história de resistência e, sendo solidária aos enfrentamentos hodiernos, a Igreja manifesta-se sobre as comunidades quilombolas através do texto de estudos 105, a partir da convicção de que elas são participantes da formação cultural brasileira e faz-se necessário contribuir para que tenham seus direitos respeitados.

 

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