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Papa Francisco recebe documento de criação da Rede Pan-Amazônica

A Amazônia agora tem um documento guardado em boas mãos. Durante a audiência geral no Vaticano, realizada no dia 4 de março, o documento de instalação da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam) foi entregue ao Papa Francisco pelo presidente da Comissão para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal dom Cláudio Hummes.

Foto de: Reprodução / CNBB

Documento Repam - Reprodução CNBB

Papa Francisco recebe documentos das mãos 
de dom Cláudio Hummes

A Repam quer ser uma força de atuação da Igreja na Amazônia, somar, criar comunhão, dar voz à Amazônia na sociedade, diante das organizações nacionais e internacionais, que têm poder de decisão sobre a Amazônia. Também quer dar consciência da capilaridade da Igreja, e de sua presença. A Repam deseja ser a força de Jesus Cristo na região que, por vezes, é tão agredida e devastada por interesses econômicos e exploratórios.

O Comitê da Rede se reuniu entre os dias 1º a 4 de março, em Roma, na Casa Geral dos Consolatas, para tratar dos andamentos dos trabalhos e definir agenda de atividades para 2015. dom Cláudio Hummes também foi designado porta-voz e representante da Rede na América Latina.

A rede envolverá a Igreja na Guiana, Suriname, Guiana Francesa, Venezuela, Equador, Colômbia, Bolívia, Peru e Brasil. O território tem 6 milhões de quilômetros quadrados e uma população de 30 milhões de habitantes.

A ideia é promover um trabalho conjunto de agentes de pastoral, sejam consagrados, ordenados ou leigos. No dia 2 de março, o comitê executivo participou de coletiva na Sala de Imprensa da Santa Sé, mediada pelo Pontifício Conselho Justiça a Paz. Na ocasião, foi apresentada por dom Cláudio a proposta de criação da Rede e sua missão, com presença de diversas instituições internacionais que apoiam a iniciativa.

Ações integradas

Dom Cláudio explicou alguns dos objetivos da Rede: “Nos nove países latino-americanos que constam como território amazônico, a Rede quer unir os esforços da Igreja em favor da habitação responsável e sustentável em toda a região e para o bem integral, direitos humanos, a evangelização, o desenvolvimento cultural e social de seu povo, especialmente os povos indígenas, os nativos”.

Com a Repam, os participantes dos países que compõem a Pan-Amazônia assumiram o compromisso de responder, de maneira eficaz, aos clamores do tempo presente, com a missão: “Criar consciência nas Américas sobre a importância da Amazônia para toda a humanidade. Estabelecer, entre as igrejas locais dos diversos países sul-americanos, que estão na fronteira amazônica, uma pastoral de conjunto com prioridades diferenciadas para criar um modelo de desenvolvimento que privilegia os pobres e sirva ao bem comum”.

“O Santo Padre Francisco foi fortemente encorajado nessa direção, quando na Jornada Mundial da Juventude em 2013, no Rio de Janeiro, falando com os Bispos do Brasil, disse que a Amazônia é um teste decisivo, um teste para a Igreja e acrescentou um lembrete forte de respeitar e cuidar de toda a criação que Deus confiou ao homem”, relembra dom Cláudio Hummes.

De acordo com o cardeal em seu pronunciamento, a criação de Repam acrescenta incentivo adicional e revitalização do trabalho da Igreja na Amazônia, desejado pelo Santo Padre. “Lá, a Igreja quer ser corajosa e decisiva, uma Igreja missionária, misericordiosa, profética, perto de todas as pessoas, especialmente os mais pobres, excluídos, rejeitados, esquecidos e feridos. Uma Igreja com rosto amazônico e clero nativo.”

Criação

A Repam foi criada em setembro de 2014, durante encontro ocorrido na sede das Pontifícias Obras Missionárias, em Brasília (DF). Lideranças de 11 países, entre bispos, presbíteros, missionários e missionárias de congregações que trabalham na Região Amazônica, representantes de algumas unidades da Cáritas e leigos pertencentes a várias estruturas da Igreja estiveram envolvidos na reflexão sobre o fortalecimento da presença missionária na área.

“A Igreja na Amazônia quer se juntar a uma rede para somar esforços, para encorajar uns aos outros e ter uma voz profética nos níveis internacionais mais importantes, quando a Amazônia e seu povo estão em questão”, expressou dom Cláudio Hummes.

Segundo dom Cláudio Hummes, a Amazônia, infelizmente, é também uma área cada vez mais devastada e ameaçada devido ao crescente desmatamento, aos grandes projetos de agronegócio, às hidrelétricas, à extração de petróleo e a outras riquezas minerais, às monoculturas e a constantes mudanças climáticas que representam risco grave nos termos do ambiente natural, na dignidade e autodeterminação da população, especialmente dos indígenas, das pessoas pobres e simples, à margem dos rios, dos camponeses, dos afrodescendentes e até mesmo dos pobres urbanos. “Por isso, a Igreja na Amazônia quer se juntar a uma rede para somar esforços, para encorajar uns aos outros e ter uma voz profética nos níveis internacionais mais importantes, quando a Amazônia e seu povo estão em questão.”

O Papa Francisco, ao saber da criação da Rede, já havia enviado uma mensagem aos seus membros parabenizando pela iniciativa. “Faço votos de que a fadiga quotidiana de quantos servirem na Rede Eclesial Pan-Amazônica contribua para alargar os espaços da compreensão e da solidariedade entre os homens e os povos, refletindo constantemente aquela Luz das nações”, enfatizou o Sumo Pontífice.

A Rede eclesial Pan-Amazônica conta com o trabalho de bispos, sacerdotes, missionários, religiosas e leigos. Nasceu a partir da união e cooperação de entidades como o Departamento de Justiça e Solidariedade do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), a Comissão Episcopal para a Amazônia da CNBB, a Confederação Latino-Americana de Religiosos e Religiosas (Clar), a Secretaria da Cáritas América Latina e Caribe e do Pontifício Conselho Justiça e Paz.

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