Por Allan Ribeiro Em Notícias

Parte do baldaquino é revelada no Santuário Nacional

A cada azulejo e pastilha colocada, a Casa da Mãe Aparecida ganha nova cor e vida. Sobre o altar central se revela um trabalho minucioso e delicado de revestimento do baldaquino, que é formado pelos grandes arcos que sustentam a cúpula central. Os primeiros resultados foram conhecidos pelos devotos de Nossa Senhora no último mês. A primeira coluna, de quatro que serão apresentadas, traz o retrato de parte da fauna e flora brasileira, além de contextos bíblicos. Todos os elementos se unirão à cúpula para formar o cosmos criado por Deus.

Foto de: Thiago Leon

Baldaquino - Thiago Leon

Os 60 metros do baldaquino estão sendo revestidos com porcelanas vindas da China

 

Com traços leves e cheios de simbolismo, a obra exprime uma arte singular, muito diferente de outros templos do país. A primeira parte do baldaquino revela a fauna e a flora brasileira, sobretudo, da região litorânea e Centro-Sul do país. Um anjo branco, de aproximadamente dez metros, compõe o baldaquino. Além dele, outros três – um caboclo, um indígena e um negro – farão parte das demais divisões da estrutura, referenciando todas as raças brasileiras.

Quando finalizados, o baldaquino e a cúpula central representarão todos os elementos da criação do universo. Todo esse trabalho tem o olhar atento do artista plástico Cláudio Pastro. Convidado há 16 anos pelo então arcebispo de Aparecida (SP), dom Aloísio Lorscheider, e por dom Darci José Nicioli, que na época era padre e administrador do Santuário, o artista sacro foi responsável por outras intervenções no espaço, como os vitrais e o revestimento das paredes das quatro naves do Santuário. “Nenhuma Basílica no mundo tem essa visão toda que temos de Aparecida. A Basílica vai ser única”, expressa Pastro.

Com a missão de deixar o templo com esplendor maior, digno da Rainha do Brasil, o artista não poupa esforços. “Eu me sinto convidado pelo próprio Cristo e pelo próprio Senhor. Eu fui agraciado com esse convite, mas, tenho que fazer jus a ele. Além da arte, tenho de ter uma visão do que é ser Igreja e do que é ser cristão. Tenho de ter um grande conhecimento”, enfatiza.

No alto da cúpula, que ainda permanece fechada, será constituído a árvore da vida. Serão 24 pássaros brasileiros que irão repousar no entorno do mosaico. As tésselas que compõem esse cenário estão sendo produzidas na Itália, na cidade de Veneza, pela empresa Orsoni. Depois são montadas em placas numeradas pela empresa Friul Mosaic, na cidade de San Martino al Tagliamento. De acordo com o artista sacro, a arte representa cada cristão que vem a Aparecida, que assim como as aves, encontram no templo a proteção do Reino que habita em nós, que é o próprio Cristo.

Abaixo da cúpula será possível avistar diversos elementos da natureza como palmeiras, o fogo e a água. No baldaquino estará a saudação do Arcanjo Gabriel à Virgem, presente na primeira parte da Ave-Maria, e as palavras da Santa Isabel no encontro com sua prima. Além disso, serão apresentadas as quatro fases do nascimento do ser humano: um casal, a fecundação de um óvulo, um embrião e um bebê ao nascer.

O baldaquino era definido como a estrutura que cobria o leito nupcial de uma casa real, no período Persa. Mas, esse simbolismo passou a ser representado também sobre o altar dos templos cristãos. A missa como ponto central do cristianismo é apresentada como as núpcias do Cordeiro Imolado com sua amada, que é o povo de Deus, a Igreja. A partir dessas referências, Pastro buscou transformar o ambiente no Santuário Nacional em um espaço onde se pudesse guardar o grande tesouro que é o Mistério Pascal, centro da vida dos cristãos.

Os 60 metros de colunas estão sendo revestidos com porcelanas de 9,5x9,5 e 5x5 cm vindas da China. A arte impregnada nas peças é feita em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba (PR). As pinturas são levadas ao forno, em uma temperatura que oscila entre 600 a 1.100 ºC.

Pastro explica que as obras no templo não são como uma colcha de retalhos. Desde o início do projeto artístico do Santuário, todos os trabalhos foram pensados para garantir a harmonia de todo o templo. O artista ressalta que tudo que está na Basílica forma um conjunto único, porque Deus é um só.

Foto de: Thiago Leon

Cláudio Pastro - Thiago Leon

Há 16 anos à frente do projeto artístico do Santuário
Nacional, Cláudio Pastro acompanha de perto as obras
na cúpula e no baldaquino

“No sentido que temos todo o cosmos e nada vive sem a interação de todos os elementos, ninguém é maior. Maior só é Deus. Por isso, bem no alto da cúpula temos um sol, como a luz. Esse é o primeiro elemento da criação. Temos a ave branca, como na tradição oriental, corresponde ao pássaro da criação do universo, que chocou o mundo, fazendo-o ter vida”, explica o autor, ressaltando a unidade de todo o processo artístico. 

A obra completa será apresentada ao público em 2017, ano da celebração do tricentenário do encontro da Imagem de Aparecida nas águas do Paraíba do Sul.

Projetos futuros

Com o término das obras no entorno do altar central, deve-se dar início ao acabamento das rampas de acesso à Imagem. Além disso, outras duas capelas, as de passagem, no ambiente interno do Santuário, assim como a de São José e a do Santíssimo, devem ser elaboradas por Pastro.

Em celebração ao Jubileu da Misericórdia, que terá início no dia 8 de dezembro, o Santuário atenderá ao pedido de Papa Francisco para que, além da Basílica de São Pedro, no Vaticano, outros templos possam instituir a abertura da Porta Santa. Para a abertura do Ano Santo, o artista plástico desenhará uma porta trabalhada em bronze.

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