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Pesquisas revelam desinteresse por carreira acadêmica

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jovens não querem ser professores

Pesquisa do Nube aponta que  40% dos jovens não querer seguir carreira no magistério, devido à falta de valorização profissional

 

De acordo com dados do Censo Inep/MEC 2012, existem mais de 7 milhões de alunos no Ensino Superior no Brasil. Desses, 19,5% estão matriculados em cursos de licenciatura. Ou seja: todos são preparados, durante a graduação, para se tornarem professores do ensino médio e fundamental. Mas será esse o sonho de carreira desses jovens? A questão foi o tema da última pesquisa realizada pelo Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube). A pesquisa perguntava: "Você tem vontade de ser professor de ensino fundamental ou médio?"

Realizada entre os dias 2 e 13 de dezembro do ano passado, a pesquisa on-line contou com a participação de 6.910 internautas. As alternativas foram "Sim, tenho vocação para ensinar", "Já tive vontade, mas desisti pelas más condições", "Não, é uma profissão cada vez menos valorizada" e "Sim, apesar de ter um baixo salário".

A opção vencedora foi "Não, é uma profissão cada vez menos valorizada" com 40,07%.

Para o analista de Treinamento do Nube, Henrique Ohl, esse pode ser um reflexo das manifestações, iniciadas no meio de 2013. "A população não está satisfeita com a educação de maneira geral. Além disso, a faixa salarial destes profissionais está abaixo da maioria das outras carreiras, tornando-a menos atraente. As más condições de trabalho e as frequentes greves nas universidades também são fatores importantes na decisão dos jovens", comenta.

Em seguida, veio "Sim, tenho vocação para ensinar", com 28,93%. "Em se tratando de professores, a felicidade está muito mais relacionada ao desejo profissional quando comparada ao salário. Quem “nasceu com o dom” tem facilidade para atuar e, consequentemente, mais motivação para trabalhar", explica Ohl.

Em terceiro, com 19,70% ficou "Já tive vontade, mas desisti pelas más condições". Com isso, a soma das duas respostas negativas totaliza 59,77% dos votos, servindo como um alerta para um possível "apagão" de educadores.

Por fim, "Sim, apesar de ter um baixo salário" terminou com 11,30%. "Tão importante quanto a dedicação é a reivindicação por melhorias de salários e condições de trabalho. O futuro deve ser construído pelos adultos de hoje, não pelos de amanhã", finaliza Ohl.

Embora o número de formados aumente a cada ano, mais pesquisas revelam o desinteresse pelo carreira de educador. De acordo com dados do Ministério da Educação (MEC), só nas áreas de Matemática, Física e Química, o déficit é de 170 mil posições. Outro levantamento, realizado pelo Inep, mostra uma realidade preocupante. Cerca de 53,5% dos docentes do ensino médio público e particular não têm a formação ideal para lecionar; ou seja, o diploma de licenciatura.

Em definitivo, Ohl reforça que a maior dificuldade se encontra na valorização dos profissionais. Isso incluí: aumento de salários, melhores condições de trabalho (espaço físico, disponibilidade de materiais e outros recursos) e mudanças culturais. “A população também possui influência na desvalorização do professor. O desrespeito de alguns jovens em relação ao mestre também influencia a desistência por seguir carreira no magistério, afinal, quem gostaria de ser professor no futuro, vendo colegas de profissão sofrendo ameaças e agressões diárias?”, finaliza. 

Mais números

Outra pesquisa realizada na Faculdade de Educação (FE) da Universidade de São Paulo (USP) e divulgada pela USP Agência de Notícias, mostra que metade dos alunos dos cursos superiores de licenciatura em Física e Matemática não se interessa ou tem dúvidas em se tornarem professores de educação básica.

O estudo é da pedagoga Luciana França Leme que recomenda que a licenciatura seja mais valorizada nas áreas de Física e Matemática, e que os alunos de Pedagogia tenham mais oportunidades de vivenciar a experiência de ensinar em sala de aula.

Ao todo foram aplicados 512 questionários que serviram para verificar se os estudantes tinham interesse em ser professores da educação básica, que abrange a educação infantil (de zero 5 anos de idade) e os ensinos fundamental (de 6 a 14 anos) e médio (de 15 a 18 anos). “A maior motivação da pesquisa foi a escassez de professores no Brasil, em especial na área de ciências exatas, pois estudos indicam que poucos jovens querem seguir carreira docente”, diz Luciana.

A porcentagem de alunos que não pensavam em ser professores ou tinham dúvidas sobre essa opção foi de 52% na licenciatura em Física e 48% na Matemática. Na Pedagogia, 30% descartaram seguir o magistério ou estão em dúvida. “O índice é menor porque muitos alunos ingressam nessa carreira pensando em ser professores, além de outras razões, como a possibilidade de trabalhar com crianças.”

A questão salarial apareceu como uma das principais razões pensadas para se optar ou não pela profissão. “Normalmente, quem queria entrar no magistério sabia exatamente o valor dos salários pagos aos professores, enquanto os que não tinham interesse estimaram valores fora da realidade, ou muito altos ou muito baixos”, diz a pesquisadora.

Luciana recomenda que os professores sejam reconhecidos como profissionais da educação. “Isso não deve acontecer apenas em termos de imagem pública, pois o professor é o único profissional capacitado que pode atuar no aprendizado dos alunos da educação básica. O reconhecimento também deve vir em termos de carreira e de salário, viabilizando meios de ascensão social que não passem pelo abandono da atividade educacional”, destaca.

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