Por Alexandre Santos Em Notícias

Preocupação com estabilidade financeira afasta jovens do altar

Hoje em dia, há muitas pessoas que não querem se casar. Para alguns, foi-se o tempo em que, principalmente, as mulheres suspiravam sonhando com um pedido de casamento. Claro que isso ainda existe, mas pesquisas recentes mostram que os jovens estão demorando mais para pensar em casamento.

Foto de: Arquivo Pessoal

Sandro Arquejada - Arquivo Pessoal

"Como é gostoso saber que a minha
esposa, com quem fiz um compromisso 
para sempre, estará comigo na saúde e 
na doença, na alegria e na tristeza. A 
vocação do homem e da mulher é o 
casamento. Fomos feitos para essa
vida esponsal"

Para falar sobre isso, conversamos com o escritor Sandro Arquejada, autor de livros sobre namoro e relacionamentos. Para ele, principal fator é uma preocupação maior da geração atual com a estabilidade financeira.

Jornal Santuário de AparecidaA que você atribui o fato de as pessoas casarem mais tarde?

Sandro Arquejada – A sociedade mudou. Muitos conceitos foram transformados num período de 30 a 40 anos. A geração de hoje tem preocupações diferentes das que tinham nossos pais. A dinâmica da vida é diferente. Meus avós, por exemplo, casaram com 15 e 18 anos. Meus pais com cerca de 25 anos. Hoje em dia, a preocupação dos jovens com o estudo, as finanças e a vida profissional é muito maior. Primeiro é preciso estudar, arrumar um emprego, estruturar-se profissionalmente etc. Até conquistar tudo isso leva tempo. E aí o jovem demora a pensar em casamento. Porém, quando chega lá pelos 30 anos, parece que cai a ficha e algumas pessoas ficam com um certo sentimento de frustração.

O que eu digo para os jovens é o seguinte: você pode namorar e viver sua vida afetiva enquanto estuda, trabalha e vai se estruturando. A grande base para se construir uma família não é financeira, mas sim os valores, sobretudo o amor. Não queira ter tudo pronto para poder se casar. É muito mais gostoso quando o casal vai conquistando suas coisas e também aprendendo a construir tudo isso juntos.

JSVocê acha que hoje existe uma preocupação exagerada a respeito disso?

Sandro Arquejada – Atendendo a casais, a gente percebe que muitos têm tudo, mas não têm o principal: uma base sólida no amor, na cumplicidade e na amizade. Há casais que têm contas bancárias, vidas financeiras separadas, quando o intuito do casamento é ter tudo em comum. Há casais que não sabem conversar sobre aspirações e sentimentos mais profundos, sobre os sonhos, os erros que cometeu na vida, falta esse tipo de diálogo. Tudo isso é construído no namoro. Se você tem a condição de casar tendo tudo, ótimo, mas acho muito válido quando o casal aprende a construir a vida juntos. Como é gostoso aceitar certas renúncias por causa de um projeto em comum. Isso amadurece o amor.

JSOs jovens de hoje ainda dão importância ao casamento?

Sandro Arquejada – Percebo um discurso cada vez mais frequente desqualificando o casamento. Por isso vão surgindo outros tipos de relacionamento: por exemplo, pessoas que escolhem morar juntas antes de se casar. É a cultura do test drive. Isso é muito prejudicial, porque o ser humano não é só racional e físico. Muitas e muitas vezes, esses testes não dão certo, a pessoa se frustra na afetividade, cria uma “casca”, como proteção para não sofrer mais, e não realiza a sua vocação.

Enquanto tudo está dando certo, enquanto o casal se dá bem, um supre as necessidade e carências do outro. Só que, quando não é mais possível satisfazer as expectativas financeiras, sexuais e afetivas da outra pessoa, corre-se o risco de perder tudo.

Como é gostoso saber que a minha esposa, com quem fiz um compromisso para sempre, estará comigo na saúde e na doença, na alegria e na tristeza. A vocação do homem e da mulher é o casamento. Fomos feitos para essa vida esponsal.

JS – Fazendo um mea culpa, você não acha que muita dessa desesperança é também culpa de muitos casais, até cristãos, que falam mal do casamento, caracterizando-o como um sacrifício penoso?

Sandro Arquejada – Concordo com você. Parece que a má notícia atrai mais que as boas. Há um ditado que diz: uma árvore que cai faz mais barulho do que uma floresta inteira que cresce. Isso vai colocando a gente para baixo, vai nos deixando pessimistas.

Nós, casados, muitas vezes esquecemos de falar das coisas boas. Existe sacrifício? Claro. Mas aquele sacrifício gera tantos benefícios no coração de cada um e no próprio relacionamento. A gente tem a responsabilidade de testemunhar, de falar sobre as coisas boas que o casamento nos proporciona.

Diante de tudo o que vivi, quanto cresci como ser humano, o quanto cresci enquanto pessoa. Com certeza minha esposa me ajudou nesse processo todo.

As pessoas falam muito: “casou, muda”. Não houve uma grande mudança para mim, porque a gente namorou certo. Existia aquela preocupação de conhecer profundamente a outra pessoa. Eu a conheci naquilo que gostava e que não gostava, até a hora em que eu a assumi definitivamente.

JSVivemos num tempo em que tudo parece ser descartável. Qual o maior desafio de falar sobre casamento indissolúvel para jovens que já nasceram numa sociedade que não suporta vínculos definitivos?

Sandro Arquejada – O maior desafio é convencê-los de que é preciso separar. Há muitas coisas que são descartáveis, são fast food. Esse tipo de sociedade impõe sobre as pessoas, principalmente os jovens, uma ansiedade intencionalmente criada para gerar consumo.

A pessoa vem com essa ansiedade toda, e aí é preciso orientar a dar um tempo, olhar pra si mesmo. É preciso levá-los a perceber que eles não são descartáveis. As pessoas ao redor também não são descartáveis. Uma coisa é lidar com objetos, outra é lidar consigo mesmo e com as outras pessoas.

É importante descobrir valores em si, entender que Deus nos ama e acredita em nós. Mas isso exige um querer firme, muitas vezes aceitar uma renúncia agora em prol de um sentido maior no futuro. Essa felicidade que todos buscam pode ser alcançada, mas precisa ser construída.

 

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