Por Deniele Simões Em Notícias

Presidente da CNBB detalha linhas de ação para próximo quadriênio

“Queremos ser, cada vez mais, servidores de uma Igreja servidora, como tem insistido o Papa Francisco. Esse é o caminho que temos pela frente”. Essas foram as palavras que marcaram o primeiro pronunciamento do novo presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e arcebispo de Brasília (DF), dom Sérgio da Rocha, assim que repercutiu o resultado das eleições para a nova gestão da Conferência e detalhou as linhas de ação para o próximo quadriênio, durante a 53ª AG.

Foto de: Carolina Alves / JS

Dom Sérgio - Carolina Alves JS

Dom Sérgio da Rocha: "As pastorais são um instrumento
precioso de presença da Igreja na sociedade, de superação
das situações de injustiça, corrupção, enfim, para firmar
mesmo a ética na política, mas é preciso que a sociedade
civil se organize cada vez melhor, porque não se pode
esperar que a Igreja faça isso sozinha"

Dom Sérgio ressalta que a CNBB tem exercido seu papel junto aos fiéis e à sociedade com grande reconhecimento e valorização. A intenção, ao assumir a nova gestão, é dar continuidade a essa linha de ação, a fim de que a Igreja tenha cada vez mais presença na sociedade, praticando o que o Papa Francisco chama de “Igreja em saída”.

“Há uma insistência – que já vem vindo nos últimos anos, mas que nessa Assembleia tornou-se ainda mais forte – que a Igreja seja mais missionária, que não fica esperando as pessoas virem até ela, mas que vai aos diversos ambientes e situações da sociedade”, explica.

A opção preferencial pelos pobres na evangelização, que já havia sido reafirmada pelo Documento de Aparecida, em 2007, é uma linha a ser seguida, a fim de que se possa crescer mais no serviço da caridade, da justiça e da paz.

Dom Sérgio agradeceu a Deus pelo fato de as eleições terem transcorrido de modo fraterno e respeitoso. Segundo o novo presidente, o episcopado acolheu o resultado de modo cordial e espírito de unidade.

O novo presidente lembra que as eleições foram programadas para acontecer após a aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE) que, na verdade, foram atualizadas. “Gastamos um bom tempo procurando aprofundar as diretrizes, que devem nortear o trabalho de quem é eleito.”

De acordo com ele, as DGAE serão o grande referencial não só para a presidência como para todos aqueles que foram eleitos durante a AG. Entretanto, ele aponta a necessidade de se traduzir as diretrizes em iniciativas concretas, visando aos projetos pastorais mais específicos. A expectativa é que esses projetos sejam definidos logo após a conclusão da AG.

Dom Sérgio lembra que a CNBB não substitui os bispos locais e, por isso, há todo um esforço para que as decisões na Assembleia Geral sejam conjuntas, facilitando a acolhida e a realização do que propõem as DGAE nas dioceses.

O incentivo às Pastorais Sociais e ao laicato foram colocados pelo novo presidente como linhas de ação a serem intensificadas, na perspectiva de que a Igreja seja uma servidora da sociedade e não uma “controladora”.

“As pastorais são um instrumento precioso de presença da Igreja na sociedade, de superação das situações de injustiça, corrupção, enfim, para firmar mesmo a ética na política, mas é preciso que a sociedade civil se organize cada vez melhor, porque não se pode esperar que a Igreja faça isso sozinha”, salienta.

O avanço da evangelização nas grandes cidades, nas periferias e também nos chamados areópagos, que são os ambientes onde há pouca chegada, também deve ser uma linha de ação. “Aquilo que a CNBB já fazia, ao menos em parte, queremos fazer ainda mais. Creio que esses temas, pela própria necessidade pastoral, tornam-se cada vez mais emergentes”, explica.

Conjuntura político-social

Em relação à conjuntura político-social, dom Sérgio frisa que é preciso dar passos cada vez mais firmes e largos para enfrentar a situação de desigualdade social em que o país vive.

Ele ressalta também que a corrupção preocupa a todos e que, se o problema não for enfrentado de maneira séria, não será possível avançar no campo da justiça social. 

O prelado também esclarece pontos da proposta defendida pela CNBB, denominada Coalizão pela Reforma Política e que conta com a participação de mais de 100 organismos da sociedade civil.

“O fato de a Igreja falar da reforma política, mostrar a importância da palavra política não quer dizer que esteja adotando uma posição que seja do governo que aí está ou de um partido ou outro”, explica.

Nos últimos dias, a CNBB tem sido acusada de estar “alinhada” ao governo por defender a reforma política. Dom Sérgio repercute a questão. “Existem outros projetos diversos daquele que a Coalizão, da qual a CNBB participa, está propondo. Então não é justo”, opina.

O novo presidente ressalta também que a Doutrina Social da Igreja sempre tem pautado os posicionamentos assumidos pela Conferência e não posicionamentos político-partidários.“Nós deixamos muito claro que a CNBB, na sua história e no momento presente, tem o dever de se pronunciar sobre questões sociais e faz isso sempre na fidelidade a Cristo, iluminados pela palavra dele”, salienta.

Ainda de acordo com o prelado, a Igreja deve continuar pronunciando-se a respeito das mais diversas questões, incluindo os temas políticos e sociais, sempre com embasamento no Evangelho e de modo independente. “De nossa parte, aquilo que tem sido e continuará a ser é uma postura de autonomia, de independência diante daquilo que é posição político-partidária”, conclui.

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