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Presidente da Signis Brasil avalia trajetória da comunicação em 2014

A comunicação da Igreja Católica, sem dúvida, tem passado por um peculiar desenvolvimento, talvez pelo maior acesso às tecnologias, talvez pelo maior engajamento da juventude sempre antenada com a internet e as redes sociais. O fato é que nunca se produziu tanto conteúdo.

Foto de: Reprodução

Ir. Helena Corazza - Reprodução

Ir. Helena Corazza, presidente da Signis
Brasil

A atualidade tem revelado que membros importantes da Igreja estão preocupados com a disseminação do Evangelho pelas diferentes mídias e há uma nitidez de que todo esse processo criativo de comunicação está mais profissional e com cada vez mais qualidade.

O ano de 2014 mostrou em números o aumento de pessoas que se interessam por comunicação e Igreja. O maior exemplo é a ascensão do número de participantes no último Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação (Pascom) que reuniu em Aparecida, no mês de julho, mais de 900 participantes, superando 2012 com cerca de 600, 400 em 2010 e 120 em 2008.

A Signis Brasil também é outro exemplo de que os meios de comunicação ligados à Igreja Católica podem formar grandiosidade e força quando unidos com o mesmo objetivo. Observou-se também uma crescente qualidade de conteúdo durante a entrega dos Prêmios de Comunicação da CNBB, em maio, e ainda tivemos a aprovação do Diretório da Comunicação. Enfim, foram grandes frutos durante o ano, por isso o JS convidou a presidente da Signis Brasil, Ir. Helena Corazza, para comentar cada um deles. E 2015? O que se pode esperar? Confira a entrevista.

Jornal Santuário de Aparecida – Podemos definir 2014 como um bom ano para a comunicação da Igreja Católica?

Ir. Helena Corazza – Creio que quando planejamos, nos articulamos e realizamos alguma coisa em conjunto, vivemos o processo da comunicação, por isso, independentemente de resultados quantificáveis, vejo 2014 como positivo, sim. A CNBB aprovou e publicou o Diretório de Comunicação para a Igreja no Brasil (Doc. 99), depois de mais de 10 anos de trabalho. Neste ano iniciou a segunda diretoria da Signis Brasil, foi um ano eleitoral, que nos levou a concentrar a atenção em algumas ações importantes como o debate com os presidenciáveis, fruto da articulação das mídias católicas. Realizamos as reuniões por setores: TVs, RCR, impressos, sendo que neste ano os impressos e o grupo de rádio realizaram diversas reuniões on-line, o que foi uma inovação.

JS – Quais avanços a Signis Brasil pode comemorar no ano que passou?

Ir. Helena - De 25 a 27 de fevereiro, aconteceu o Congresso Mundial da Signis, em Roma, com o tema Criando imagens com a nova geração, do qual participamos em três representantes do Brasil. Na ocasião, homenageamos a Signis com a entrega do Troféu Signis Brasil ao então presidente, Augustine Loorthusamy, o que também possibilitou dar visibilidade ao Brasil. Pela primeira vez o Brasil participa de Congresso Internacional como Signis.

O evento que considero mais importante, no qual, sobretudo, as TVs investiram e a Signis articulou e acompanhou todo o processo, foi o debate da CNBB com os presidenciáveis. Na primeira reunião das TVs, em 19 de março de 2014, com a presença de dom Dimas Lara Barbosa, arcebispo de Campo Grande e presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB e seus assessores, foi apresentada uma proposta para a realização de um debate com os presidenciáveis, que incluísse todos os meios de comunicação católicos: TVs, rádios, impressos, internet, sendo esse o debate da Igreja, da CNBB. Foi nesse espírito que a equipe trabalhou com empenho. Nas reuniões foram consultados os grupos e todos aceitaram. A CNBB, de sua parte também aceitou liderar. O processo de preparação foi trabalhoso, houve dificuldades, mas a equipe organizadora, a Signis e a CNBB, levaram a termo. Inicialmente a ideia era realizá-lo em São Paulo, depois foi deslocado para Aparecida.

Entendo que estamos num processo de crescimento do espírito colaborativo entre os meios de comunicação sobretudo para projetos conjuntos como foram realizados com os impressos e Rádio com grandes coberturas.

JS – Em outubro a Santa Sé reconheceu a Signis como Associação Internacional de Fiéis. O reconhecimento dá um novo ânimo e legitimidade ao trabalho que vem sendo realizado?

Ir. Helena - O reconhecimento é, antes de tudo, um compromisso da Signis que define sua identidade Católica. Esta foi uma orientação e exigência internacional para esta Associação de fiéis leigos. Ao reconhecê-la a Igreja também espera atuação segundo os princípios cristãos. Creio que é importante salientar que a atuação de profissionais católicos nos meios de comunicação, também seculares, requer o apoio da Igreja e o testemunho cristão. Trata-se de ser fermento no mundo vivendo o que o Papa Francisco define como Igreja “em saída”.

JS – O Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação (Pascom), realizado em Julho, trouxe um recorde de quase 1.000 participantes. Todo o crescimento ao longo dos anos e o notório envolvimento dos jovens pode ser atribuído a quais motivos?

Ir. Helena - Está crescendo a consciência da necessidade de organizar a Pascom nas dioceses e de formar-se. Já é o 4º encontro, é um desafio. A assessoria com o Pe. Antonio Spadaro e outros participantes, penso que motivou. Além do mais, foi associado o 2º Seminário de jovens comunicadores.

JS – Em Maio a CNBB entregou os prêmios de comunicação e as produções têm-se revelado cada vez melhores e mais preocupados com valores e princípios. Como a senhora avalia os premiados deste ano?

Ir. Helena - Os prêmios da CNBB abrangem diversas categorias e para cada uma delas há um júri que assiste, lê, ouve, enfim avalia as produções com os critérios já previstos no regulamento. Os critérios são em relação a valores e princípios, sem dúvida, mas também a questão técnica, artística, linguagem, criatividade. Uma coisa é importante: para quem recebe, este prêmio é um reconhecimento que estimula as pessoas e os grupos a crescerem na qualidade de suas produções.

JS – Em 2014 também tivemos a aprovação do Diretório da Comunicação. O que ele acrescenta para a comunicação da Igreja?

Ir. Helena - O Diretório é um marco importante que denota certa maturidade no caminho da Comunicação na Igreja. Agora há uma orientação unificada para os que começam e para os que já estão na caminhada. O Diretório se situa num contexto de mudança em que a Igreja se abre para dialogar com a sociedade neste contexto, com a consciência clara de que ela existe para evangelizar. Ele precisa ser conhecido e estudado pelos agentes da Pascom e de todas as pastorais, bem como pelas lideranças.

JS – Em 2015 os comunicadores participarão do 9º Muticom em Vitória (ES). O que podemos esperar desse encontro?

Ir. Helena - Esperamos um encontro que reúna as forças e lideranças da Igreja no campo da comunicação. Está sendo preparado pela comissão de Vitória com a CNBB e a Signis é apoiadora. Estamos na fase da divulgação, criação de spots para Rádio e Televisão, divulgação nos meios católicos etc. Esperamos um crescimento e fortalecimento da união. Também lembramos que em 2015 a Signis realizará, em Aparecida, de 31 de julho a 3 de agosto, um Encontro Internacional de Produtores de Televisão, organizado pela Signis Internacional, que a cada ano realiza num país. Em anos anteriores foi no Quênia, na Rússia e o próximo será no Brasil. O objetivo é o intercâmbio de produções. Em 29 de setembro está programado um Seminário para os Impressos, para refletirmos sobre as mudanças culturais, tecnológicas, hábitos de leitura e buscarmos novas perspectivas. Outras programações estão previstas para 2015. O importante é despertar e fortalecer ações conjuntas em vista da evangelização pela comunicação da Igreja no Brasil, porque nós somos a Igreja.

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