Por Deniele Simões Em Notícias

Redentoristas ajudam a transformar meios de evangelização

Os 120 anos de presença dos missionários redentoristas alemães no Brasil, comemorados no fim de outubro, trouxeram importantes transformações para a Igreja e os meios de evangelização. Essa é análise do historiador e missionário redentorista, padre Víctor Hugo Silveira Lapenta.

Foto de: Deniele Simões / JS

Mãe Aparecida - Deniele Simões JS

Devoção à Mãe Aparecida é um dos
legados deixados pela Congregação

“A pregação redentorista no Brasil inteiro difundiu, fortaleceu, reforçou essa devoção do povo brasileiro a Cristo Redentor e a piedade popular tem sido catequizada através de nossas publicações, mas reconheço que não somos só nós, os redentoristas, que estamos atuando, mas somando nossas forças à da Igreja do Brasil, inclusive de outras tantas ordens e congregações religiosas”, aponta.

O estudioso recorda a chegada dos primeiros missionários alemães a Aparecida (SP) e Goiás, em 1894, atendendo a um chamado de bispos que pediram auxílio para a “atualização da Igreja” no Brasil.

Essa foi uma das necessidades advindas da proclamação da República, que evidenciou a autonomia da Igreja em relação ao Estado. “A Igreja então tinha toda a liberdade de agir por si mesma na sua organização, sem dependência do poder civil e, por outro lado, havia uma dificuldade muito grande quanto a meios, recursos e à prática de sua auto-organização”, esclarece.

Ao descrever a ação dos missionários alemães junto ao Povo de Deus em Aparecida, à época, padre Víctor Hugo ressalta que os fiéis não tinham uma formação cristã atualizada. Isso ocorria porque o catolicismo no Brasil Imperial não havia se desenvolvido e, por isso, utilizava-se das mesmas práticas do catolicismo português da Idade Média.

Após a chegada, em 1894, os missionários redentoristas alemães começaram a organizar a catequese em 1895. “Na Páscoa, poucos meses depois que estavam no Brasil, já realizaram a primeira festa da primeira comunhão de toda a criançada da cidade”, conta.

A chegada dos missionários alemães trouxe um novo sistema de catequese, que aproximou as pessoas da vida comunitária. “Antes, as crianças de famílias católicas eram formadas na sua religião pelos pais e a população reunia-se praticamente para as grandes festas dos santos dos quais eram devotos”, explica.

Segundo o historiador, a maioria dos homens e mulheres adultos nunca se confessava ou comungava e a prática dos sacramentos praticamente inexistia. “Então foi todo um trabalho de formação cristã da população. Dei um exemplo a partir dos que estavam em Aparecida, mas atuação semelhante foi acontecendo por todo o Brasil”, contextualiza.

Missões populares e santuários

Os missionários redentoristas alemães chegaram para cuidar de dois importantes Santuários, Aparecida, representado pela Matriz Basílica, e Santíssima Trindade, hoje Santuário do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO).

Além de transformar esses locais em grandes centros de peregrinação, padre Víctor Hugo avalia que um dos legados da atuação desses religiosos no país é a difusão da devoção à Nossa Senhora Aparecida em todo o território.

Foto de: Arquivo JS

Redação JS - Arquivo JS

Redação do Jornal Santuário no início do
século XX; veículo deu origem à Editora
Santuário e à evangelização através dos
meios de comunicação

Esse trabalho contribuiu para que Nossa Senhora fosse transformada em Rainha e Padroeira do povo brasileiro, a partir da coroação da imagem, em 1904, e da proclamação oficial, pela Santa Sé, do título de padroeira do Brasil, em 1930. 

Outra grande colaboração, na avaliação do historiador, aconteceu através das missões populares, que foram pregando progressivamente pelas pequenas paróquias e desenvolvendo-se em grandes grupos missionários.

Padre Víctor Hugo cita, entre as maiores missões já promovidas no país, as de preparação para o IV Congresso Eucarístico Nacional, em 1942, na cidade de São Paulo e para o Congresso Eucarístico Internacional de 1955, no Rio de Janeiro (RJ); a pregação das missões em Curitiba, na década de 1970, assim como outras que ocorreram e ainda ocorrem em inúmeras cidades e capitais de todo o país.

Além dos santuários de Aparecida e Trindade, hoje os missionários redentoristas administram vários outros templos de peregrinação espalhados pelo Brasil. “Nós podemos falar, por exemplo, dos redentoristas no Santuário de Bom Jesus da Lapa, na Bahia; Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, de Curitiba, Belém do Pará e Campo Grande; Santuário de São Geraldo, em Curvelo, Minas Gerais, e assim por diante no Brasil.”

Ainda de acordo com o historiador, hoje, praticamente todos os estados brasileiros têm comunidades, equipes missionárias ou algum tipo de atuação nos grandes santuários.

Meios de comunicação e teologia moral

Em Aparecida, os redentoristas deram início ao que hoje se chama de evangelização através dos meios de comunicação. A primeira iniciativa deu-se em 1900, com a aquisição de uma pequena tipografia e o início da publicação do Jornal Santuário de Aparecida, considerado o semanário católico mais antigo do Brasil em atividade.

O JS foi o primeiro produto da Editora Santuário, que há 114 anos atua com publicações para no segmento católico. “Além disso, logo que puderam, começaram com a Rádio Aparecida (1951). Depois, mais tarde, a TV”, recorda o sacerdote.

 

Na internet, o portal A12.com cumpre o papel de informar e evangelizar, somando-se a todos os meios utilizados pela Congregação para auxiliar na evangelização do povo brasileiro.

 

Foto de: Deniele Simões / JS

Pe. Víctor Hugo Lapenta - Deniele Simões JS

Padre Víctor Hugo Lapenta: "A pregação redentorista

difundiu, fortaleceu, reforçou a devoção do 

povo brasileiro através de nossas publicações"

Outra importante linha de atuação dos redentoristas, segundo padre Víctor Hugo, é a teologia moral, que pauta toda a ação missionária redentorista.

Santo Afonso Maria de Ligório, doutor da Igreja e fundador da Congregação, deixou muitas obras que se destacaram tanto na dimensão do ensino e cultivo da piedade ao povo, como obras teóricas e teológicas para a formação do próprio apostolado da Igreja.

“E aí entra o trabalho de Afonso de Ligório sobre a teologia moral. Tanto é que até hoje nós temos, em Roma, uma Academia de formadores, de professores de teologia moral para o mundo inteiro. E esse trabalho também no Brasil”, ressalta. Na avaliação dele, os redentoristas têm colaborado intensamente para o cultivo da teologia moral dentro das linhas afonsianas, que contemplam a piedade popular, a confiança em Deus, apoiando-se na divina misericórdia.

 

Padre Luís fala sobre 70 anos da Província de SP

A Província Redentorista de São Paulo completou 70 anos de existência no último dia 15 de outubro. O Superior Provincial, padre Luís Rodrigues Batista, avalia as conquistas obtidas ao longo desses sete séculos de história e ressalta o desenvolvimento do trabalho iniciado em 1894.

“Primeiro, é preciso agradecer a Deus, porque desde a chegada dos missionários, em 1894, vindos da Alemanha para trabalhar em Aparecida, o trabalho da Congregação foi se consolidando. Podemos constatar que, durante toda essa história da presença redentorista, o dinamismo sempre foi buscado”, ressalta.

Atualmente, a Província está organizada em 18 comunidades no estado de São Paulo, com cerca de 190 membros, entre sacerdotes, irmãos e estudantes. As frentes de atuação desses missionários são o Santuário Nacional, paróquias, Santas Missões, o setor de comunicação social e os Centros de Assistência Social (CAS).

A equipe da Província de São Paulo auxilia os trabalhos nos estados do Amazonas e Rondônia, além de atuar nos projetos da Congregação no Suriname.

São Paulo também é responsável pela Vice-Província de Recife (PE), que atua nos estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Paraíba.

Foto de: Deniele Simões / JS

Pe. Luís Rodrigues Batista - Deniele Simões JS

Padre Luís Rodrigues Batista: "Podemos
constatar que, durante toda essa história
da presença redentorista, o dinamismo
sempre foi buscado"

Além disso, sempre que o Governo Geral solicita auxílio, a Província procura atender enviando confrades, como também as diversas necessidades de outras Unidades da Congregação, a partir de Roma. 

Na avaliação do Superior Provincial, nos últimos 70 anos houve um grande desenvolvimento do trabalho promovido e os fundadores da província de São Paulo atuaram de maneira incansável no atendimento aos peregrinos e devotos de Nossa Senhora Aparecida, atingindo também outros horizontes. “Saíram para pregar as Missões Populares, fundaram outros conventos em vários locais, como exemplo, nas cidades de Araraquara, São João da Boa Vista, Tietê, São Paulo”, diz.

Nesse período, os missionários radicados em São Paulo fundaram casas no Rio Grande do Sul, como também seminários, assumiram por décadas a Igreja de Nossa Senhora da Penha na cidade de São Paulo e, no estado de Goiás atuaram, através das Missões e na Igreja do Divino Pai Eterno, em Trindade.

Outra área destacada pelo religioso é a comunicação, através de muitas iniciativas que possibilitaram a fundação da Editora Santuário, Rádio Aparecida, TV Aparecida e portal A12.com.

Papel de Aparecida

Os religiosos da Congregação estão presentes em praticamente todos os estados brasileiros, mas a grande presença deles se dá em Aparecida.

Na avaliação de padre Luís, o papel da cidade tem sido cada vez mais importante quando se fala de Igreja e muito disso deve-se a Nossa Senhora Aparecida. “À medida que os devotos foram conhecendo Aparecida, por causa da devoção, o trabalho foi se desenvolvendo. Até hoje, a presença de peregrinos só aumentou a cada ano e, dentro da religiosidade do povo brasileiro, o Santuário Nacional foi ganhando destaque”, explica.

Segundo o religioso, a ampliação do número de peregrinos a cada ano e a presença dos meios de comunicação aumentam cada vez mais a responsabilidade do trabalho missionário.

Ele lembra que, no que diz respeito à Igreja do Brasil, Aparecida também tem se destacado cada vez mais. “A mudança de local das assembleias da CNBB para Aparecida, a própria assembleia do Conselho Episcopal da América Latina e Caribe (Celam), em 2007, com a presença do Papa Bento XVI, depois a visita do Papa Francisco, em 2013, antes da Jornada Mundial da Juventude, tudo fez com que Aparecida fosse se destacando”, acrescenta.

O superior provincial ressalta, entretanto, que a história de Aparecida foi-se confirmando através de fatos importantes. A princesa Isabel presenteou a Imagem com a coroa, em 1904. Depois, a declaração de Nossa Senhora Aparecida como “Padroeira do Brasil”.

Foto de: Arquivo / C.Ss.R.

Primeira Turma Redentoristas - Arquivo C.Ss.R.

Primeira turma de missionários redentoristas
encaminhados ao Brasil para a Missão de São Paulo
e Goiás

Padre Luís lamenta que, diferentemente do Santuário Nacional, a cidade de Aparecida não tenha acompanhado o ritmo do crescimento dos peregrinos, em relação à qualidade do atendimento. “A cidade exerce uma forte atração para a exploração comercial, com o apelo religioso, porém, não constatamos um nível profissional na prestação de serviços.”

Espiritualidade

Padre Luís ressalta que os missionários anunciando a copiosa redenção e, por isso, trabalham para promover a dignidade humana em todas as dimensões. “A atuação redentorista se dá no sentido que as comunidades eclesiais se desenvolvam, tanto na dimensão espiritual, quanto na material”, acrescenta.

Em relação às missões, a metodologia procura suscitar novas comunidades e renovar as já existentes. “As paróquias onde atuamos têm buscado animar a todas as pessoas na caminhada diária para crescer na fé, mas principalmente, para crescer na capacidade de organização, como cidadãs”, diz.

Ele ainda cita a ação dos CASs, que busca prevenir, resgatar e dar condições para as pessoas – principalmente aquelas em condições de em maior vulnerabilidade social – sejam assistidas.

Fatos marcantes

5 de junho de 1894: Dom Eduardo Duarte da Silva, então bispo de Goiás, vai a Roma para solicitar missionários para a diocese que comanda

Julho de 1894: O então arcebispo de São Paulo, dom Joaquim Arcoverde, vai a Roma para fazer a mesma solicitação

31 de julho de 1894: Governo-Geral da Congregação Redentorista encaminha à Província da Baviera (Alemanha) pedido de envio de missionários ao Brasil. Nasce oficialmente a Missão Redentorista de São Paulo e Goiás, com a designação de 12 missionários alemães. Metade do grupo foi para Aparecida e a outra metade para Goiás

30 de outubro de 1894: Primeiros missionários redentoristas alemães chegam a Aparecida, com acolhida festiva na Estação Ferroviária da cidade

12 de dezembro de 1894: Os primeiros missionários chegam ao bairro de Campininhas, hoje parte da capital de Goiás, Goiânia

1897: Acontece a primeira missão redentorista, em Areias (SP)

1900: Criação do Jornal Santuário de Aparecida e da Editora Santuário

1902: Imagem fac-símile de Nossa Senhora Aparecida é levada para a Santa Missão em Queluz (SP)

1905: Missionários redentoristas assumem Santuário de Nossa Senhora da Penha, em São Paulo (SP)

1912: Inauguração do Convento Velho, em Aparecida, e ordenação de três sacerdotes brasileiros

1913: Missionários redentoristas assumem Santuário de Bom Jesus da Lapa, na Bahia

1920: Criação da Casa Missionária de Araraquara (SP) e expansão das Missões no Oeste paulista

15 de outubro de 1944: Instalação da Província de São Paulo

1951: Fundação da Rádio Aparecida

2003: Fundação Editora Ideias & Letras

2005: Fundação da TV Aparecida

2010: Criação do A12.com

Fontes de informação: Padres Inácio Medeiros, C.Ss.R e Gilberto Paiva, C.Ss.R.

 

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