Por Alexandre Santos Em Notícias

Retiro para jovens une esportes radicais e evangelização

Wesley Almeida / CN

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Participantes relacionam desafios dos circuitos radicais com situações vividas no dia a dia e decisões que precisam ser tomadas

 

Circuitos esportivos, trilhas, labirinto, rapel, falsa baiana e muita, muita lama. À primeira vista, parece a programação de uma colônia de férias. Na verdade, trata-se de um retiro espiritual nada convencional.

Realizado numa fazenda, na cidade de Cachoeira Paulista (SP), o Acampamento Revolução Jesus tem atraído um número cada vez maior de jovens, que através das atividades aprendem lições sobre luta, perseverança, força e superação dos próprios limites. Além dos desafios do circuito radical, pregações, testemunhos, cânticos e orações completam a programação do evento.

Wesley Almeida / CN

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Adriano Gonçalves: “Quando se ama de verdade, a gente é
livre. Toda vez em que há ainda que apenas uma centelha
de prisão, alguma penumbra de fechamento, não é amor”

Em sua quarta edição, o acampamento reuniu este ano cerca de 10 mil jovens. Desses, cerca de mil participaram dos circuitos, que são divididos em vários módulos. Cada um com lições específicas baseadas em ensinamentos do Evangelho, como o anúncio do amor de Deus, cura interior, sexualidade e afetividade, etc.

Para garantir a segurança do evento, uma equipe de 150 monitores, socorristas e profissionais da área de saúde acompanham os jovens durante os exercícios. Ao final de cada atividade, uma reflexão pessoal motivada pelos organizadores ajuda os participantes a darem sentido a cada uma das experiências vividas e assimilarem ensinamentos para a própria vida.

E num evento para a juventude não podia faltar música. Ao longo do dia, bandas se apresentaram no Terminal do Rock. As noites do evento foram animadas com shows de cantores e bandas católicas e um luau, que animou as madrugadas.

Este ano o evento aconteceu entre os dias 8 e 12 de janeiro com o tema o tema Livre para amar. O idealizador do evento, o missionário Adriano Gonçalves, membro da Comunidade Canção Nova, explica que o tema foi inspirado numa frase do Papa João Paulo II, que diz que o amor verdadeiro é total, livre, fiel e fecundo. “Quando se ama de verdade, a gente é livre. Toda vez em que há ainda que apenas uma centelha de prisão, alguma penumbra de fechamento, não é amor”, afirma.

Segundo Adriano, o intuito é, por meio de uma alta dose de adrenalina, oferecer à juventude uma experiência radical com o amor de Deus, para que tenha a fé renovada. “Tudo é feito dentro de uma construção, para que, a partir do visual, da sinestesia, das emoções, o participante possa fazer uma transposição daquela experiência para a vida dele, ressaltando aquilo que tem impacto na própria história”, explica.

Foi o que aconteceu com Edmar Rodrigues, de Santa Anastácia (SP). Com 23 anos, ele já participou de três acampamentos como esse e hoje ajuda como monitor. “É uma experiência incrível. Em cada desafio você se depara com alguma realidade da sua vida. As lutas, as quedas. Há momentos em que você está lá em cima, em outros estamos no chão”, relata.

Para a estudante Walesca Laís, de 18 anos, de Juiz de Fora (MG), o acampamento ajuda a refletir sobre as decisões que se toma ao longo da vida e suas consequências. “Vivenciamos várias situações e vimos como que fica o nosso elo com Deus a partir das nossas relações no dia a dia. É muito fácil ser Igreja dentro da Igreja. É isso o que o Revolução Jesus propõe para a gente: fazer uma revolução na nossa vida”, conta.

Já para o estudante João Paulo Rocha, de 17 anos, o mais difícil foi se deparar consigo mesmo e com os próprios limites. “Foi muito forte ver minha realidade, as coisas que faço. Eu comparei o que eu vivo no dia a dia com as situações pelas quais passei aqui”, afirma.

Alexandre Santos / JS

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Jason Evert: “Quando casar, você não vai adquirir as virtudes do
autocontrole e da fidelidade quando colocar a aliança, como num
passe de mágica. É preciso treinar desde já”

Apesar se ser projetado para jovens, adultos também participam. É o caso de Nichola Votti, de 53 anos. Ele veio de Bragança Paulista (SP) para acompanhar a filha, que ainda não tem idade para o circuito radical. Segundo os organizadores, a idade mínima para participar com segurança é 17 anos. “É uma reconstrução. Cada vez que venho, uma pedrinha a mais é colocada em mim e na minha família, principalmente para minha filha, que é uma adolescente. Nós, pais, precisamos ouvir muitas coisas que são ditas aqui para que a gente não cometa os mesmos erros que nossos pais, muitas vezes por ignorância, cometeram”, conclui. 

Participação internacional

Este ano, o evento contou com a participação de um palestrante internacional, o americano Jason Evert, mestre em Teologia e estudioso da Teologia do Corpo, desenvolvida pelo Beato João Paulo II sobre o amor humano.

Pela primeira vez no Brasil, Evert já percorreu mais de 10 países falando sobre o tema. Segundo ele, há algumas diferenças culturais entre esses povos, mas o coração da juventude é o mesmo em todos os lugares. “Todos enfrentam os mesmos problemas, desejam o mesmo amor, muitos vieram de famílias desestruturadas. Alguns países são melhores que outros. Nas Filipinas, por exemplo, os jovens são mais inocentes. Na Inglaterra, eles já são mais secularizados”, afirma.

Em meio a uma sociedade relativista, em que não se admite verdades absolutas, Jason explica aos jovens o porquê de guardar-se para viver o sexo apenas após o casamento. “Costumo lembrá-los de que, no casamento, eles vão prometer amar por toda a vida. Hoje é o dia da vida deles. Ame seu esposo antes de conhecê-lo, porque, quando casar, você não vai adquirir as virtudes do autocontrole e da fidelidade quando colocar a aliança, como um passe de mágica. É preciso treinar desde já. Se você quer um amor que dure para a vida toda, comece a amar seu esposo antes de conhecê-lo”, aconselha. 

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