Por Allan Ribeiro Em Notícias

Riscos podem estar escondidos por de trás dos selfies

Selfie, selfie meu, existe alguém mais belo do que eu?”. Sozinho ou com os amigos, a prática de tirar fotos de si próprio ganha cada vez mais adeptos, principalmente entre os mais jovens. O selfie nada mais é que um autorretrato tirado a partir de uma câmera, webcam ou celular. Esse modismo contemporâneo vem sendo impulsionado principalmente pelas redes sociais e, a cada dia, novas ferramentas, como aplicativos e o famoso pau de selfie, garantem a foto perfeita. Mas, por de trás das lentes, alguns problemas podem estar ocultos e saber os limites de expor nas redes sociais é primordial.

Foto de: Stockphoto

Selfie - Stockphoto

João Alexandre Borba: "Quando chega ao ponto de ficar
me promovendo, porque não dou conta de gostar de mim
mesmo e preciso de aplausos, já não é nada positivo"

O cardápio do dia, a viagem de férias, o happy-hour com os amigos, ou apenas um momento descontraído, tudo se torna motivo para registro das câmeras. O selfie é uma prática antiga que atravessa a história. Um dos mais populares registros é o “Autorretrato com a orelha cortada”, de Van Gogh. Mas, há outros desde a Grécia Antiga, passando pelo Renascimento, pelo Pós-impressionismo, chegando até os dias atuais.

Nesse período em que, uma imagem vale mais que mil palavras, mostrar-se transforma-se em uma maneira de alimentar a vaidade. O problema não é o selfie, mas o desespero de alguns jovens em chamar a atenção, expondo-se desnecessariamente, tornando-se um retrato do imediatismo da contemporaneidade. A todo momento há a necessidade de compartilhar o que estão fazendo em busca de alguns “likes”.

A valorização da imagem pode revelar uma falsa felicidade, principalmente se criar nos adolescentes a esperança de serem reconhecidos ou de se tornarem populares. O psicólogo e professor da Faculdade Santa Marcelina, Breno Rosostolato, adverte que esta cultura narcísica pode ser perigosa, porque a autoimagem do indivíduo passa a ser baseada nas fotos. Como consequência, a pessoa pode viver baseada em fantasias, idealizações e viver frustrada com a realidade.

“Tudo na vida é saudável quando não for em excesso. Com os selfies não é diferente. A foto deve marcar um momento, uma lembrança que ficará para toda a vida, uma maneira de lembrar aquela situação. É um recorte de uma passagem da vida. O problema é quando tornam-se uma obsessão e a pessoa vive em função disso”, afirma o professor.

A visibilidade entre os amigos, proporcionada pelos cliques, enaltece ainda mais a vaidade e faz com que muitos saiam de sua realidade para ganharem mais do que 15 minutos de fama e serem reconhecidos pelos demais. A atual preocupação dos adolescentes é com o olhar externo, dos colegas. Em um círculo de amizade pode existir uma competição implícita, em que os jovens passam a tirar fotos de si mesmo com o objetivo de mostrar que estão em melhores momentos que os outros.

O psicólogo João Alexandre Borba explica que essa prática se torna negativa, já que não há regras preestabelecidas e as pessoas passam a concorrer sozinhas, tendo sempre a ideia de que estão “perdendo” para os outros amigos.

“Existem dois tipos de vaidade envolvida no selfie. A saudável que seria um movimento de olhar pra mim, de me curtir mais, de me valorizar. Uma pessoa precisa ter autoestima. A própria palavra diz isso, o eu estimar, saber o que é bom em mim e querer aproveitar isso melhor. Quando isso chega ao ponto de ficar me promovendo, porque não dou conta de gostar de mim mesmo e preciso de aplausos, já não é nada positivo”, aponta o especialista.

Essa nova mania coloca as relações pessoais em xeque. Nas viagens, a frase “Você poderia tirar uma foto?” já está em desuso, perdendo espaço com a criação do pau de selfie, que permite planos mais abertos sem grandes esforços. Com isso, passa a ser mais importante mostrar que se esteve em um local, do que simplesmente estar ali. Borba afirma que as pessoas passam uma viagem inteira tirando fotos nos lugares e acabam esquecendo até que estão em grupo e que podem compartilhar experiências com essas pessoas.

Em uma escala maior, o exagero e a fixação pelo autorretrato podem ser a tônica do isolamento, fazendo com que os relacionamentos sociais e afetivos fiquem comprometidos. Segundo Rosostolato, o fato de tirar selfies sozinho, aparecer nas fotos sem amigos ou familiares pode denunciar apatia, solidão e um estado emocional de abandono.

Os pais desempenham papéis importantes e devem ficar atentos aos comportamentos, afirmam os especialistas. Eles devem observar se a necessidade de se autorretratar é frequente e até que ponto isso pode prejudicar a vida social dos filhos. Borba diz que os adolescentes encontram no autorretrato uma maneira de chamar a atenção e, neste caso, o diálogo dos pais se torna fundamental.

Ele exemplifica dizendo que assim como uma criança pequena, que chama a atenção dos pais para que olhem para alguma brincadeira que ela esteja desenvolvendo, o adolescente busca, da mesma maneira, ser notado. Ao tirar inúmeras fotos de si próprio ele canaliza essa carência. “Essa questão do selfie pode estar ligada a falta de um movimento dos pais. É uma falta de atenção e carinho”, expõe.

Além disso, deve-se estar atento para as fotos que são divulgadas pelos jovens. Conversar com os filhos é essencial para esclarecer que tirar fotos é divertido, mas que existem limites, tomando cuidado sempre com as pessoas mal-intencionadas.

 

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