Por Alexandre Santos Em Notícias

Sínodo dos Bispos: Episcopado debate temas polêmicos em Roma

Os desafios pastorais das famílias no contexto da evangelização. Esse foi o tema da Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, concluída no último domingo (19), em Roma.

Foto de: Reprodução

Sínodo dos Bispos - Foto Reprodução

As propostas levantadas na assembleia extraordinária
deverão ser amadurecidas até o Sínodo Ordinário, que
acontece em outubro de 2015

Publicado no sábado (18), o relatório final da assembleia detalha as discussões e os números de votos contra e a favor de cada item.

 

No documento, os padres sinodais preferiam não abordar apenas os desafios e os problemas, mas também os aspectos positivos da família. Durante um ano, esses temas serão aprofundados e voltarão a ser discutidos no Sínodo Ordinário, que acontece ano que vem.

Com o tema "A vocação e a missão da família na Igreja, no mundo contemporâneo", a 14ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos acontecerá entre os dias 4 e 25 de outubro de 2015.

De acordo com o relatório, a família é uma escola de humanidade e deve ser ouvida. Entre os problemas que, segundo o documento, deterioram a vida da família estão o individualismo, uma afetividade voltada para a satisfação própria, a fragilidade dos sentimentos, a precariedade de trabalho, o terrorismo e as migrações.

Segundo o texto, a Igreja deve enfrentar a realidade escutando o contexto socio-cultural das famílias, reafirmando a indissolubilidade entre homem e mulher, enfrentando as situações mais urgentes e confiando a sua concretização às Igrejas locais sempre em comunhão com o Papa. No relatório, os padres sinodais afirmam que é preciso anunciar o Evangelho da família, sobretudo, através dos fiéis.

“Evangelizar é responsabilidade partilhada por todo o povo de Deus, cada uma segundo o próprio ministério e carisma. Sem o testemunho alegre dos cônjuges e das famílias, o anúncio, mesmo que correto, arrisca-se a ser incompreendido ou de se afogar no mar de palavras que caracteriza a nossa sociedade. As famílias católicas são chamadas a ser elas próprias os sujeitos ativos de toda a pastoral familiar”, diz o texto.

Em entrevista coletiva, após a primeira semana de discussões, o relator-geral do Sínodo, cardeal Peter Erdo disse que o Evangelho da família é alegria e, por isso, pede-nos uma conversão missionária. “Que não seja um anúncio meramente teórico que apenas apresenta normas, mas que proponha valores com uma nova linguagem”, afirma.

Muitos órgãos de imprensa repercutiram o relatório da primeira semana como se apresentasse determinações para a Igreja. A interpretação equivocada causou certa polêmica, sobretudo em assuntos mais delicados, como as uniões homoafetivas e os casais de segunda união.

Círculos menores

Na segunda fase, foram formados pequenos grupos linguísticos, separados em quatro idiomas: inglês, francês, espanhol e italiano, para discutir temas específicos.

Na apresentação dos relatórios dos grupos de discussão, o cardeal austríaco D. Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, salientou que o Sínodo tem procurado acompanhar a história das pessoas no momento atual, seguindo as indicações do Papa Francisco.

“Devemos ver o papel fundamentalmente positivo da família. Penso que o Papa nos tenha convidado a ver o tema da família não para ver tudo o que não funciona, mas para mostrar a beleza e a necessidade vital da família”, afirma.

Casais de segunda união

O relatório faz uma síntese entre duas ideias diferentes apresentadas. A primeira, em favor da disciplina atual, que impede o acesso aos sacramentos pela força do fundamento teológico. A segunda, passa por uma maior abertura, em condições específicas.Este ponto recebeu cerca de 74 votos contrários, pedindo o aprofundamento da proposta.

O documento aponta para uma mensagem de amor e inclusão: “Trata-se de acolher e acompanhar essas pessoas com paciência e delicadeza”, diz o texto.

Apoio às famílias

O relatório reafirma a missão da Pastoral Familiar e das famílias como sujeitos ativos sobretudo na preparação dos noivos para o matrimônio e no acompanhamento dos casais. A assembleia apontou a necessidade de “proteger os filhos” de pais que se divorciaram, procurando evitar ou ajudar em determinadas “repercussões psicológicas”.

O documento final fala ainda sobre a necessidade de fazer escolhas pastorais corajosas na ação da Igreja junto a famílias feridas, especialmente para quem viveu injustamente a separação e o divórcio.

Uniões homoafetivas

Os padres sinodais falaram sobre a necessidade de acolher os homossexuais com respeito e fizeram várias considerações sobre o assunto. Como encarar essa realidade? Como lidar com a presença dos homossexuais na Igreja? Como encarar a adoção e educação de filhos? Como lidar com o pedido de batismo para uma criança adotada por duas pessoas do mesmo sexo?

Contudo, o relatório final não fala de crianças adotadas por casais homoafetivos e reafirma que as uniões homossexuais não são equiparáveis ao matrimônio entre homem e mulher.

Beatificação

O encerramento do Sínodo foi marcado pela celebração de beatificação de Giovanni Montini, o Papa Paulo VI. A cerimônia aconteceu na Praça de São Pedro. Na homilia, o Papa Francisco ressaltou a humildade e o apostolado incansável de Paulo VI, destacando que ele soube “dar a Deus o que é de Deus”.

Em maio deste ano, a Congregação para a Causa dos Santos reconheceu um milagre atribuído à intercessão de Paulo VI, relacionado à cura do problema cerebral de um bebê, ainda no ventre da mãe. O caso aconteceu em 2001, nos Estados Unidos.

Giovanni Battista Montini nasceu em 26 de setembro de 1897, em Concesio, na Itália, e faleceu em Castelgandolfo, em agosto de 1978.Sucessor de São João XXIII, ele foi responsável pela conclusão do Concílio Vaticano II.

 

 

 

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