Por Deniele Simões Em Notícias

Voluntários ajudam a humanizar atendimento em hospitais

Brincadeiras, roupas coloridas, narizes vermelhos e muita alegria. Esse cenário, que mais lembra um picadeiro de circo, está se tornando cada vez mais comum nos hospitais do Brasil.

A introdução dos chamados “doutores palhaços” começou nos anos 1990 e, de lá para cá, muitos grupos surgiram com o objetivo de humanizar o atendimento nos hospitais.

Foto de:Divulgação

soulalegria

Dra. Matraka e Dr. Miojo (Clerson) são alguns dos
personagens que a trupe encena nos hospitais de
São Paulo

O ator Clerson Pacheco foi tocado pela situação precária na saúde e decidiu arregaçar as mangas e fazer sua parte em 2005. “Decidi ser voluntário, estudei e trabalhei em uma ONG em São Paulo, nas minhas horas vagas”, conta.

Após formar-se como ator profissional e palhaço, Pacheco largou o emprego em uma multinacional e montou o projeto social Soul Alegria. “Embarquei nessa estrada de cidadania e alegria, e hoje vivo dessa arte, que é minha vocação”, conta.

Junto com ele, outros 42 voluntários participam do projeto. A trupe faz visitas mensais, quinzenais e semanais a vários hospitais da cidade de São Paulo (SP) e, somente este ano, já manteve contato com mais de 6.200 pessoas, entre pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde.

O projeto iniciou as atividades em 2011, levando voluntários ao Hospital dos Servidores Públicos Municipais de São Paulo. “Depois vieram os outros hospitais, que viram a seriedade de nosso trabalho”, explica o idealizador do Soul Alegria, hoje presente em hospitais como Santa Casa, Beneficência Portuguesa e Dante Pazzanese.

O trabalho é sistematizado e todas as visitas são discriminadas em planilhas quantitativas. Além disso, os voluntários passam por aulas teóricas e práticas, durante seis meses.

Segundo Pacheco, para tornar-se voluntário é preciso ter espírito jovem, independentemente da idade. A idade mínima para participar é de 21 anos. “Entendemos que a juventude está na alma da pessoa e, quando ela procura nosso projeto, é porque a alma está buscando algo novo e rejuvenescendo”, diz.                                                                                                                        

Aproximando seres humanos

Para o ator, o maior desafio no trabalho é mostrar que o projeto não é mais um grupo que coloca nariz de palhaço e sai por aí fazendo as pessoas rirem. “Nós queremos conhecer pessoas, fazer amigos, visitar nossos semelhantes, mostrar que ainda podemos fazer algo pelo nosso planeta”, ressalta.

Pacheco acredita que colocar uma roupa colorida e um nariz vermelho é algo fácil, mas ser um doutor palhaço, não. “Vestir uma roupa de piloto de avião não te faz um piloto. Para levantar um Boeing do chão e colocá-lo de volta em segurança é preciso anos de treino, de voos, de experiência. Para ser palhaço de hospital também”, justifica.

Ser palhaço dentro de um hospital não é algo simples. Segundo Pacheco, os palhaços do Soul Alegria usam a abordagem centrada na pessoa. Isso significa olhar o paciente nos olhos, chamá-lo pelo nome, dar atenção para cada detalhe, seja da conversa com ele ou com os acompanhantes, ou mesmo detalhes do quarto, como um chinelo, um porta-retratos, uma bíblia na cabeceira da cama.

“Nós começamos sempre pedindo licença para entrar no quarto e depois desenvolvemos conversas e, se o paciente não puder conversar, falamos com os acompanhantes e, se todos puderem falar, envolvemos todos em brincadeiras e bons bate-papos, que em geral são descontraídos e despretensiosos”, acrescenta.

Quando os voluntários chegam ao quarto, fazem tudo para “desplugar” o paciente e os familiares da doença, que é vivenciada 24 horas por dia em uma internação. “Levamos outros elementos, buscamos alternativas e isso muitas vezes leva a uma reflexão positiva”, detalha.

De acordo com Pacheco, os elementos lúdicos têm um poder muito grande, ao passo que só o fato de ver o voluntário vestido de palhaço, todo colorido e alegre, as pessoas já sentem “boas vibrações”.

“Às vezes o simples fato de estar lá já dá outra cara ao hospital e é aí que o Soul Alegria promove a alegria, a cidadania, o afeto de uma forma diferente, encantadora”, acrescenta.

A ideia do trabalho é aproximar seres humanos e, para isso, o projeto usa o slogan Nós acreditamos no Ser, levando o conceito tanto aos médicos, como para auxiliares, técnicos, enfermeiros, fonoaudiólogos, psicólogos, pessoal da higiene e da dieta. “Mostramos que somos todos iguais”, resume.

Terapia do riso

Estudos da Universidade Estadual de Campinas revelam que rir é um ótimo remédio. Veja alguns benefícios:

– Contribui para reduzir o estresse e a ansiedade;

– Libera a endorfina, hormônio que produz sensação de bem-estar e alivia a dor.

– Aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial, promovendo a vasodilatação das artérias e consequente queda da pressão, benéfica para os hipertensos.

– Aumenta a quantidade de oxigênio captada pelos pulmões e facilita a saída de gás carbônico.

– Aumenta a liberação de células do sistema imunológico.

– Fortalece as defesas do organismo.

Saiba mais sobre o projeto Soul Alegria: soulalegria.com.br

 

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