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Sociedade brasileira vive fenômeno de manifestações

A sociedade brasileira vive um momento de grande mobilização. A população tem ido às ruas, não apenas no âmbito da corrupção, mas em defesa também de outros aspectos humanos e sociais. São pessoas comuns, mulheres, estudantes e grupos sociais que antes pareciam um pouco adormecidos e agora mostram força em busca de melhores políticas públicas.

Alguns fatores ajudam a compreender a onda de manifestações que tem ocorrido no Brasil. A crise política e econômica se confundem como motivação para as várias manifestações. Somadas a isso, estão a inércia e a incapacidade do sistema político e dos políticos de articular, hierarquizar e solucionar a demanda, um cenário perfeito para a ida às ruas.

Um dos fatores é que a juventude, que redescobriu a política como forma de expressar a sua insatisfação, utiliza as redes sociais como instrumento de mobilização para atos públicos, realizando assim intervenções mais próximas de happenings – manifestações artísticas –, em que o apelo estético se mistura às pautas mais diversas.

Outro aspecto é que, no rastro da redemocratização na década de 1980, também há os partidos políticos, os movimentos sociais e sindicais que nunca saíram de cena e fazem da manifestação de rua a principal arma de propaganda e pressão. Também há uma radicalização político-partidária, que se fez notar nos grandes movimentos nacionais favoráveis e contrários ao processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff.

Neste contexto, o cientista social e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Rogério Baptistini Mendes, explica que a sociedade brasileira atual está em rede e reage emocionalmente às informações e deformações que se propagam pela internet. Ele acredita que é possível afirmar, sem temor ao exagero, que a principal militância política e social se dá nas redes sociais e nos blogs para que, posteriormente, transbordem para as ruas.

Foto de: Valter Campanato/ABr

Manifestações - Agência Brasil - JS

“A sociedade brasileira tem energia suficiente para inventar
saídas e encontrar um rumo capaz de abarcar as demandas
dos diversos sujeitos”, afirma o cientista social,
Rogério Baptistini Mendes

“Talvez, seja possível afirmar, que os atores políticos tradicionais, bem como a própria noção de público, estejam enfrentando uma transformação de grande alcance, cujo resultado leve à revisão da ideia mesma de democracia como forma de governo”, frisa o especialista.

Em relação aos resultados dessas pressões, Mendes afirma que em termos de visibilidade, de publicidade para as mais variadas demandas, há resultados. Mas o especialista pontua que isso não transforma as reinvindicações em políticas públicas. Ele explica que os mecanismos tradicionais de governo têm o seu próprio tempo e lógica, o que gera a sensação de falha na representação política e acirra os ânimos dos vários sujeitos.

Para ele, a sociedade atual é complexa e fracionada, marcada pela fluidez e pela ausência de projetos comuns. Isso inflacionaria a pauta política e criaria dificuldades para que se organizasse um equilíbrio, ainda que precário, entre objetivos particularistas e interesse público.

Ele acrescenta que, apesar das preocupações que a conjuntura impõe, a população deve ser otimista. “A sociedade brasileira tem energia suficiente para inventar saídas e encontrar um rumo capaz de abarcar as demandas dos diversos sujeitos. É preciso querer e tentar”, conclui.

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