Por Jovens de Maria Em Comportamento

A política precisa da inquietude dos jovens

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Foi-se o tempo em que a juventude era vista como uma geração desinteressada da política. As manifestações que ganharam o país em 2013 e a participação intensa em movimentos sociais provam que o jovem de hoje tem, sim, vontade de mudar o mundo. E um dos caminhos passa pela inserção no universo da política, exercendo cargos eletivos para representar os anseios da população. Gislaine Ziliotto, a mais jovem vereadora eleita no Brasil, do município de Ipê (RS), falou-nos sobre os desafios que enfrenta no dia a dia de sua atuação no Legislativo.

Conte-nos um pouco de você e dos valores que carrega.

ziliottoMeu nome é Gislaine Ziliotto, tenho 19 anos e ainda moro com meus pais. Sou uma jovem de personalidade forte, encaro os desafios de cabeça erguida e pulso firme. Tudo isso sem perder a sensibilidade e o cuidado com o próximo e com a vida. Como uma menina-mulher, sou cheia de sonhos e objetivos, tenho espírito aventureiro, revolucionário e inquieto. Estou sempre em busca de conhecimentos e de mudanças. Desde pequena, aprendi com meus pais a importância da humildade e da honestidade, valores que carrego comigo como meta de vida em primeiro lugar. Sempre me ensinaram que, para a construção de uma pessoa íntegra e inserida na comunidade, devo ter como meta o bem comum. Levo minha vida com seriedade, com dedicação e responsabilidade em tudo o que faço e represento.

Fale um pouco da tua trajetória. Como se preparou para ser vereadora?

Tenho Ensino Médio completo, e estou me preparando para prestar vestibular. Nas escolas por onde passei, sempre gostei de poder ajudar os outros e estar integrada na vida escolar. Por estes motivos, juntamente com um grupo de colegas, fundamos o Grêmio Estudantil, por saber que a política estudantil influencia muito na construção do ser humano. Faço parte também do Encontro de Jovens Amigos com Cristo. Por intermédio desse encontro, pude também trabalhar a minha espiritualidade, que é necessária para renovar as nossas forças do dia a dia. Ingressar na política foi uma tarefa razoavelmente fácil. Desde muito nova acompanhei meu pai, que era vereador também no município de Ipê. Sempre fui sua parceira e adorava escutar as discussões sobre o melhor para o município e para a vida das pessoas. "Também quero", disse um dia ao meu pai. A vontade era tanta que, em vez de cantar no chuveiro, eu discursava. A certeza era cada vez mais evidente. Primeiro, seguindo os passos do meu pai. Segundo, por ser uma liderança jovem. E terceiro, quando conheci as ideias e os ideais do partido ao qual me filiei, tive a convicção que era nele que eu queria militar. Em 2012, assumi um assento na Câmara Municipal de Ipê, como a vereadora mais jovem do Brasil e a mais votada do município, do que me orgulho muito, e agradeço a confiança depositada com muito trabalho.

Apesar do descrédito que alguns têm quanto à política, você optou por esse caminho. Por quê?

Acredito que devemos ser a mudança que queremos ver. A indignação deve se transformar em ação, e a política ? a boa política ? transforma a vida das pessoas, é o canal para as mudanças! Desde pequena, enxerguei a militância nos movimentos sociais como a forma de lutar por uma sociedade mais justa, humana e igualitária. Essa oportunidade de representar a população de Ipê, com suas angústias e seus problemas, foi e é um desafio muito grande, mas que me alegra muito!

O que fazer para que o jovem tenha voz nos partidos, nos movimentos sociais e na sociedade em geral?

 

"Para a juventude que luta e sonha, o desafio é querer sempre mais, e nunca se conformar"

Mobilização é a palavra-chave. Sozinhos não conseguiremos ser ouvidos, mas, quando muitos jovens se organizam e fazem pressão, as coisas acontecem. Um exemplo brasileiro foi para baixar o valor da passagem do transporte coletivo, e em muitas cidades a passagem baixou! Com as manifestações públicas, as coisas estão começando a mudar. Tenho certeza de que estão prestando atenção na gente. É desta forma que deve acontecer em todos os lugares: organização e mobilização. Unidos somos fortes, e nem o céu é o limite! Para a juventude que luta e sonha, o desafio é querer sempre mais, e nunca se conformar.

Como conciliar a burocracia nas instituições públicas com a pressa dos jovens em transformar a sociedade?

O poder público no Brasil tem um tempo bem diferente do nosso, eu mesma fico muito nervosa com essa demora, porque quero dar as respostas! Sendo jovens, queremos viver com intensidade, e isso serve também para a política. Os pedidos de informação e os projetos demoram para ser respondidos e aprovados. Gostaria que as coisas se resolvessem no ato, mas sei também que existem trâmites para que tudo se resolva. É por causa dessa intensidade e vontade de ver as mudanças que os jovens devem entrar na política, para não se conformar com o que acham errado! Acredito que quanto mais jovens se elegerem, mais essas instituições vão ficar com a nossa cara, modificando a forma conservadora de fazer política.

Você sofreu resistências na sua opção?

gislaine_ziliottoEm partes. Meu pai e meus irmãos sempre foram meus grandes incentivadores, já minha mãe tinha medo de que a má política pudesse vir a me machucar. Tive grande incentivo do partido, da comunidade escolar e do Grêmio Estudantil, de amigos e da sociedade, esta que me escolheu para ser a mais votada. Alguns diziam que uma menina que ainda cheirava a leite da mamadeira deveria estar brincando de boneca e não de estar fazendo política. Essas atitudes apenas impulsionaram as minhas convicções.

Que dificuldades você encontra na sua atuação?

Vivo em uma cidade conservadora, onde nenhum jovem tinha participado do Legislativo. A maior dificuldade é mostrar aos meus colegas que represento uma parcela da população que nunca teve representatividade.

 

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