Por Redação A12 Em Comportamento

Psicanalista explica como tirar os jovens das drogas

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Foto: Shutterstock

“Não se tira os jovens das drogas fazendo terapia em consultório”, afirma o psicanalista Evilázio Vieira, de 66 anos, que mora na comunidade terapêutica Fazenda Esperança, de Guaratinguetá-SP.  Ele se dedica, há 25 anos, à recuperação de dependentes químicos, e conta, em entrevista, como se desenvolve a dependência na vida de um jovem.

JM – Qual a relação entre as drogas e a família?

Dr. Evilázio – A experiência que nós temos é a questão do relacionamento na família. Todo mundo que vai a droga, primeiro passa por um estresse na infância. A nossa vida, as nossas experiências, passam por escolas.  A primeira escola é já no ventre materno: ali não gera só o corpo, já gera traumas. A segunda escola é a formação dos 7 aos 14 anos: é referente à relação com a mãe e a presença do pai. Quando chega o terceiro momento, que seria a terceira escola, o jovem procura a rua como local onde ele  é acolhido, compreendido e levado a sério. E é na rua que ele se enturma e faz o jogo que os amigos fazem. Se ele tem um lar ajustado, ele vai à rua ver os amigos, e volta sem ter problemas de relacionamento em casa, porque ele é compreendido, é amado.

JM – Qual a principal falta dos jovens que entram no caminho das drogas?

Dr. Evilázio – Há ausência do amor, o jovem não se sente amado. A gente percebe que há lares em que existe uma quebra de relacionamento, e não é só entre os pobres, não acontece só na periferia. Então, geralmente, entre 10 e 14 anos ele começa nas drogas.

JM – Como se recupera um dependente químico?

Dr. Evilázio – O que nós percebemos é que a recuperação se passa por um processo educativo. Não se tira os jovens das drogas fazendo terapia em consultório, e sim através de um processo pedagógico. Eu, como terapeuta, não digo que recupero pessoas. Cabe a nós exercermos o papel de pedagogo. Na Grécia Antiga, os pedagogos levavam as crianças até a praça para escutar os mestres, e as acompanhava.

JM – E como acontece esse processo educativo de recuperação?

Dr. Evilázio – Durante a recuperação, percebemos que os jovens adquirem um relacionamento novo, passam a ser protagonista de uma história em torno do mundo e se apaixona por um estilo de vida. Evidentemente que, se ele adquirir consciência, ele pode ajudar, na universidade e no trabalho, a espalhar esse estilo de vida. Ele passa a ser pedagogo, e ajudar o outro como ele foi ajudado.

 

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